Postado em 23 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris - O diário francês Le Monde publica, na sua versão eletrônica (clique aqui para ler mais), uma reportagem em que discute o papel do Banco Central Europeu (BCE). Segundo o diário, o BCE tem exagerado na mão no que concerne à política monetária.
Não satisfeitos com a restritiva política monetária, que valoriza o euro e compromete a competitividade das exportações dos países da zona do euro, há economistas que defendem um aperto ainda maior na política de juros com vistas a conter a crise econômica mundial. Como se vê, o surto obsessivo inflacionário não atinge apenas nossa autoridade monetária.
Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
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Postado em 22 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O presidente francês Nicolas Sarkozy detém, no primeiro ano de mandato, o maior índice de desaprovação da história da V República. Além disso, a direita francesa sofreu uma estrondosa derrota nas últimas eleições municipais. Mesmo assim, Sarkozy fará um discurso televisionado nesta semana, em que reforçará sua intenção de realizar reformas liberalizantes na economia.
A esquerda francesa, por sua vez, não tem aproveitado o momento de fraqueza da UMP (Union pour um Mouvement Populaire) para reforçar suas posições progressistas. Ao contrário, o PS (Parti Socialiste) prende-se a disputas internas. Neste meio tempo, no Élysée a ordem é avançar nas reformas.
Mesmo sem a adequada estruturação da esquerda, nota-se um significativo desgaste da direita e de suas propostas entre os franceses. O descontentamento atinge estudantes, sindicalistas, professores, dentre outros. Portanto, este seria o momento ideal para que a esquerda francesa começasse uma articulação consistente para a retomada do poder em 2012. Entretanto, muitas vezes o maior obstáculo para a esquerda é a própria esquerda.
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Postado em 18 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris
Brasil
O Movimento dos Sem Terra (MST) promoveu uma semana de manifestações de protesto por todo país para lembrar os 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. O MST também cobra as promessas não cumpridas pelo governo no que concerne à reforma agrária. As ações são positivas na medida em que trazem à tona a necessidade de uma reforma agrária como condição sine qua non para qualquer projeto de desenvolvimento.
Economia
No campo econômico, o fato mais relevante foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,5%. A autoridade monetária argumenta que há pressões de demanda (?) que justificariam tal medida. De fato, o monolistismo do Banco Central nos leva sempre a soluções recessivas. Como resultado disto, o Real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar no mundo. Bom para os rentistas, ruim para o resto do país.
Internacional
A descoberta de um novo mega-campo de petróleo no Brasil foi destaque na imprensa internacional, especialmente na Europa. Apesar de a imprensa internacional tratar o Brasil como uma potência do petróleo, o melhor é aguardar. Se os campos tiverem viabilidade, teremos uma arma que poderá ser usada a favor ou contra nós.
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O diário francês Le Monde destaca, na primeira página de seu sítio na internet, a declaração feita pelo presidente Lula de que os biocombustíveis não são os vilões do aumento substancial no preço dos alimentos (clique aqui para ler a matéria).
Segundo Lula, não há nenhuma relação direta entre a produção de biocombustíveis e a crise do preço dos alimentos. Talvez o presidente desconheça o problema de escassez de terras. Além de impactar no preço dos alimentos, o projeto dos biocombustíveis reproduz a lógica do latifúndio, inimiga do desenvolvimento nacional, e da precarização das condições de trabalho. Ah, se Celso Furtado estivesse vivo….
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Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – A empresa de classificação de risco Standard & Poor’s ameaça rebaixar a nota dos títulos de dívida pública do Tesouro norte-americano, sob o pretexto de um sobre-endividamento dos EUA. A ameaça, assim como seu pretexto, parece um tanto quanto inusitada, considerando o funcionamento do capitalismo e o papel diferenciado de sua maior potência.
O dinheiro exerce um papel central numa economia monetária. Este símbolo deve possuir os atributos de (i) meio de pagamento, (ii) unidade de conta na denominação de contratos e operações comerciais e/ou financeiras e (iii) reserva de valor, isto é, deve principalmente servir como instrumento de validação da riqueza geral produzida.
Na economia capitalista contemporânea, este papel é desempenhado pelo dólar, emitido pelo governo dos EUA. Tal privilégio faz com que o governo norte-americano tenha o poder de emitir títulos de dívida ilimitadamente, desde que as convenções corroborem o papel da moeda verde. Desta forma, enquanto o dólar ocupar a especial função de dinheiro do sistema, não faz sentido falar em sobre-endividamento, na medida em que o limite de endividamento é colocado pela vontade da autoridade monetária ianque.
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Postado em 15 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – A ministra da Economia da França, Christine Lagarde, concedeu uma entrevista ao diário francês Le Figaro, publicada na edição de hoje (clique aqui para ler a entrevista). Lagarde ressalta a necessidade de uma intervenção coordenada dos países membros do G7 com vistas a minimizar os impactos da crise econômica iniciada no mercado imobiliário subprime dos EUA.
A ministra também destaca a importância no que se refere à criação de regras de governança e transparência nas transações financeiras e no balanço das instituições financeiras. Entretanto, Lagarde não considera o fato de que a crise é um produto inevitável do capitalismo.
Mais do que isso. Na etapa da globalização financeira, das finanças desregulamentadas, em que imperam os regimes de câmbio flexível, a livre mobilidade dos fluxos de capitais e o desenvolvimento de sofisticados produtos derivativos, que potencializam sobremaneira a capacidade de alavancagem financeira dos agentes, a crise torna-se ainda mais presente e suas conseqüências mais cruéis. Basta olhar a História recente (clique aqui para ler mais sobre esta discussão).
Portanto, talvez seja a hora de repensar o arranjo monetário internacional. A adoção de medidas como regimes cambiais administrados, restrições aos fluxos de capitais de curto prazo, limitação na criação e disseminação de produtos derivativos, poderiam trazer mais estabilidade ao sistema financeiro, privilegiando a “economia real” e aumentando as taxas de crescimento e de emprego das economias.
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Postado em 14 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – Os principais diários europeus destacam a possibilidade concreta de uma crise alimentar planetária, que pode colocar cerca 100 milhões de pessoas na miséria. O aumento significativo dos preços dos itens alimentícios tem preocupado até as organizações multilaterais. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, fez um apelo para que os governos intervenham de forma a evitar a escalada dos preços dos alimentos.
O Banco Mundial estima que o preço dos alimentos tenha aumentado em 83% nos três últimos anos. Só o trigo aumentou 181% no mesmo período. De fato, uma crise de tal magnitude pode, e deve, agravar as tensões sociais. O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alerta para o fato de que tais crises inevitavelmente terminam em guerras.
A crise alimentar pode ter três causas. A primeira delas pode ser o aumento considerável da população mundial. A segunda causa seria o fato de que o aumento da produtividade agrícola não se daria de forma satisfatória. Quanto a estes dois pontos, não há muito a fazer no curto prazo. Por fim, a escassez de alimentos está associada ao uso da terra. Um mundo com terras concentradas e / ou utilizadas para fins não alimentares é o palco propício para crises deste tipo. Vale uma reflexão para o governo brasileiro no que tange ao projeto do biodiesel, que significa plantar cana para encher tanque de gasolina para a classe média norte-americana e européia.
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Postado em 11 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O Banco Central Europeu decidiu, por unanimidade, manter a taxa de juros básica da União Européia, em reunião realizada nesta quinta-feira em Frankfurt. A taxa de juros está fixada em 4% ao ano.
A justificativa da autoridade monetária é a de que pressões inflacionárias podem comprometer o funcionamento da economia européia. Como conseqüência, o euro atingiu um nível recorde em relação ao dólar. Cada euro chegou a ser negociado por 1,59 dólar.
A decisão do BCE não ajuda os EUA e tampouco indica uma preocupação com a crise econômica mundial. O dólar continua no penhasco, o crescimento econômico segue comprometido, inclusive na zona do euro, mas a autoridade monetária privilegia a inflação. Em breve, a União Européia receberá a amarga fatura.
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