Dez razões para não aumentar a taxa de juros no Brasil
Postado em 25 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por Katia Alves
João Sabóia no artigo abaixo apresenta dez razões para não aumentar a taxa de juros: a taxa básica de juros no país já está entre as mais elevadas do mundo em termos reais, o Brasil tem apresentado crescimento econômico bem menor que os demais países emergentes nos últimos anos, o crescimento da taxa de juros atrai capitais especulativos e pressiona a taxa de câmbio para cima, o aumento recente da inflação no Brasil não se deve a uma forte pressão de demanda interna, mas principalmente ao crescimento dos preços internacionais das commodities (petróleo, trigo, soja etc), sobre os quais a taxa de juros brasileiras não tem qualquer influência. O custo da rolagem da dívida pública (pagamento de juros) tem flutuado em torno de 7 a 8% do PIB nos últimos anos, o que representa um desperdício enorme de recursos públicos que poderiam ser aplicados para outros destinos sociais ou econômicos mais nobres.
Com os gastos anuais com o pagamento dos juros da dívida pública, seria possível cobrir os gastos de mais de 10 programas Bolsa-Família, se o Banco Central está preocupado em combater a inflação via redução do consumo seria mais criativo se tomasse medidas voltadas para o crédito.
Publicado originalmente no Valor
Por João Saboia
A partir do recrudescimento da inflação no mundo (e no Brasil), o Banco Central (BC) iniciou há alguns meses um processo de aumento das taxas de juros no país, cujo objetivo final é o combate à inflação. A taxa básica de juros da economia – a famosa Selic (sigla do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) – deverá continuar aumentando nos próximos meses até que o BC se convença que a inflação voltou para níveis compatíveis com as metas oficiais de inflação.
Diversos economistas têm se manifestado na mídia sobre os rumos da atual política monetária BC. Não são poucos aqueles que têm alertado que, na atual situação mundial, há um grande risco deste tipo de atuação demorar para produzir os efeitos desejados, levando o BC a aprofundar o processo de elevação dos juros por um longo período, representando um grande custo para a sociedade e para a economia.
O principal argumento utilizado pelos críticos é a especificidade do processo inflacionário atual, que está longe de ser uma inflação de demanda, onde as taxas de juros podem atuar diretamente sobre sua causa principal. No caso de choques de oferta, como o atual, a situação é distinta e o efeito de um aumento das taxas de juros é bastante questionável, podendo levar a economia para a chamada estagflação – manutenção de alta inflação com baixo crescimento econômico. Leia o resto do artigo »
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a inflação, um outro fator de deterioração do poder de compra é dos salários menores, ou seja, a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho recebendo bem menos do que deveria ganhar. A maior parte do impacto no rendimento vem dos trabalhadores com carteira, que geralmente entram no mercado ganhando menos. A pesquisa feita pelo IBGE mostrou que a taxa de desemprego ficou em 7,8% da população economicamente ativa (PEA) em junho, praticamente inalterada na comparação com maio, quando se situou em 7,9%. Em relação a junho de 2007, houve declínio de 1,9 ponto percentual.