Postado em 31 dEurope/London março dEurope/London 2009
Por Nouriel Roubini
Um jornalista entrou em contato comigo com a seguinte pergunta: “Sou repórter e escrevo uma matéria sobre a vida de Bernard Madoff, depois de ter se confessado culpado. Gostaria de saber se você poderia avaliar qual significado ele terá na história. Ele representará mais do que um velhaco que roubou muito dinheiro dos clientes? Como Bernie Ebbers e Ken Lay foram os símbolos de fraude e avareza, o que Madoff vai representar?”
Minha resposta detalhada a seguir.
Os americanos viveram por uma década ou mais em um mercado escapista, com base na bolha Ponzi. Madoff é o espelho da economia dos Estados Unidos e de seus agentes superalavancados. Somos um castelo de cartas de alavancagem sobre alavancagem dos mutuários, de empresas financeiras e de corporações, que hoje quebram.
A relação entre a dívida e a renda dos mutuários saltou de 65% há quinze anos para 100%, em 2000, e 135% hoje. Todos jogaram o esquema Ponzi. A relação da dívida total, de mutuários, empresas financeiras e corporações, é agora de 350%. Os preços dos imóveis caíram 20% e recuarão outros 20%, antes que atinjam o fundo do poço, e as ações despencaram mais de 50% (e devem cair mais). Não funciona mais usar os imóveis como caixas eletrônicos para financiar o consumo Ponzi. A festa acabou para mutuários, bancos e corporações altamente alavancados.
O estouro da bolha imobiliária, acionária, dos fundos hedge e das operações de private equity mostrou que muito da “riqueza” que sustentou a maciça alavancagem e os supergastos dos agentes era falso. É cristalino que o rei está nu e nós somos o imperador sem roupas. A onda da bolha escondia o fato de que os americanos e seus bancos estavam nadando nus. O estouro apenas revelou o fato, com a maré baixa.
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Postado em 30 dEurope/London março dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
O Globo descobriu o óbvio: que o modelo econômico implantado por Fernando Henrique Cardoso e continuado por Lula matou a maior chance de crescimento da história.A matéria “Brasil perde a dianteira”, mostra os efeitos de 15 anos de semi-estagnação econômica.
Nem parece ser o jornal que propagou o discurso de que a melhor coisa do governo Lula foi a herança bendita do Banco Central de FHC. Nesses anos todos, seus colunistas esmeraram-se em defender a tal fórmula da “lição de casa” para crescer, cortes em gastos sociais, equilíbrio orçamento (por si), todas as benesses para o grande capital, que o desenvolvimento viria por si só.
Agora, o raio-x do fracasso desse modelo vem do estudo é de Reinaldo Gonçalves, da UFRJ. Mostra que de 1995 a 2008, a relação de renda per capita entre Brasil e América Latina caiu de 1,02 para 0,95. Os economistas que prepararam o trabalho atribuíram aos juros altos, à desvalorização cambial e à falta de um projeto de desenvolvimento.
Com isso, O Globo consegue, pela primeira vez, identificar um dos pontos de vulnerabilidade do governo Lula: a falta de um projeto de desenvolvimento. Se esquecer tudo o que o Jabor, a Mirian, o Merval, o Kamel e os editoriais escreveram ao longo dos últimos 15 anos, até daria para transformar a descoberta em uma bandeira eficiente de oposição. Leia o resto do artigo »
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Postado em 28 dEurope/London março dEurope/London 2009
Por Cesar Benjamin
Fonte: Folha de S.Paulo, 21.3.2009.
QUANTO MAIS volátil se torna a riqueza, mais ela necessita de uma retaguarda segura. A especulação não poderia ter ido tão longe se o sistema internacional não contasse com o lastro dos títulos do Tesouro americano. Por outro lado, esses títulos não seriam tão importantes se as demais expressões da riqueza não tivessem assumido formas tão inseguras. Denominados em dólar, eles garantem o papel especial da moeda americana no mundo, como moeda de reserva. Assim, globalização financeira e hegemonia dos Estados Unidos tornaram-se faces de um mesmo processo, combinando, como sempre, riqueza e poder.
Mas a financeirização promoveu transformações estruturais na própria economia americana, crescentemente dominada por um novo tipo de gestão de negócios, a gestão de ativos líquidos. Movimentando-se com desenvoltura no espaço dos mercados de capitais, manejando portfólios muito diversificados, os gestores dessas grandes massas de recursos alteraram o modo como a economia funciona, capturando e abandonando empresas, sucessivamente, conforme as expectativas de rentabilidade no curto prazo. O impacto disso sobre a crise atual é tremendo.
Os acionistas controladores -frequentemente detendo uma quantidade ínfima de ações, por causa da pulverização- deixaram de ter vínculos de longo prazo com as empresas que controlavam, introduzindo óbvias deformações nos processos decisórios. As empresas passaram a ter estruturas de comando sempre transitórias, submetidas à tirania dos balanços trimestrais. Projetos de longa maturação passaram a ser sistematicamente adiados.
O conceito de eficiência desvinculou-se de qualquer visão sistêmica e passou a se confundir com os benefícios que essa forma de gestão trazia para os próprios gestores, cuja remuneração era definida pelo preço das ações negociadas em Bolsa. Esse pífio indicador foi transformado em fetiche. Leia o resto do artigo »
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Postado em 28 dEurope/London março dEurope/London 2009
Por Marcio Pochmann
Fonte: Valor Econômico, 19.3.2009
As consequências sociais decorrentes da presente crise difundem-se rapidamente, tendo o desemprego e a precarização dos postos de trabalho a maior centralidade na organização do bem-estar humano. Sem trabalho, os indicadores sociais tendem a se degradar pronunciadamente.
Na Depressão de 1929, quando o nível de ocupação atingiu patamares reduzidos jamais vistos, o enfrentamento do desemprego não se deu exclusivamente pela porta da geração de novos postos de trabalho. Não há dúvidas que somente a retomada sustentada da economia terminou por abrir condições adequadas de elevação do nível de ocupação, mas isso se deu no longo prazo, a partir da superação das causas que haviam levado à grande crise dos anos 1930.
Por conta disso, parcela importante das ações de enfrentamento do desemprego ocorreu para além da demanda econômica de absorção de trabalhadores. Ou seja, a redução do desemprego transcorreu sobre a determinação da oferta de mão-de-obra, com intuito de reduzi-la em função da crescente ociosidade da força de trabalho. Assim, por exemplo, ganhou maior importância o conjunto de ações voltadas tanto para a postergação do ingresso como a antecipação da saída do mercado de trabalho.
Ao invés da entrada no mercado de trabalho a partir dos 5 ou 6 anos de idade, conforme experiência anterior da sociedade agrária, houve a postergação para os 15 anos, após passagem pelo ensino básico. Ou seja, a educação passou a antecipar qualquer experiência laboral, da mesma forma que depois da conclusão de um determinado tempo de trabalho regular (geralmente 30 anos para mulher ou 35 anos para o homem), foi definida a saída do mercado de trabalho para a inatividade financiada por fundos públicos.
Nesses termos, a superação da crise do desemprego da década de 30 implicou uma nova combinação da jornada de trabalho com o tempo de vida. A jornada do trabalho pela sobrevivência, que representava 4/5 do tempo de vida do ser humano antes da Depressão de 1920, passou para não mais do que 2/5 em função da postergação do ingresso e da antecipação da saída do mercado de trabalho. Na ausência de trabalho para todos, foram sendo constituídas as condições políticas necessárias para a acomodação da oferta de mão-de-obra com garantia de renda à quantidade e qualidade da demanda econômica de trabalhadores. Leia o resto do artigo »
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Postado em 27 dEurope/London março dEurope/London 2009
By PAUL KRUGMAN
(…) it has become increasingly clear over the past few days that top officials in the Obama administration are still in the grip of the market mystique. They still believe in the magic of the financial marketplace and in the prowess of the wizards who perform that magic.
The market mystique didn’t always rule financial policy. America emerged from the Great Depression with a tightly regulated banking system, which made finance a staid, even boring business. Banks attracted depositors by providing convenient branch locations and maybe a free toaster or two; they used the money thus attracted to make loans, and that was that.
Underlying the glamorous new world of finance was the process of securitization. Loans no longer stayed with the lender. Instead, they were sold on to others, who sliced, diced and puréed individual debts to synthesize new assets. Subprime mortgages, credit card debts, car loans – all went into the financial system’s juicer. Out the other end, supposedly, came sweet-tasting AAA investments. And financial wizards were lavishly rewarded for overseeing the process.
But the wizards were frauds, whether they knew it or not, and their magic turned out to be no more than a collection of cheap stage tricks. Above all, the key promise of securitization – that it would make the financial system more robust by spreading risk more widely – turned out to be a lie. Banks used securitization to increase their risk, not reduce it, and in the process they made the economy more, not less, vulnerable to financial disruption.
Much discussion of the toxic-asset plan has focused on the details and the arithmetic, and rightly so. Beyond that, however, what’s striking is the vision expressed both in the content of the financial plan and in statements by administration officials. In essence, the administration seems to believe that once investors calm down, securitization – and the business of finance – can resume where it left off a year or two ago.
As you can guess, I don’t share that vision. I don’t think this is just a financial panic; I believe that it represents the failure of a whole model of banking, of an overgrown financial sector that did more harm than good. I don’t think the Obama administration can bring securitization back to life, and I don’t believe it should try.
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Postado em 26 dEurope/London março dEurope/London 2009
by Robert Shilller
A critical aspect of animal spirits is trust, an emotional state that dismisses doubts about others. In talking about animal spirits, Keynes sought to convey the message that swings in confidence are not always logical. The business cycle is in good part driven by animal spirits. There are good times when people have substantial trust and associated feelings that contribute to an environment of confidence. They make decisions spontaneously. They believe instinctively that they will be successful, and they suspend their suspicions. As long as large groups of people remain trusting, peoples somewhat rash, impulsive decision-making is not discovered. Unfortunately, we have just passed through a period in which confidence was blind. It was not based on rational evidence.
The more complex the transaction the more trust is needed to sustain the transaction. So what must we do to revive our animal spirits and economic growth? The Treasury and the Federal Reserve not only need a fiscal target, they also need a credit target. The banks, whose managers are suffering from the same flagging animal spirits as the rest of the economy, will not expand their credit much just because they are more solvent.
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Robert Shiller is professor of economics at Yale University. His new book, with George Akerlof, “Animal Spirits: How Human Psychology Drives the Economy and Why It Matters for Global Capitalism”, is published by Princeton.
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Postado em 26 dEurope/London março dEurope/London 2009
by Paul Davidson, Editor of the Journal of Post Keynesian Economics
The last line of the original manuscript of my book JOHN MAYNARD KEYNES [Palgrave , London and New York 2007] was written in July 2006. In that line I noted that when, not if, the next Great Depression hits the global economy Keynes’s General Theory analysis will be rediscovered by economists. As this is being written in October 2008 it appears that this time has come.
WHAT CAUSED THE ECONOMIC AND FINANCIAL CRISIS OF 2008?
The Winter of 2007-2008 will prove to be the winter of discontent and the beginning of the end in the classical theory of the efficiency of global financial markets. For more than three decades mainstream economists had preached, and politicians had swallowed, the myth of the efficiency of such free markets.
Those who do not study the lessons of history are bound to repeat its errors. Economists forgot the events of the Great Depression and the collapse of unfettered financial markets that followed the “Roaring Twenties” prosperity. For history has repeated itself with the growth of deregulated markets and the prosperity of the 1990s ending up in 2008 with the Greatest Recession since the Great Depression.
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Postado em 26 dEurope/London março dEurope/London 2009
O Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento organizou dias 6 e 7 de Novembro de 2008 na sua sede no edifício do BNDES, Rio de Janeiro, o Simpósio Internacional Perspectivas do Desenvolvimento para o Século XXI com a participação de alguns dos mais eminentes acadêmicos e economistas na área de desenvolvimento econômico.
Originários de diferentes regiões do globo – Índia, Rússia, China, Europa, América do Norte e do Sul – os participantes confrontaram diferentes pontos de vista sobre o desenvolvimento, num mundo onde as fronteiras entre centro e periferia perdem relevância.
Leia os textos do Simpósio internacional de 2008…
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