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Blog do Desemprego Zero

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Os inocentes do Leblon

Postado em 10 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Por Vinicius Mota

Publicado originalmente UOL Tropico

A reciclagem das elites, ou por uma sociologia do estamento financista brasileiro

“Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar. Trouxe bailarinas? trouxe emigrantes? trouxe um grama de rádio? Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam nas costas, e esquecem.”

Carlos Drummond de Andrade, em “O Sentimento do Mundo”

Nasceu no Rio de Janeiro e lá se formou engenheiro. Redirecionou a carreira para a economia, para o que foi fundamental a pós-graduação numa reputada universidade norte-americana. Sua chegada ao Ministério da Fazenda foi antecedida por passagens na alta burocracia financeira multilateral. Poderia estar me referindo, como alguns leitores devem ter intuído, a Pedro Malan, que durante oito anos foi o ministro-símbolo da gestão econômica do governo Fernando Henrique Cardoso.

Mas a descrição também serve para identificar Joaquim Levy, o secretário do Tesouro Nacional do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Relevando local de nascimento, passagem por organismos multilaterais e pela engenharia e acrescentando ao currículo a ligação acadêmica, no Brasil, com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, tem-se ainda a caracterização biográfica de Luiz Augusto Candiota, Afonso Bevilaqua e Eduardo Loyo, diretores, respectivamente, de política monetária, de política econômica e de estudos especiais do Banco Central de Lula. Levy só sai da lista e nela não entra o atual diretor de política econômica da Fazenda, Marcos Lisboa, por terem vínculo acadêmico com a FGV do Rio, que, aliás, não guarda tanta distância da PUC-RJ.

Loyo, Candiota, Bevilaqua e Malan não estão sós nesse conjunto de requisitos curriculares. Podem agregar-se à relação quatro presidentes do BC que antecederam Henrique Meirelles: Armínio Fraga, Francisco Lopes, Gustavo Franco e Pérsio Arida, sem falar do próprio Malan, que presidiu a instituição de meados de 1993 ao final de 1994. Leia o resto do artigo »

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Alargando as perspectivas teóricas

Postado em 10 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Rodrigo L. Medeiros*

Um dos temas de grande controvérsia entre as correntes do pensamento econômico é a da inflação. Para a ortodoxia liberal, inflação é pressão de demanda. Quando a demanda cresce além da oferta há um desajustamento que se expressa pela elevação dos preços. Os adeptos da heterodoxia econômica, por sua vez, não negam que possa haver pressões de demanda e, conseqüentemente, inflação.

No entanto, os heterodoxos reconhecem que os mercados não são perfeitos e que existem desequilíbrios entre oferta e demanda que extrapolam o simplório arcabouço teórico dos ortodoxos. Em um artigo publicado no jornal O Globo, de 07/06/2008, Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia 2001, afirma:

“Os bancos centrais formam um fechado clube, dado a manias e modismos. No início dos anos 80 sucumbiram ao encanto do monetarismo, teoria econômica simplista de Milton Friedman. Depois que o monetarismo caiu em descrédito – com elevado custo para os países que o adotaram – começou a busca de um novo mantra. A resposta veio na forma do regime de metas de inflação, segundo o qual sempre que os preços sobem acima de determinado nível os juros devem ser elevados. A receita se baseia em rala teoria econômica ou evidência empírica; não há razão para esperar que, qualquer que seja a fonte de inflação, a melhor resposta seja elevar os juros. Espera-se que a maioria dos países tenha o bom senso de não implementar esse regime; minha simpatia vai para os infelizes cidadãos daqueles que já o fizeram. O regime de metas (inflation targeting) está sendo testado – e quase certamente falhará. Países em desenvolvimento enfrentam taxas mais altas de inflação, não devido a problemas na política macroeconômica, mas porque os preços da energia e dos alimentos estão em alta, e estes itens pesam muito mais no orçamento doméstico do que nos países ricos. Na China, a inflação se aproxima dos 8% ao ano. No Vietnã, deverá chegar a 18,2% este ano, e na Índia está em 5,8%. Em contraste, a inflação nos EUA se mantém em 3%. Isto quer dizer que esses países em desenvolvimento deveriam subir suas taxas de juro muito mais do que os EUA? A inflação nesses países é, na maior parte, importada”.

O título do artigo é ‘A falência das metas de inflação’. Mercados perfeitos só existem nas cabeças dos adeptos da ortodoxia econômica liberal. Segundo Keynes, trata-se do “tipo de coisa em que nenhum homem poderia acreditar se não tivesse a cabeça entulhada de idéias insensatas durante anos e anos” [1]. Não há desculpas para a estreiteza teórica da ortodoxia econômica liberal, pois o trabalho de Keynes é amplamente conhecido há pelos menos 70 anos. Leia o resto do artigo »

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LE MONDE SUGERE QUE FED SE INSPIRE (?) NO BC BRASILEIRO

Postado em 10 dEurope/London junho dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris – O diário francês Le Monde publicou uma matéria, cujo título é “M. Bernanke devrait s’inspirer de la Banque centrale du Brésil” (“Bernanke deveria se inspirar no Banco Central do Brasil”; clique aqui para ler), em que destaca a qualidade (?) da política monetária do Brasil. Ainda segundo o Le Monde, o presidente do FED, Ben Bernanke, deveria se inspirar (?) na bem (?) sucedida experiência brasileira.

 

O texto elogia (!!!) a política de juros de nossa autoridade monetária, destacando o bom desempenho de alguns indicadores externos, tais como a balança comercial e a relação entre dívida externa e PIB,  assim como das contas públicas internas. Entretanto, o texto não menciona que o desempenho de tais indicadores ocorre a despeito, e não por causa, da política monetária em questão.

 

A política do Bacen de estabelecer a maior taxa de juros reais do mundo levou à apreciação da taxa de câmbio, que tem prejudicado sobremaneira o desempenho de muitos setores exportadores, como por exemplo, calçados e têxteis. Além disso, em virtude da taxa de câmbio apreciada, o saldo em transações correntes já se mostra negativo, o que desautoriza a interpretação do jornal francês.

 

No que concerne ao equilíbrio orçamentário, o argumento da matéria torna-se ainda mais frágil. Como se sabe, as aberrantes taxas de juros tupiniquins aumentam os gastos do orçamento sob a rubrica juros da dívida interna. O montante deste item chega a 8% (!) do PIB, que beneficia 70 mil famílias. Portanto, o “equilíbrio” fiscal é conseguido a despeito de tal política e com grave ônus da falência do Estado brasileiro.

 

As evidências empíricas também não suportam a hipótese de que aumento de taxas de juros sejam remédios eficazes contra aumento de preços oriundos de choques de oferta. O prêmio Nobel de Economia, Joseph Stigltiz, em artigo publicado ontem pelo jornal O Globo (“A falência das metas de inflação”), argumenta que o aumento das taxas de juros não tem conseguido evitar o aumento do nível geral de preços, principalmente nos países subdesenvolvidos, pois apenas uma recessão muito forte, com custos sociais imprevisíveis, seria capaz de criar uma deflação nos preços internos capaz de contrabalançar a escalada dos produtos com preços atrelados aos mercados internacionais.

 

Além disso, a abertura comercial tem prejudicado essencialmente os países periféricos, pois o aumento dos preços internacionais de insumos básicos contamina o nível de preços internos, o que agrava as tensões sociais internas oriundas da queda de poder aquisitivo das classes mais necessitadas. Portanto, o regime de metas de inflação, tão aclamado pelo Le Monde e pelos arautos do liberalismo, não parece ser exemplo, mas ao contrário, deve ser suprimido o mais rapidamente possível.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

Clique aqui para ler nosso manifesto.

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A volta do pêndulo

Postado em 10 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Luis Nassif

Fonte: Projeto Brasil

Vôo de galinha ou novo ciclo da economia? Na última reunião do Conselho de Economia da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o economista Yoshiaki Nakano fez uma apresentação das perspectivas da economia brasileira.

Nakano constatou que desde 1996 houve ciclos curtos de três anos, de recuperação e crise da economia nacional. A partir de 2004 fatores externos acabaram gerando um ciclo de crescimento mais longo, especialmente o rápido crescimento da economia mundial e o fator China provocando um “boom” no mercado de commodities, e um longo ciclo de juros baixos e liquidez mundial expressiva.

A questão é a nova dinâmica endógena (sem depender de fatores externos) de expansao da demanda interna, emprego e salários. E aí surgem as dúvidas: o país será capaz de gerar conhecimento e inovações tecnológicas? Terá setores manufatureiros com vantagens competitivas para exportações especializadas?

Nakano lembra que a elevação da taxa de investimento, nos últimos anos, se deveu a impulsos gerados pela expansão das exportações e o “boom” no mercado de capitais, permitindo contornar o alto custo do dinheiro no país.

Agora se entra em uma fase mais delicada para a economia. O superávit em transações correntes – que garantiu anos de tranqüilidade – transformou-se em um aumento explosivo do déficit. Houve 85% de aumento no passivo externo (recursos externos que podem ser retirados do país). A crise financeira e a recessão americana deverão impactar o crescimento do comércio mundial e os preços das commodities. Continua o risco de parada súbita do fluxo de capitais. E a inflação global poderá levar Bancos Centrais a aumentarem os juros, trazendo instabilidade à taxa cambial brasileira. Leia o resto do artigo »

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Ruína do jogador

Postado em 10 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Por J. Bradford DeLong

Fonte: Valor Econômico

Desde Adam Smith (1776) até cerca de 1950, o capital era considerado por economistas como absolutamente essencial para o crescimento econômico. Também eram necessárias algumas boas instituições básicas. “Segurança da propriedade e administração tolerável da justiça”, nas palavras de Smith. 

Caso essas instituições fundamentais fossem corretas, então os proprietários, comerciantes e fabricantes investiriam e prosperariam. Ao investir e prosperar, aumentariam o estoque de capital: “Em todos os países onde há uma segurança (da propriedade) tolerável, cada homem com entendimento comum se esforçará para empregar qualquer estoque (de capital) que puder controlar, para buscar seja a satisfação presente ou o lucro futuro (…) Um homem teria de ser um perfeito louco para, onde haja segurança tolerável, não empregar todo o estoque que controla, seja próprio ou emprestado de outras pessoas (…)”. 

Um estoque de capital maior significa mercados mais densos, uma divisão de trabalho mais adequada e uma economia mais produtiva. Uma sociedade altamente produtiva, baseada em uma divisão de trabalho refinada é a forma de assegurar “a riqueza das nações”. 

Inverta o processo e você terá a pobreza das nações, que Smith acreditava ver na Ásia de sua época. Para Smith e seus sucessores nos primeiros 175 anos, qualquer episódio de crescimento econômico sustentado precisava predominantemente de capital de investimento. Nós, economistas, éramos de modo geral seguidores do capital e nossa fórmula mágica para o desenvolvimento econômico era economizar, investir, poupar e acumular riqueza. A última e mais completa expressão dessa linha de pensamento chegou no fim dos anos 50, com o livro “As Etapas do Crescimento Econômico”, de W. W. Rostow. 

Então, Robert Solow e Moses Abramovitz desafiaram esse quase consenso. Calcularam que entre 75% e 80% do crescimento econômico não vinha do aumento da taxa capital/produção – não, pelo menos, se o produto marginal privado do capital fosse tomado como indicador do produto marginal social. Em vez disso, as chaves para o crescimento e desenvolvimento pareciam estar além do aumento na intensidade de capital, como mensurado pelas taxas de capital/produção: habilidade; educação; tecnologia, em sua definição mais geral; e aperfeiçoamento da administração organizacional.  Leia o resto do artigo »

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A falência das metas de inflação

Postado em 9 dEurope/London junho dEurope/London 2008

No artigo publicado no O Globo, Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia faz uma interessante observação sobre o regime de metas de inflação e afirma que os bancos centrais seguem manias e modismos, como foi o caso dos anos 80 com o monetarismo.

 Stiglitz ressalta a importância dos países não implementarem esse  regime de metas de inflação – quando os preços aumentam acima de determinado patamar deve-se elevar os juros. Pois países em desenvolvimento enfrentam taxas mais altas de inflação, e não é por causa de problemas na política macroeconômica, mas porque os preços da energia e dos alimentos estão em alta. Afirma também que a inflação nesses países é, na maior parte, importada. 

 E ao finalizar o texto, Joseph E. Stiglitz diz que aumentar a taxa de juros pode diminuir a demanda e com isso frear a economia e amenizar a elevação dos preços, portanto se isso for feito de forma inadequada essas medidas não acabam com a inflação. Mas sim, tornará mais penoso o desafio de sobreviver nessas condições   

*Por Katia Alves

Publicado originalmente no O Globo  

 Por Joseph E. Stiglitz

 Os bancos centrais formam um fechado clube, dado a manias e modismos. No início dos anos 80 sucumbiram ao encanto do monetarismo, teoria econômica simplista de Milton Friedman. Depois que o monetarismo caiu em descrédito – com elevado custo para os países que o adotaram – começou a busca de um novo mantra.

A resposta veio na forma do regime de metas de inflação, segundo o qual sempre que os preços sobem acima de determinado nível os juros devem ser elevados. A receita se baseia em rala teoria econômica ou evidência empírica; não há razão para esperar que, qualquer que seja a fonte de inflação, a melhor resposta seja elevar os juros. Espera-se que a maioria dos países tenha o bom senso de não implementar esse regime; minha simpatia vai para os infelizes cidadãos daqueles que já o fizeram. Entre eles Brasil, Israel, República Tcheca, Polônia, Chile, Colômbia, África do Sul, Tailândia, Coréia do Sul, México, Hungria, Peru, Filipinas, Eslováquia, Indonésia, Romênia, Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido, Suécia, Austrália, Islândia e Noruega.

O regime de metas (inflation targeting) está sendo testado – e quase certamente falhará. Países em desenvolvimento enfrentam taxas mais altas de inflação, não devido a problemas na política macroeconômica, mas porque os preços da energia e dos alimentos estão em alta, e estes itens pesam muito mais no orçamento doméstico do que nos países ricos. Na China, a inflação se aproxima dos 8% ao ano. No Vietnã, deverá chegar a 18,2% este ano, e na Índia está em 5,8%. Em contraste, a inflação nos EUA se mantém em 3%. Isto quer dizer que esses países em desenvolvimento deveriam subir suas taxas de juro muito mais do que os EUA? Leia o resto do artigo »

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Educação e Desenvolvimento

Postado em 9 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Por: Maria de Fátima de Oliveira*

Vivemos numa época de transformações sociais profundas. Valores novos substituem antigos paradigmas. Novas tecnologias traçam caminhos antes impensados. E até recursos considerados básicos para o progresso de povos e nações cedem lugar a outros, que na visão anterior eram deixados de lado, não apenas como secundários, mas até, em alguns casos, como dispensáveis.

Vejamos, por exemplo, o caso da educação no Brasil. Durante todo o período colonial, ela foi sistematicamente deixada de lado, porque não era um instrumento útil na extração de matérias-primas. E mais ainda, porque poderia tornar-se um fator de instabilidade social, gerando reivindicações inadequadas da mão-de-obra alfabetizada. A educação básica só veio a interessar o governo durante o segundo império, e essa defasagem de séculos gerou um desequilíbrio que ainda hoje emperra o desenvolvimento harmonioso do país, criando legiões de analfabetos reais ou funcionais, incapazes de desempenhar tarefas que exigem um grau mínimo de especialização. E tornando-se, em conseqüência, um dos fatores da enorme desigualdade social que, ainda hoje, condena uma legião de brasileiros a situações de pobreza extrema, sem condições dignas de alimentação, trabalho e moradia. E até pouco tempo atrás, era voz corrente que o Brasil, pela sua extensão territorial e a variedade de seus recursos naturais, poderia desenvolver-se rapidamente apenas com o aumento de recursos financeiros, fossem eles nacionais, ou de origem externa.

Hoje, porém, verifica-se que países detentores de recursos naturais bem mais reduzidos, como é o caso da Finlândia, ou dos chamados tigres asiáticos, atingiram níveis espetaculares de desenvolvimento econômico e social por terem concentrado seu esforço nos investimentos em educação, com ênfase na educação básica. E o Brasil, felizmente, está acordando para essa realidade, embora num ritmo ainda lento. Leia o resto do artigo »

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Ciro Gomes X Economista Neoliberal Constantino

Postado em 7 dEurope/London junho dEurope/London 2008

PARA VER SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA CLIQUE AQUI

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