Postado em 6 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Folha de S. Paulo
Por DENYSE GODOY
Estudo calcula que pessoas físicas e jurídicas pagaram R$ 134,5 bi em 2008
O Brasil pagou R$ 134,5 bilhões em “spread” bancário em 2008. Esse valor corresponde a quase quatro vezes o orçamento do Ministério da Educação ou duas vezes e meia o do Ministério da Saúde no ano passado. Segundo um estudo realizado pela Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), as pessoas físicas contribuíram com R$ 85,4 bilhões desse total, e as empresas, com R$ 49,1 bilhões.
“Spread” é a diferença entre a taxa à qual os bancos captam recursos e aquela aplicada por eles nos empréstimos a consumidores e empresas. Inclui os impostos cobrados sobre operações de crédito, o risco de inadimplência, custos administrativos e os lucros das instituições financeiras.
Por exemplo, considerando um empréstimo pessoal de R$ 1.000 a ser quitado no período de um ano, dos R$ 604 que um cliente de banco em média pagava como juros em 2008, R$ 475 equivaliam ao “spread”.
A Fecomercio SP calcula que tal sobretaxa poderia ser cortada em um quarto sem muito esforço. Na situação descrita acima, isso significa que o consumidor economizaria R$ 119.
“Injetado na economia do país, o dinheiro geraria empregos em todos os setores”, afirma Abram Szajman, presidente da entidade. “O governo deveria parar de fazer de conta que não tem nada com isso e abrir mão de parte dos impostos. Para os bancos, seria conveniente mostrar que estão participando do novo desenvolvimento do Brasil que queremos.” Leia o resto do artigo »
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Postado em 5 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: O Estado de S. Paulo
Lula propõe ao presidente chinês que o comércio entre os dois países seja feito em suas respectivas moedas
Por Lourival Sant’Anna
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que o Brasil e a China utilizem as suas respectivas moedas no comércio entre si, em vez do dólar. Lula apresentou a ideia em reunião com o presidente Hu Jintao, na quinta-feira, em Londres, durante a cúpula do G-20. A proposta será agora estudada pelos chineses, segundo Lula, e voltará a ser discutida durante a visita do presidente brasileiro a Pequim, no dia 19 de maio.
A China e a Rússia propõem a criação de uma moeda internacional alternativa ao dólar. “Não sei se vai ser possível”, disse o presidente, reconhecendo que a iniciativa envolve dificuldades técnicas e até “convencer a sociedade”.
“Estamos tentando. Já fizemos com a Argentina. Queremos fazer com o Mercosul e com a América do Sul.” Segundo o presidente, a vantagem é que “um pequeno empresário não tem que ir atrás de dólar para comprar, ou seja, ele faz o negócio na moeda do seu país e nós fazemos na nossa”. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2009
UNISINOS
A esquerda está dividida quando o tema é encontrar soluções para a crise financeira internacional. Mas isso não representa falta de propostas e esvaziamento teórico, considera o economista Paul Singer*.
Há 60 anos, a esquerda diverge sobre posições políticas e econômicas. Entretanto, esse indicativo não demonstra, na opinião do economista Paul Singer, um vazio teórico por parte da esquerda. Ele divide a esquerda em duas partes. A “keynesiana”, explica, “propõe a restauração do crédito mediante a nacionalização dos bancos quebrados, além do aumento vigoroso da inversão pública e de políticas redistributivas da renda, que recuperem o mercado interno”. Por sua vez, a esquerda herdeira da ortodoxia marxista “tem como proposta lógica a revolução proletária como única saída”.
Defensor de alternativas energéticas ecologicamente corretas, Singer também aposta no crescimento econômico, e diz que não é preciso renunciar ao próprio crescimento. Este, argumenta, “pode ser proporcionado também pelo ecossocialismo, sem perda de recursos naturais irrecuperáveis”. Para ele, a construção de uma sociedade ecossocialista é possível e já está acontecendo através de uma “miríade de empreendimentos solidários, nos numerosos interstícios que o capitalismo se mostra já há muito tempo incapaz de preencher”.
*Singer é graduado em Economia e Administração e doutor em Sociologia, pela Universidade de São Paulo (USP). É professor da USP desde 1984, e secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Além disso, é autor de vários livros, entre eles Globalização e desemprego: diagnósticos e alternativas (São Paulo: Contexto, 1998), O Brasil na crise: perigos e oportunidades (São Paulo: Contexto, 1999), Para entender o mundo financeiro (São Paulo: Contexto, 2000) e Economia socialista (São Leopoldo: Perseu Abramo, 2000).
Confira a entrevista realizada por e-mail. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Luiz Gonzaga Belluzzo
O novo pacote de socorro do governo americano aos bancos encalacrados no lixo tóxico foi, em um primeiro momento, recebido com entusiasmo pelos mercados. Já no dia seguinte havia mais perplexidade do que entusiasmo entre observadores, analistas e assemelhados.
Martin Wolf, o lúcido conservador do Financial Times, confessou seus temores e angústias com o andar da carruagem na terra das liberdades. Ele duvida da eficácia das sucessivas e maciças injeções de grana nas instituições carregadas de ativos sem possibilidade de transações, seja qual for o preço, entre os agentes privados. O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, emprestou glamour à operação de resgate, ao lançar mão da ideia da parceria público-privada para a aquisição do dejeto abominável. Mas, na dura realidade da vida financeira de nosso tempo, isso significa simplesmente que o mercado para as transações com esses papéis desapareceu. É isso mesmo: o mercado não existe, sumiu.
(…) a ira dos contribuintes contra os gatos gordos de Wall Street assumiu as proporções das revoltas ditas populistas do início do século XX. Wolf está preocupado com a hostilidade explosiva ao setor financeiro. “O Congresso debate taxar os bônus dos executivos. E o procurador-geral de Nova York que sejam revelados os nomes. Isso equivale a um convite ao linchamento.”
Na história da sociedade americana, esses frêmitos exaltados duram o tempo necessário para descarregar o ressentimento dos “bons cidadãos”. Beneficiários dos confortos individualistas e consumistas nos tempos de vacas gordas, os bons cidadãos da América jogam o fardo das desgraças sobre os ombros dos que consideram malfeitores e ladinos. Há fundados receios, entre os sobreviventes do naufrágio financeiro, que o bote salva-vidas do Estado seja baixado por políticos populistas para resgatar a turma do “andar de baixo”.
No entanto, os praticantes das formidáveis inovações destrutivas – os gatos gordos de Wall Street – não teriam prosperado em suas ousadias se, à retaguarda, não estivessem de prontidão os fanáticos do livre mercado e da concorrência desaçaimada. O mal, como sempre, é o intervencionismo do Estado, o poder dos sindicatos, o controle dos mercados financeiros, os obstáculos ao livre movimento de capitais.
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Postado em 2 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Há uma guerra declarada do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes contra Ministério Público, Polícia Federal e juízes de primeira. Não se tente personalizar o conflito. Ele tem implicações muito mais profundas, é reflexo de um dos fenômenos mais importantes dos últimos tempos: a mudança total de paradigmas no sistema de informações do país, obrigando a uma mudança completa em hábitos políticos e empresariais consolidados.
É esse processo de transformações que está trazendo de volta o fenômeno do tenentismo. Não mais oficiais do Exército tentando derrubar o poder, mas policiais, procuradores, juízes, jornalistas independentes tentando impor o primado da lei, enquanto tribunais superiores – e o presidente do Supremo – tentam conter a onda moralizante.
Não tem volta. Apesar das invectivas de Gilmar Mendes, não tem como tapar a peneira. É o mesmo que pretender parar o tempo e o avanço da civilização.
No meu livro “Os Cabeças de Planilha”, procuro traçar paralelo entre as primeiras décadas do século e as últimas. Primeiro, a República, coincidindo com um período de esbórnia financeira global. Os chamados financistas controlam a política econômica, garantem a política de governadores – com práticas cada vez mais corruptas – ao mesmo tempo em que emerge uma nova sociedade urbana e eclodem revoltas a partir das bases do Exército – os tenentes. Essas mudanças são aceleradas pelas novas mídias – na época, o rádio, que permite a explosão da informação e da cultura urbana brasileira.
Agora se tem a volta do pêndulo repetindo o ciclo. Primeiro a esbórnia dos primeiros anos de redemocratização. Depois, a financeirização absurda, que permitiu que sistemas de crime organizado participassem dos esquemas de poder.
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Postado em 2 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Na perspectiva do economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o capitalismo sobreviverá ainda mais injusto, irracional, instável e mais regulado. Nessa batalha, a esquerda continuará lutando por liberdade, dignidade e felicidade, assegura
Na entrevista que segue, concedida por e-mail à IHU On-Line, o economista aponta o “salvacionismo apresentado pela fórmula ‘keynesianismo + regulacionismo’” como superado e insuficiente para acalmar os ânimos do mercado e reestruturar a economia. Na ótica da esquerda, alerta, “a saída está na ‘purificação’ do grande capital com recursos públicos financiados pela taxação dos ganhos do capital financeiro nos últimos anos, bem como a redistribuição de riquezas e na apropriação dos meios de produção estratégicos pelo Estado”. A alternativa, dispara, é “a reestruturação do aparelho produtivo e a reconfiguração do poder econômico a favor da classe trabalhadora”. Nessa busca pela “purificação”, Gonçalves lembra que “recursos públicos não podem ser usados para salvar o grande capital sem condicionalidades que favoreçam o trabalhador”. Leia o resto do artigo »
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Postado em 1 dEurope/London abril dEurope/London 2009
O problema do custo dos financiamentos
As taxas de juros e o spread bancário no Brasil retomaram uma escalada de ascensão muito forte. Spread é a diferença entre a taxa dos financiamentos para o tomador e a taxa com que os bancos captam recursos. Para as pessoas físicas, o custo médio em fevereiro último chegou a 52,7% ao ano, contra 43,9% ao ano em dezembro de 2007; já o spread evoluiu de 31,9 pontos percentuais para 41,5 p.p. no mesmo período. No crédito para as empresas, a taxa de juros foi de 30,8% a.a. em média em fevereiro de 2009, contra 22,9% a.a. em dezembro de 2007; o spread nesse caso aumentou de 11,9 p.p. para 18,9 p.p..
Para as empresas os aumentos de juros no período recente estão tornando gradativamente incompatíveis o custo do dinheiro e o retorno da atividade produtiva, especialmente em um momento como o atual, de retração da economia em função da crise internacional. Isso leva ao retraimento de novos investimentos e das atividades, o que deprime o crescimento econômico. Para as famílias, juntamente com o encurtamento dos prazos de pagamento, as taxas de juros maiores concorrem para majorar os valores das prestações dos financiamentos e deprimir as compras a prazo, com o mesmo efeito sobre o crescimento.
Remover ou ao menos reverter em uma medida significativa esses retrocessos recentes no custo dos financiamentos para empresas e famílias, é fundamental para que a economia possa responder positivamente aos desafios determinados pela atual conjuntura. Um conjunto articulado de medidas, ao invés de ações que isoladamente não têm efeito relevante, é a diretriz requerida de uma política de crédito no país. Exemplo de ação isolada foi a redução de recolhimentos compulsórios que alcançou um total de R$ 100 bilhões. Como não houve indução ou estímulo para que os recursos adicionais se traduzissem em maior oferta de crédito e redução de juros, nada “passou” para o plano do financiamento. As linhas de ações envolveriam:
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Postado em 31 dEurope/London março dEurope/London 2009
Fonte: O Globo
RIO – Apesar do crescimento recente da economia e dos programas do governo de transferência de renda, o Brasil andou para trás nos últimos 13 anos. Entre 1995 e 2008, a renda per capita (ganho anual por habitante) do brasileiro avançou 59,41%, número menor que o crescimento de 68,50% dos países da América Latina e bem inferior ao aumento de 123,31% registrado pelas nações em desenvolvimento. A conclusão é de estudo preparado pelo economista Reinaldo Gonçalves, professor titular em economia internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Este ano, com a piora do cenário internacional, o ganho individual no Brasil terá um dos maiores recuos. É o que mostra a reportagem de Bruno Rosa publicada na edição de segunda-feira do GLOBO.
Segundo economistas, a política de juros altos nos últimos anos, a forte desvalorização cambial e falta de uma política de comércio internacional pró-ativa foram determinantes para o desempenho dos últimos anos. Segundo Gonçalves, os erros na política macroeconômica colocam o Brasil na lanterna do crescimento da renda per capita durante os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. Por outro lado, ressalta Claudio Dedecca, do Instituto de Economia da Unicamp, as nações em desenvolvimento e da América Latina promoveram cortes de juros ao longo da última década, reduzindo os custos de investimentos e, assim, gerando emprego e distribuindo renda.
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