Postado em 12 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Nouriel Roubini
Fonte: CartaCapital
O ritmo da contração da economia dos Estados Unidos vai desacelerar. Do tombo de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no primeiro trimestre deste ano, o fechamento de 2009 apresentará uma queda de 2%. O crescimento será tão pequeno, abaixo de 1% em 2010, com a taxa de desemprego em 10%, que tecnicamente o país já terá superado a recessão, mas o ambiente será de estagnação.
Na comparação com o consenso altista, que prevê aumento do PIB de 2% no terceiro e quarto trimestres deste ano, e o retorno ao crescimento potencial em 2010, minha análise é mais pessimista do que os economistas do mainstream. A queda de 2% do PIB no fim de 2009 é minha estimativa tanto para os EUA como para o restante do mundo. É uma pequena melhora, pois teremos então vivido uma séria recessão no formato de U e uma recuperação tênue em 2010.
Reza a lenda que o mercado acionário sempre antecipa o futuro. Nos últimos dezoito meses, tivemos seis fortes movimentos de baixa e os altistas sempre alardeavam que o início da recuperação estava próximo. Eles estavam totalmente errados, porque novas mínimas foram atingidas nas bolsas de valores. Como sempre fui considerado o Senhor Catástrofe, serei o primeiro a apontar que o fundo do poço só será atingido quando dados indicarem uma recuperação econômica sustentável e robusta.
A recessão ainda tem tons trágicos. Na Zona do Euro e no Japão, não há evidência de indicadores positivos. Nos EUA e na China, os dados estão bastante fracos. A ideia de que os preços das ações se comportam com base nas expectativas do que acontecerá em seis a nove meses é incorreta. Primeiro, já observamos seis fortes movimentos de baixa, sem indícios de que terão chegado a um fim. Em segundo lugar, um exemplo histórico. Em 2001, a recessão terminou em novembro, mas as ações continuaram a cair por mais dezesseis meses, até março de 2003, porque as empresas não conseguiram recuperar suas margens e as falências ainda aconteciam. Leia o resto do artigo »
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Postado em 12 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo
Pai da doutrina neoliberal rebate frase de Gordon Brown e cita compromisso com sustentabilidade fiscal
ENTREVISTA
John Williamson
De férias em Galápagos, num barco isolado do mundo em que sequer havia TV, John Williamson leu na internet a frase síntese do encontro do G-20 na semana passada: “O Consenso de Washington está superado”, afirmou o primeiro-ministro britânico Gordon Brown. Williamson é o autor do texto que, em 1989, mencionava um “consenso em Washington” com a receita para a América Latina sair da crise, cunhando a expressão que se tornou sinônimo de neoliberalismo econômico. Ontem, ao voltar ao trabalho em Washington, Williamson garantiu ao GLOBO que o G-20 não negou sua doutrina, citando trechos específicos do comunicado do encontro: “no parágrafo 11, há o compromisso com sustentabilidade fiscal”. Leia o resto do artigo »
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Postado em 11 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Carta Capital
Perpétua Almeida*
Nesta questão não cabem indefinições.
O modelo de privatização dos lucros e socialização dos prejuízos vem mostrando os seus resultados ao longo da última década, através da crescente concentração de renda e todas as mazelas consequentes. Mesmo assim a sanha privatista, que julgávamos um capítulo encerrado na nossa história, arma novo bote.
De acordo com Fernando Rizzolo, da OAB de São Paulo, quem iniciou a defesa da privatização dos aeroportos brasileiros foi o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC), em um seminário realizado em São Paulo em 2007, em que reivindicou que a administração dos aeroportos, subordinados à Infraero, fosse concedida a grupos privados. Bornhausen, segundo Rizzolo, é apontado como sócio de uma empresa que explora os free shops de alguns dos principais aeroportos internacionais do País, a Brasif, da qual foi vice-presidente. Leia o resto do artigo »
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Postado em 10 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Carta Capital
Por Delfim Netto
Os economistas têm, em geral, uma visão reducionista e instrumental da educação. Consideram-na um fator de produção, ou melhor, um atributo que melhora a qualidade do fator de produção original, o trabalho. Nas famosas funções de produção, poderosas ferramentas didáticas que, infelizmente, só existem como entes platônicos no velho quadro-negro e sobrevivem nas modernas projeções do PowerPoint nas salas de aula, o fator trabalho é qualificado com o nível de educação.
Frequentemente calcula-se o produto potencial ao se parametrizar alguma função de produção com essa variável, para estimar o hiato do produto, com o qual se constrói a política monetária “científica”. O leitor há de perdoar a interrupção desta narrativa. É irresistível a tentação de transcrever o que diz a respeito um verdadeiro e grande economista, que seria certamente reprovado no vestibular das escolas de gastronomia em que se transformaram algumas escolas de economia, produtoras de indigestas receitas vendidas como a única comida “natural e saudável”. Trata-se de Alex Leijonhufvud, em European Journal of the History of Economic Thought, 15(3), Set. 2008: 529-538. Leia o resto do artigo »
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Postado em 8 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Nas últimas semanas de 2008 observou-se uma nova fase no processo de consolidação bancária no Brasil com a fusão entre o Itaú e o Unibanco, entre os grandes bancos privados, e a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. Essas operações têm suscitado algumas angústias no público em geral com relação aos efeitos que o aumento do grau de concentração do setor bancário no Brasil terá sobre a concorrência no setor e, conseqüentemente, sobre as tarifas bancárias e o spread bancário no Brasil. O argumento de senso-comum, parcialmente baseado na teoria econômica, é que o aumento do grau de concentração do setor bancário irá se traduzir num aumento do poder de mercado dos bancos, levando-os a “extorquir” os seus clientes na forma de tarifas bancárias mais elevadas e maiores spreads, contribuindo assim para aumentar o já elevado custo do capital na economia brasileira. Dessa forma, o governo não deveria estimular o processo de fusões e aquisições entre bancos, antes pelo contrário, deveria atuar no sentido de tornar o setor bancário mais competitivo, ou seja, mais próximo do ideal da “concorrência perfeita”, no qual existe a atomização entre ofertantes de um mesmo produto ou serviço.
Essa visão idílica e ingênua sobre os benefícios de uma economia povoada por “pequenas empresas” infelizmente não corresponde a natureza dos negócios realizados numa economia capitalista moderna, principalmente no setor bancário. A “concentração do capital” não é um evento fortuito do capitalismo, nem muito menos o resultado da “intervenção do governo”. Ela é a consequencia inexorável da existência de retornos crescentes de escala. Como já assinalava Adam Smith, a fonte do crescimento econômico de longo-prazo é o aumento da produtividade do trabalho, resultante de um processo de causalidade cumulativa no qual o aumento do tamanho dos mercados leva a um aprofundamento da divisão do trabalho, o qual produz um aumento da produtividade do trabalho, que resultará num aumento dos salários e, consequentemente, numa nova rodada de aumento do tamanho dos mercados. Como bem demostrado por Piero Sraffa, a concorrência perfeita é incompatível com a existência de retornos crescentes de escala. Dessa forma, numa economia onde os rendimentos crescentes de escala prevalecem será naturalmente uma economia na qual deveremos observar um elevado grau de concentração na produção de bens e serviços. Leia o resto do artigo »
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Postado em 8 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Blog do José Paulo Kupfer
À parte o show do presidente Lula, a reunião do G-20, hoje, em Londres, não fugiu demais ao roteiro previsível. O comunicado final trouxe, sim, algo de concreto além do que se esperava: a formação de um fundo de US$ 1 trilhão, para reforçar o caixa – e o moral – do FMI e o anúncio da disponibilização global de US$ 5 trilhões, em estímulos fiscais, até 2010. Maiores também do que esperado, apesar de não terem avançado nem uma gota além da retórica, foram as menções aos males do protecionismo, e, mais ainda, a reafirmação do compromisso com um acordo conclusivo para a Rodada Doha.
Tudo o mais foram promessas de boas intenções, cuja execução, em seus detalhes, ainda deverá ser desenhada e definida por comissões. Incluem-se nesse caso a maior regulação dos mercados financeiros – incluindo fundos de hegde e paraísos fiscais -, uma reforma não estrutural em organismos como o FMI e o Banco Mundial e até restrições aos bônus de executivos de empresas privadas. Há alguns prazos para revisar e consolidar os eventuais progressos dos pontos do acordo de hoje, com uma nova cúpula antes do fim do ano. Leia o resto do artigo »
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Postado em 7 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Abram Szajman
Fonte: Gazeta Mercantil
Comparar o que nos acontece hoje com o que ocorreu há 80 anos, em decorrência da crise que levou o mundo à Grande Depressão, pode ser útil para entender qual será nosso lugar no cenário internacional, quando a turbulência amainar.
Em 1929, a quebra do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil fazendo desabar o preço do café, então responsável por 70% das nossas exportações. Foi uma tempestade de tal ordem que varreu da noite para o dia o modelo agrário exportador vigente desde a época da colônia, carregando consigo, por meio da Revolução de 1930, a República Velha comandada pelos estados cafeicultores.
Da noite para o dia, o País teve de acelerar sua industrialização, pela simples razão de que não dispunha mais de recursos para importar os produtos manufaturados de que necessitava como fizera até então. Leia o resto do artigo »
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Postado em 7 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Iolanda Nascimento
Fonte: Gazeta Mercantil
Os bancos públicos vêm alimentando o crescimento do crédito no Brasil e foram responsáveis por 80% do aumento do volume das operações entre fevereiro deste ano e setembro de 2008, data em que a crise financeira internacional se aprofundou, mostra estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As instituições privadas dividiram os 20% restantes. O percentual de participação dos bancos públicos no aumento do crédito tem crescido expressivamente. De setembro a dezembro de 2008, eles responderam por 68% da variação positiva – sendo 32 pontos percentuais do próprio BNDES.
Gilberto Rodrigues Borça Junior, economista da área de pesquisa e acompanhamento econômico do BNDES e um dos autores do levantamento, avalia que a tendência ao longo de 2009 é que os bancos públicos continuem a sustentar o crescimento do crédito. “O mercado internacional ainda não está normalizado e a tendência é de que a participação continue substancial, embora com um pouco menos de força.” Borça afirma que, enquanto persistir a restrição na liquidez e no crédito no mercado externo, as instituições privadas que atuam no Brasil continuarão na defensiva, com um modelo conservador de atuação no segmento, que faz com que adotem medidas extremamente prudenciais, o que restringe a oferta de crédito. “Seria bom para o sistema financeiro que os privados, assim como os públicos vêm fazendo, tomassem um pouco mais de risco”, diz Borça, ressaltando a importância da ação dos bancos públicos contra essa tendência dos privados nos momentos de crise. Leia o resto do artigo »
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