Estagflação e queda-de-braço
Postado em 30 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Por Katia Alves
Um número crescente de analistas adverte sobre os riscos de estagflação – ou seja, de inflação combinada com recessão ou crescimento muito baixo.
A commodity que tem capacidade de provocar estagflação mundial é o petróleo. Em duas ocasiões nos anos 1970 (1973 e 1979) e uma vez nos anos 1990 e no momento, o petróleo, cujo preço aumentou 150% no mesmo período, é o fator decisivo a provocar uma inflação que ameaça se transformar em estagflação.
Diante desse quadro de forte mudança dos preços relativos em favor dos países produtores de petróleo e de outras commodities, economistas do Norte têm uma solução para o problema: esses países deveriam concordar com uma substancial apreciação de suas moedas. É pouco provável, entretanto, que os grandes países em desenvolvimento aceitem apreciar suas moedas. No caso do Brasil, porque a apreciação já lamentavelmente ocorreu. No caso de quase todos, porque significaria aceitarem o aprofundamento de sua própria doença holandesa.
Publicado originalmente na Folha
Luiz Carlos Bresser-Pereira
EM TODO o mundo os preços sobem, a inflação volta a ser uma ameaça. Poder-se-ia pensar em uma clássica inflação de demanda porque apenas nos Estados Unidos esteja começando uma recessão, mas um número crescente de analistas adverte sobre os riscos de estagflação -ou seja, de inflação combinada com recessão ou crescimento muito baixo. A preocupação é legítima. A estagflação é uma combinação de inflação de custos com alguma indexação de preços. Não é a mesma coisa do que foi a nossa inflação inercial, que era indexada também formalmente, mas tem suficiente número de mecanismos de indexação de preços para que um aumento inicial de custos provoque em seguida um quadro temporário de estagflação.
A commodity que tem capacidade de provocar estagflação mundial é o petróleo. Em duas ocasiões nos anos 1970 (1973 e 1979) e uma vez nos anos 1990, em seguida à invasão do Kuait pelo Iraque, o aumento do preço do petróleo foi um fator detonador da inflação de custos que, em seguida, se inercializou por um ou dois anos (não por 14 anos, como aconteceu com o Brasil a partir de 1980). Agora, ainda que outros preços de commodities estejam crescendo, o petróleo, cujo preço aumentou 150% no mesmo período, é o fator decisivo a provocar uma inflação que ameaça se transformar em estagflação.
Diante desse quadro de forte mudança dos preços relativos em favor dos países produtores de petróleo e de outras commodities, que fazer? Economistas do Norte têm uma solução para o problema: esses países deveriam concordar com uma substancial apreciação de suas moedas. De fato, se eles mais a China com seu superávit derivado de rendas do trabalho barato apreciassem suas moedas, haveria uma redução de preços de todos os bens comercializáveis que controlaria a inflação local. Os países ricos continuariam importando inflação porque os preços das commodities não cairiam, mas os Estados Unidos não precisariam mais enfraquecer o dólar para resolver o problema do seu déficit em conta corrente. Leia o resto do artigo »
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