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Blog do Desemprego Zero

Arquivado em 'Política Econômica':

Do Neoliberalismo ao Desenvolvimentismo

Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

João Sicsú

Valor Econômico (01/10/2008)

No início do segundo mandato de FHC, foi estabelecido o tripé: I) política fiscal – realizar superávits primários necessários para reduzir a relação dívida/PIB; II) política monetária – utilizar a taxa de juros como único instrumento de controle da inflação; III) política cambial – estabelecer um regime de câmbio flutuante em que o mercado determinaria a taxa de câmbio e, portanto, o BC não precisaria acumular reservas em grandes volumes. O tripé macroeconômico de FHC era liberal e conservador.

Tal modelo era tratado como solução única, inquestionável. Entretanto, o país e o mundo vivem hoje um momento diferente: a agenda foi desinterditada. Está sob agudo questionamento o modelo liberal que se dizia estar apoiado nas boas práticas internacionais. Quais? Aquelas praticadas pelas autoridades responsáveis pela regulamentação do sistema financeiro americano? Aquelas elogiadas e sugeridas pelo Lehman Brothers, AIG e o Merrill Lynch?  

Os liberais não entregaram o que prometeram. Argumentam que a causa do insucesso foi que o modelo deveria ter sido aplicado em conjunto com reformas estruturais que não foram realizadas – embora isto não seja verdade, porque países como Argentina e Equador realizaram todas as recomendações. Dizem: “No caso dos países latino-americanos faltaram as reformas”. Mas o que dizer da economia americana em crise? Lá o que faltou? Lá se revela o esperado. O capitalismo desregulado é indomável: o mercado financeiro é capaz de cometer suicídio por overdose.   Leia o resto do artigo »

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Algumas coisas que a mídia não diz sobre a crise nos EUA

Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Em um artigo intitulado “Querem nos meter medo”, o cineasta Michael Moore (foto) conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população.

Querem nos meter medo

Carta Maior

Todos diziam que a lei seria aprovada. Os especialistas do universo já estavam fazendo reservas para celebrar nos melhores restaurantes de Manhattan. Os compradores particulares em Dallas e Atlanta foram despachados para fazer as primeiras compras de Natal. Os homens loucos de Chicago e Miami já estavam abrindo as garrafas e brindando entre eles muito antes do café da manhã.

Mas o que não sabiam era que centenas de milhares de estadunidenses tinham acordado pela manhã e decidido que era tempo de se rebelar. Milhares de chamadas telefônicas e correios eletrônicos golpearam o Congresso tão forte como se Marshall Dillon (Comissário Dillon, personagem de uma série de televisão) e Elliot Ness tivessem descido em Washington D.C. para deter os saques e prender os ladrões.

A Corporação do Crime do Século foi detida por 228 votos contra 205. Foi um acontecimento raro e histórico. Ninguém conseguia lembrar de um momento onde uma lei apoiada pelo presidente e pelas lideranças de ambos os partidos fosse derrotada. Isso nunca acontece. Muita gente está se perguntando por que a ala direita do Partido Republicano se uniu à ala esquerda do Partido Democrata para votar contra o roubo. Quarenta por cento dos democratas e dois terços dos republicanos votaram contra a lei.

Eis o que aconteceu: Leia o resto do artigo »

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Governo quer hipotecar o pré-sal?

Postado em 2 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

Dois parágrafos retirados de matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 23/9* (transcrição abaixo), foram interpretados como profundamente ameaçadores pela economista Ceci Juruá e pelo engenheiro Paulo Metri, sobre o futuro do pré-sal e da própria nação brasileira. A Comissão Interministerial que prepara projeto para ser encaminhado ao Congresso Nacional, visando definir as regras para a exploração do petróleo localizado nos campos do pré-sal, sugere a emissão de títulos com lastro nas reservas.

Quais são os complicadores? O argumento para justificar a transformação dessas reservas em títulos e colocá-los à venda é o mesmo de sempre: o governo alega não ter dinheiro. Ficam no ar as perguntas: o governo estaria querendo hipotecar o pré-sal? O valor dos títulos emitidos com lastro nas reservas ficaria ao sabor de mercado? Quem compraria esses títulos?

Sobre a alegada falta de dinheiro, a economista Ceci Juruá constata:

1) Não acredito que a Petrobrás não tenha crédito junto ao sistema bancário nacional e internacional para financiar a exploração do pré-sal; 2)   Não acredito que os fundos de pensão não tenham recursos para comprar debêntures da Petrobrás, com correção monetária e juros garantidos de 6 ou 7% ao ano (juros reais); 3) Não acredito que o BNDES não possa financiar em parte esses investimentos, em vez de financiar multinacionais. Leia o resto do artigo »

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Coisas da Política – Faltam líderes e sobram juízes

Postado em 1 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Publicado em Jornal do Brasil

Por: Mauro Santayana

O New York Times reconheceu, ontem, em editorial, que a crise de nosso tempo é de liderança. A autoridade ética dos homens de Estado é absolutamente necessária, até mesmo nas mais adiantadas democracias, como foi o caso de Atenas no tempo de Péricles. Fundador do estado de bem-estar social, com a política de pleno emprego, na construção do grande templo de Partenon e na reconstrução da cidade, saqueada pelos persas, Péricles era também visto como o primeiro dos cidadãos, tanto na inteligência, quanto na conduta ética. Mas a tentação de expandir o império, que o conduziu à guerra contra Esparta, quando ainda havia espaço para a diplomacia, traria as conseqüências conhecidas. Péricles morreu quando o conflito estava em seu terceiro ano. A partir da derrota, Atenas e a Grécia entrariam em declínio, e os gregos perderiam a soberania sobre seus Estados, até a recuperação republicana do século passado.

Está sendo mais rápida do que se esperava a decadência dos Estados modernos. Churchill, Roosevelt, Tito, Stalin e De Gaulle foram os últimos líderes da grande luta contra o racismo nazista e, cada um a seu modo, defensores da própria concepção de Estado soberano. A partir de então, os Estados Unidos, os grandes beneficiários da vitória, ditariam o comportamento do mundo, de acordo com seus interesses imperiais, consolidados no “complexo industrial militar” denunciado por Eisenhower. Leia o resto do artigo »

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Los problemas de Estados Unidos van más allá de Wall Street

Postado em 1 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

by Martin Feldstein

Texto em inglês

A menos de dos meses de las elecciones presidenciales estadounidenses, gran parte de la atención se centra en el estado de la economía del país y los retos que representará para el próximo presidente.

Nos encontramos en medio de una crisis financiera causada por la grave distorsión de los precios de todo tipo de riesgos y por el colapso de la burbuja inmobiliaria que se desarrolló en la primera mitad de esta década. Lo que comenzó como un problema con las hipotecas basura se ha propagado ahora a la generalidad de las viviendas, así como a otras clases de bienes. El problema de la vivienda está contribuyendo a la crisis financiera, lo que a su vez está reduciendo la disponibilidad de crédito necesario para sostener la actividad económica.

De hecho, la crisis financiera se ha agravado en las últimas semanas, lo que se refleja en la intervención por parte de la Reserva Federal de EE.UU. de las cuasi-estatales entidades de crédito Fannie Mae y Freddie Mac -que pueden costarle a los contribuyentes estadounidenses cientos de miles de millones de dólares-, así como la bancarrota de Lehman Brothers y la venta de Merrill Lynch. En último término, estos fracasos financieros reflejan la espiral descendente de los precios de las viviendas y el creciente número de casas con un valor patrimonial negativo, es decir, con una importante deuda hipotecaria por sobre los valores de mercado.

El valor patrimonial negativo es importante porque, por lo general, las hipotecas en los Estados Unidos son préstamos “sin recurso”. Si un propietario deja de pagar, los acreedores pueden embargar la casa, pero no pueden embargar otras propiedades ni ingresos para pagar un saldo negativo. Incluso en los estados en que las hipotecas no son préstamos “sin recurso”, por lo general los acreedores no apuntan a los bienes o los ingresos de las personas que no siguen pagando.

No podemos estar seguros de cuánto más caerán los precios. Los expertos señalan que se necesita otro 15% para volver al camino previo a la burbuja, pero no hay nada que detenga esta baja una vez que llegue a ese punto. La creciente brecha entre las deudas hipotecarias y los precios de las viviendas seguirá aumentando el índice de deuda impaga. Muchos propietarios que pueden pagar las mensualidades de su hipoteca preferirán caer en impago, vivir de alquiler y esperar a comprar nuevamente cuando que los precios hayan bajado todavía más. Leia o resto do artigo »

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As razões da oposição ao Plano Paulson

Postado em 1 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Proposta do Secretário do Tesouro dos EUA, Hank Paulson, desperta forte reação na sociedade ao propor o resgate dos banqueiros ricos e não dos devedores pobres. Entre os que se opõem a proposta estão nomes como George Soros, Paul Krugman e Michael Moore. Segundo Moore, republicanos estão usando seus velhos truques de provocar medo e confusão “para continuar eles mesmos e o 1% da classe alta, obscenamente ricos”.

Por Oscar Ugarteche

Fonte: Carta Maior

A manhã do dia 29 de setembro de 2008 foi marcada pelo debate no Congresso dos Estados Unidos sobre a proposta elaborada pelo Secretário do Tesouro, Hank Paulson, para comprar ativos dos bancos de investimentos. Essa iniciativa, encontrou forte reação na sociedade que a recebeu como um resgate dos banqueiros ricos e não dos devedores pobres, e gerou também uma polêmica internacional. Diferentes vozes, como a do investidor George Soros, o professor Paul Krugman e o cineasta Michael Moore, entre outros, expressaram sua reprovação à idéia. Uma lista de professores norte-americanos assinou uma carta onde, em essência, criticam o conceito de resgate bancário, considerando-o como um subsídio aos investidores pago pelos contribuintes. Os investidores que assumiram os ricos também devem pagar as perdas, diz a carta.

Nem todas as quebras, acrescenta o documento, envolvem riscos sistêmicos. Assim, nem a missão da nova agência que seria criada com os 700 bilhões de dólares de ajuda, nem o seu âmbito estariam claros. Se os contribuintes devem ser obrigados a comprar ativos suspeitos e opacos de vendedores preocupados, as condições, ocasiões e métodos de tais comprar deveriam ser claros e as operações de compra submetidas a uma supervisão. Essas condições não faziam parte do plano. A carta dos acadêmicos termina dizendo que se o plano for aprovado tal como formulado, trará efeitos para uma geração de norte-americanos. “Com todos seus problemas recentes, os mercados de capital privado são dinâmicos e inovadores e trouxeram uma prosperidade ímpar aos EUA. Debilitar esses mercados com interrupções de curto prazo é uma prática desesperadamente míope”, critica.

Michael Moore, cineasta crítico dos republicanos, afirmou que não importam o que digam e quantas palavras atemorizantes pronunciem, estão utilizando seus velhos truques de provocar medo e confusão para continuar eles mesmos e o 1% da classe alta, obscenamente ricos. Lendo os primeiros quatro parágrafos do artigo principal da edição de 22 de setembro do New York Times, pode-se ver do que realmente se trata: “No exato momento em que os formuladores de políticas trabalhavam nos detalhes do plano de 700 bilhões de dólares para socorrer o setor financeiro, Wall Street começou a buscar formas de se aproveitar disso. As empresas financeiras estão trabalhando para que sejam cobertas todas as formas de investimento problemáticas, não somente aquelas relacionadas às hipotecas. Ao mesmo tempo, as empresas financeiras estão manobrando astutamente para vigiar todos os valores dos livros das instituições financeiras nas quais o Tesouro planeja intervir, o que poderia garantir-lhes milhões de dólares ao ano em honorários. Ninguém quer ficar de fora da proposta do Tesouro para adquirir valores das instituições financeiras”. Incrível. Wall Street e seus defensores criaram esse desastre e agora vão limpá-lo como delinqüentes. Até Rudy Giuliani está trabalhando para que sua empresa seja contratada (e paga) para realizar “consultorias” sobre o resgate financeiro, denuncia Moore. Leia o resto do artigo »

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Boletim Semanal do Blog do Desemprego Zero

Postado em 30 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

n.24, ano 1 -17/09/2008 a 30/09/2008

Destaques da Semana no Blog

Economia

A Crise e o Brasil

“O dólar acabou”, avalia Carlos Lessa

Os engodos do mercado

Internacional

O fundo político da atual crise econômica

Bolívia e os últimos acontecimentos

O sistema financeiro paralelo se desfaz

Política

O efeito Mendes

Wálter Maierovitch: “Máfia não assalta mais banco”

Desenvolvimento

O Brasil e o pós-crise

Com Norte-Sul, o Atlântico fica mais perto

O retorno do pêndulo: algumas breves reflexões

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Bolívia: Fascismo toma o poder- Morales queixa-se

Postado em 30 dEurope/London setembro dEurope/London 2008

“Esta é uma análise muito interessante, a partir de uma leitura marxista, do que vem acontecendo na Bolívia. Em tempos de parcas informações, vale a pena ler o artigo de James Petras.”

Por: James Petras

Desde que Evo Morales foi eleito presidente há mais de 33 meses, a extrema direita boliviano tem-se aproveitado de toda concessão, compromisso e gesto conciliatório do regime Morales para expandir o seu poder político, bloqueando mesmo as reformas sociais mais moderadas e paralisando o funcionamento do governo, através de manobras legais e gangs de violentos rufiões de rua.

Ao mesmo tempo que o governo boliviano utilizava repressão do Estado contra camponeses sem terra e mineiros em greve, permanecia um espectador passivo e impotente diante da tomada da Assembleia Constitucional pela extrema direita, dos principais aeroportos em Santa Cruz (forçando o presidente a voar de volta ao seu palácio), suspendendo todo o transporte público, a arrecadação de impostos federais e projectos e investimentos públicos. Pior ainda, gangs paramilitares fascistas repetidamente insultaram, bateram, desnudaram e ridicularizaram apoiantes camponeses do presidente Morales de etnia índia nas principais ruas e praças das capitais das províncias que eles controlam.

Apesar de receber cerca de 70% da votação nacional na eleição de 10 de Agosto de 2008, Morales não tomou uma única medida para conter o domínio fascista do poder regional, continuando a implorar pelo diálogo e o compromisso, enquanto a extrema direita acumula força e prepara-se para entrar em violenta guerra civil contra os pobres e os indígenas bolivianos. O governo boliviano expulsou o embaixador dos EUA, Philip Goldberg, só depois de a Embaixada dos EUA apoiar activamente a captura do poder regional pela extrema direita depois de quase três anos de financiamento aberto e colaboração pública com os secessionistas. Uma vez que o regime Morales não rompeu relações com Washington, é provável que um novo nomeado para a embaixada chegue logo para continuar a conspiração activa de Goldberg com a extrema direita.

O contraste entre a ignominiosa passividade do presidente e o agressivo e violento putsch político da direita fascista é gritante. A peça central do violento levantamento e da tomada de poder pelos fascistas localiza-se em cinco departamentos regionais: Santa Cruz, Pando, Beni, Tarija e Chuquisaca, os quais estão agrupados numa organização regional de massa, o Conselho Nacional Democrático (CONALDE). Isto inclui prefeitos locais, presidentes de muncipalidade, líderes de negócios e chefes de organizações de latifundiários apoiados por gangs de rufiões de rua armados numa variedade de organizações, sendo a mais importante a União da Juventude Cruceñista, a qual especializou-se em degradar, bater e mesmo matar apoiantes índios desarmados de Morales. Leia o resto do artigo »

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