Postado em 31 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O medíocre desempenho econômico da União Européia tem preocupado os franceses nos últimos tempos. Para reverter tal cenário, o premier francês François Fillon, membro da conservadora UMP, que é o partido do presidente Nicolas Sarkozy, anunciou mudanças na orientação da política econômica francesa, que têm como principal ponto a busca do pleno emprego.
Ao diário conservador Le Figaro (clique aqui para ler a reportagem), o premier concedeu a seguinte declaração (a tradução é livre): “Com o pleno emprego, podemos reduzir a pobreza, tornar o mercado de trabalho mais competitivo e, como conseqüência, cria-se uma pressão para o aumento dos salários”.
Não custa repetir. Esta declaração foi dada por um político CONSERVADOR. Quando o mesmo problema ocorre em terras tropicais, a entourage reacionária despeja o arsenal ortodoxo, impondo-nos uma agenda recessiva com aumento na taxa de juros, cortes brutais nas despesas do governo e etc. Esta é mais uma demonstração do extremo conservadorismo da direita brasileira. No Brasil, não se sabe ao certo quem está pior: a direita ou esquerda.
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Postado em 28 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O diário francês Le Monde destaca uma reportagem que trata do enfraquecimento da moeda reserva de valor do sistema capitalista: o dólar (clique aqui para ler a reportagem). A moeda norte-americana atingiu o seu nível mais baixo, em relação a outras divisas, nos últimos 35 anos. O jornal parisiense destaca a opinião de muitos economistas segundo os quais não se poderá restabelecer a plena confiança na moeda ianque.
Como diria o velho filósofo alemão, a História se repete como farsa. Esta não é a primeira vez que a moeda reserva de valor é questionada pelo mercado financeiro. Na década de 1970, com a crise do petróleo, o colapso do regime de Bretton Woods e a criação dos euromercados, muitos apostavam na derrocada do dólar.
Entretanto, o então presidente do Federal Reserve Bank (o Banco Central dos EUA), Paul Volcker, aumentou repentinamente a taxa básica de juros norte-americana. O dólar valorizou-se rapidamente, os fluxos de capitais fluíram em direção aos títulos de dívida do Tesouro americano e os países periféricos, já endividados, ficaram a ver navios, sem fluxos de dólar e sem liquidez internacional. O resultado foi a quebradeira geral da década de 1980, com moratória e superinflação.
Portanto, não há porque crer que o FED vá abrir mão da diplomacia do dólar forte, se necessário. O mundo de hoje é certamente diferente de outrora. Os mercados financeiros estão liberalizados, os regimes cambiais são flutuantes, a formidável expansão do mercado de derivativos e de sofisticados produtos financeiros torna mais difícil a supervisão da atividade financeira e o grau de alavancagem das operações aumentou significativamente, o que resultou numa correlação de forças entre Estado e mercado que pende mais para o segundo lado.
Não obstante, o governo norte-americano sabe o que representa ser o emissor da moeda reserva de valor do sistema. Mais do que importante economicamente, tal trunfo representa uma arma política. Se, por um lado, é sabido que as condições de intervenção são mais difíceis nos dias de hoje, por outro lado, não se pode subestimar a capacidade de autodefesa da maior potência global. Afinal, dinheiro é poder e poder é dinheiro.
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Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
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Postado em 25 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O diário francês Le Figaro publica matéria, nesta semana, em que discute as previsões da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico no que diz respeito a indicadores econômicos europeus (clique aqui para ler a reportagem).
Segundo a OCDE, a crise norte-americana já atingiu a Europa e a restrição ao crédito é nítida. Entretanto, as previsões de crescimento para a zona do euro são melhores do que para os EUA em 2008. Para a Organização, a crise engendra uma desconfiança generalizada no mercado. Como conseqüência, a aversão ao risco sobre e o preço dos financiamentos, isto é, as taxas de juros, se elevam.
As previsões não catastróficas da OCDE devem-se, sobretudo, ao formidável desempenho das exportações alemãs, que devem permitir um crescimento de 1,9% ao ano na zona do euro, em detrimento da previsão para os EUA (1,4%). Ainda segundo a OCDE, a sobrevalorização do euro tem um efeito positivo, ao diminuir o custo energético, o que impulsiona o crescimento e ajuda na manutenção de taxas de inflação de longo prazo a níveis baixos.
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Postado em 21 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes * – Paris
O diário francês Le Monde destaca esta semana (Clique Aqui para ler) uma reportagem que discute a controvérsia sobre os possíveis remédios para solucionar a crise financeira que se iniciou no mercado de crédito imobiliário norte-americano e que se alastra pelo mundo. Parece que mesmo os diários mais conservadores estão revendo suas posições liberais.
Além disso, muitos economistas têm feito coro ao dizer que a crise não pode se resolver por si mesma. Até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) avalizou a intervenção do Estado com vistas a evitar um colapso da economia mundial. Se por um lado os europeus, especialmente os alemães, têm ojeriza à inflação, por outro, os mesmos não esquecem os nefastos efeitos da quebra do seu sistema bancário no fim da década de 1920.
Portanto, a história se repete como farsa. Na época de bonança, os arautos do liberalismo e da ausência de Estado vociferam as possíveis benesses da não-intervenção. Já quando o cerco fecha, o Estado e a autoridade monetária são chamados ao jogo, como interventores e emprestadores de última instância, para salvar a quebradeira financeira.
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* Leonardo Nunes: Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
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Postado em 19 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris - O ex-governador e virtual candidato à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao ser questionado sobre uma possível aliança entre o PSDB e o DEM, afirmou não entender como um candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas – no caso o próprio – deveria ceder o lugar a outro que se encontra em terceiro lugar, referindo-se ao atual prefeito Gilberto Kassab.
Tal afirmação soa como anedota, partindo de quem parte. Para quem não se lembra, Alckmin ocupava a terceira colocação nas pesquisas de intenções de votos para a presidência da República em 2006. Já o atual governador de São Paulo José Serra ocupava a dianteira, na frente do próprio presidente Lula.
Parece que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem feito escola. Na prática política tucana, cada peso vale para cada medida. Esta disputa certamente é um preâmbulo de 2010 e, por esta razão, ainda vai dar pano para manga.
Leonardo Nunes: Economista pela USP, mestre em economia pela UNICAMP e doutorando em economia em Paris. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
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Postado em 18 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do EquadorParis – A Bovespa fechou em forte queda no dia de hoje, registrando uma perda de 3.05%. O principal motivo foi a onda de falências de diversas instituições financeiras norte-americanas, que foram protagonistas da crise de crédito do mercado imobiliário.
Como já argumentamos em artigos anteriores, a crise americana pode ter impactos significativos em países periféricos com a conta financeira liberalizada. Ao não defender nem o patamar e nem a volatilidade da taxa de câmbio, a autoridade monetária coloca em risco a competitividade das exportações e a estabilidade do sistema financeiro num momento de reversão do ciclo.
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Postado em 13 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – A Ata do COPOM (Comitê de Política Monetária), responsável por fixar a taxa básica de juros da economia brasileira, revelou que a autoridade monetária considerou seriamente a hipótese de elevação da Selic, que hoje é 11,25%, na última reunião do Comitê.
A razão alegada seria um descompasso entre a oferta e a demanda agregada. Entretanto, sabemos que O Banco Central utiliza as altas taxas de juros para estimular o ingresso de fluxos de capitais, com o objetivo de apreciar a taxa de câmbio. O câmbio apreciado ajuda a colocar a inflação na meta, pois o passthrough (quanto a variação da taxa de câmbio afeta a taxa de inflação) é o principal mecanismo de contaminação da inflação brasileira.
Portanto, caímos numa armadilha que resulta em taxas de juros e de câmbio fora do lugar. Como conseqüência, crescemos menos do que podemos, criamos sérios empecilhos à competitividade externa e colocamos em risco a estabilidade financeira.
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Postado em 12 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – Após alguma reflexão, concluí que, em matéria de política cambial, o governo Lula escreve errado por linhas tortas. Como observamos ao longo dos últimos anos, a nossa moeda se apreciou muito mais do que a maior parte das moedas relevantes do planeta em relação ao dólar.
Tal fato é resultante, por um lado, da melhora nos “fundamentos” da economia, isto é, no saldo de transações correntes e da conta capital e financeira e no significativo acúmulo de reservas pelo Banco Central do Brasil. Mas por outro lado, a apreciação do Real tem um componente especulativo. A melhora nos chamados “fundamentos” ocasionou a queda do risco-país, que não foi acompanhado por uma política de redução de taxa de juros, pois a autoridade monetária, que sofre de surtos obsessivos inflacionários, preferiu utilizar a expressiva apreciação cambial para controlar a inflação.
O aumento sem precedentes deste diferencial entre os juros internos e externos estimulou sobremaneira o ingresso de capitais para realização de operações de arbitragem e especulação no mercado de derivativos de câmbio. Este componente especulativo apreciou nossa taxa de câmbio, aumentou sua volatilidade e pode ter efeitos nefastos sobre a competitividade das exportações e sobre a estabilidade financeira, num momento de reverso do ciclo.
Portanto, a autoridade monetária, ao invés de se utilizar da intervenção no mercado de câmbio para conter tal apreciação, prefere adotar medidas que aprofundam a liberalização financeira e instabilizam ainda mais a taxa de câmbio. Ao acabar com a cobertura cambial, que significa a necessidade de internalização dos recursos oriundos da exportação, o governo diminui a pressão sobre o dólar, mas ao fazer isso, transforma um fluxo comercial, potencialmente mais estável e previsível, num fluxo financeiro, segundo o qual o comportamento dos agentes (exportadores) passa a se balizar por variáveis como diferencial de juros e expectativa da taxa de câmbio futura. Por fim, tal medida apenas implica em maiores danos à estabilidade da taxa de câmbio, com as más conseqüências já apontadas.
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