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Blog do Desemprego Zero

Arquivado em 'Política Brasileira':

Juros futuros apontam corte maior da Selic

Postado em 9 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: Gazeta Mercantil 

As taxas dos contratos de juros futuros negociados na BM&FBovespa voltaram a recuar ontem com os dados de desempenho da indústria automobilística reforçando as expectativas de que o colegiado do Banco Central (BC) deve ser mais agressivo na redução da taxa Selic, atualmente 13,75% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, segundo avaliação do analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart.

Para Goulart, as chances de corte de 0,75 ponto percentual da taxa de juros básica cresceram ontem diante dos dados ruins sobre a produção de veículos no País, que caiu 54,1% em dezembro na comparação o mesmo mês de 2007, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Leia o resto do artigo »

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País deve elevar investimento público e cortar juros agora, afirma Cardim

Postado em 8 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Valor Econômico, 08/01/2009.

Valor: O BC deve atuar mais pesadamente no câmbio, para evitar uma desvalorização exagerada? 

Fernando Cardim de Carvalho: Eu tenho defendido o controle de capitais há muitos anos, inclusive nos períodos em que a inundação de aplicações em busca dos juros que o BC oferecia gentilmente parecia satisfazer a todos. O BC não deveria queimar reservas para permitir saída de capitais a níveis mais baixos, nem permitir que a volatilidade implique custos importantes para a economia real, mas, sim, criar dificuldades para essas saídas, especialmente de residentes. 

Valor: Fazer isso num momento de escassez de recursos externos não diminuiria ainda mais o fluxo de dinheiro estrangeiro? 

Cardim: É uma preocupação válida, mas controles não se aplicam indiscriminadamente. Eu proponho controles de saída razoavelmente drásticos com relação ao capital de residentes, como foi da tradição brasileira até que isso começasse a ser desmontado pela equipe de FHC. Quanto aos não-residentes, os controles deveriam ser de entrada, o que, no momento, não é um problema, mas voltará a ser quando as coisas se normalizarem. Controles devem incidir principalmente sobre entradas para carteira [renda fixa e ações], não necessariamente para investimentos diretos. Apesar do discurso de economistas de bancos, que sugere que as diversas modalidades são solidárias entre si, a experiência mostra que, ao contrário, investidores aproveitam as oportunidades que lhes são oferecidas. Investidores diretos e em carteira não são os mesmos grupos. É possível discriminar entre eles.

Valor – O Brasil saiu de um crescimento de 6,8% no terceiro trimestre de 2008 para uma desaceleração abrupta da atividade a partir de outubro. O que explica a reversão?

Cardim: Por um lado, houve uma dramática deterioração de expectativas mais recentemente, depois de um período em que prevaleceu a idéia de que políticas internas de sustentação de demanda poderiam ser suficientes para manter o momentum expansivo anterior. Por outro, a escassez de crédito parece estar fazendo efeito, com uma defasagem que é natural. A deterioração de expectativas se deve a uma combinação de fatores negativos. O fato de a recessão ter chegado à economia americana, com os impactos cada vez mais assustadores sobre a produção e o emprego, mostrou que a crise não vai mesmo se resumir ao setor financeiro e vai impactar o resto do mundo, através da contração da demanda americana por importações. A sucessão de más notícias teria de ter abatido o ânimo local, de consumidores temerosos com a perspectiva de desemprego, e de firmas, temerosas de não ter para quem vender, como acabou acontecendo. Há também a percepção de que o presidente pode ter dificuldades em sustentar uma política fiscal expansiva e o comportamento quase patológico do Copom, matéria a esta altura para psicanalistas mais do que para economistas. Há ainda uma óbvia disposição em desqualificar as tentativas do presidente em manter algum otimismo, importante em uma situação como essa. É hora de se tentar fazer com que o setor privado mantenha um nível mínimo de demanda, até para aliviar a necessidade de que o Estado o faça, mas qualquer coisa que Lula diga ou faça enfrenta um grau de hostilidade irracional e difícil de compreender em vários círculos.  Leia o resto do artigo »

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Hora de evitar a recessão

Postado em 8 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Palácio do Planalto e Fazenda defendem corte agressivo dos juros para manter economia aquecida

Publicado em: Correio Braziliense

Por: Vicente Nunes

O governo já admite, em discussões internas, que o Brasil não está mais lidando com um processo de desaceleração da economia, mas com riscos concretos de recessão, que pode se estender até o fim do primeiro semestre deste ano, provocando uma onda de desemprego. Por isso, conforme se diz no Ministério da Fazenda e no Palácio do Planalto, o Banco Central terá de ser mais agressivo no corte da taxa básica de juros (Selic), que começará neste mês, mais precisamente nos dias 20 e 21, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne.

Para assessores do ministro Guido Mantega e de auxiliares do presidente Lula, uma redução de 0,5 ponto percentual agora, como estima o mercado, tornou-se piso. “É daí para mais. Esperamos que o BC não seja mais realista do que o rei”, frisou um técnico da Fazenda, assinalando que a retração do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2008 ficou entre 1% e 1,2%. “O que nos assusta é que novas quedas estão previstas para os dois primeiros trimestres deste ano”, emendou.

A avaliação dentro do governo é de que o conservadorismo exagerado do BC pode levar à confirmação do cenário mais pessimista traçado pelos analistas, de expansão entre 1% e 2% do PIB em 2009, o que será um tombo considerável, se for levado em conta que o crescimento do ano passado ficou próximo de 5,5%. O novo quadro vislumbrado pelo governo se consolidou depois da queda de 8% da indústria no acumulado entre outubro e em novembro e da certeza de que em dezembro, janeiro e fevereiro não será muito diferente.

“Tudo indica que a retração da atividade industrial continuará e vai nos dar muita dor de cabeça. Sendo assim, temos de virar o jogo o mais rapidamente possível, e isso passa pela redução mais forte dos juros”, disse um assessor palaciano. “O ideal seria um corte de até dois pontos nas três primeiras reuniões do ano do Copom”, frisou. Só assim, acredita parte da equipe econômica, se conseguirá reverter o pessimismo para que empresários e consumidores voltem a produzir e a comprar, tornando mais factível a meta de crescimento de 4% fixada pelo presidente Lula. Leia o resto do artigo »

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“Vargas redefiniu o país na crise de 30; a chance é que o PT faça o mesmo na primeira grande crise da globalização” – Chico de Oliveira.

Postado em 8 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

“Nossa burguesia se transformou em gangue. Expoentes nativos são figuras do calibre de um Daniel Dantas ou esse Eike Batista que opera dos dois lados da fronteira boliviana; não se pode contar com protagonistas dessa qualidade para qualquer coisa, menos ainda para uma agenda de desenvolvimento. Não há saída por aí. Mas o Brasil também não teria saído da crise de 30 se Vargas fosse esperar a mão estendida da plutocracia de São Paulo, por exemplo. Ele ocupou o espaço e fez”.

Em entrevista à Carta Maior, Chico de Oliveira analisa o que considera ser a primeira grande crise da globalização capitalista. “Estamos diante de algo maior que a própria manifestação financeira da crise; algo que persistirá para além dela e condicionará todos os passos da história neste século”, afirma. O sociólogo torce para que o PT tenha coragem e capacidade para ajudar o país a deflagrar um ciclo inédito de investimento pesado na economia. “Algo como criar cinco Embraer’s por ano”, exemplifica.

Dona Joventina preconizava para o filho Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira uma carreira venturosa no sacerdócio. Chico, porém, era apenas um em uma prole de onze; isso deve ter facilitado a desobediência ao roteiro materno. O desvio do percurso o levaria ao engajamento profano que começou com a adesão ao Partido Socialista, aos 20 anos de idade; mas nem por isso a rota gauche o afastou da leitura dos evangelhos. É tomando emprestado a palavra dos profetas que o sociólogo nascido em 7 de novembro de 1933, em Recife, companheiro de Celso Furtado no início da Sudene, fundador do PT e do PSOL, hoje um analista mordaz de ambos com reflexões que incomodam mas não são ignoradas, resume as esperanças -”talvez fosse melhor dizer a torcida”, retifica- em relação ao papel que a esquerda brasileira, especificamente o PT, poderá jogar diante do que classifica como a “primeira grande crise da globalização capitalista”.

“Aproveitai as riquezas da iniqüidade, aproveitai”, acentua o sociólogo, doutor honoris causa pela USP e pela UFRJ. Chico adiciona à evocação de São Paulo um sentido de engajamento que resume a brecha diante da qual, à moda gramsciana – cético na razão, otimista na ação, torce por um aggiornamento do projeto petista para a sociedade brasileira.

“Naturalmente, todas as outras crises foram globais devido ao peso da centralidade capitalista no processo, mas essa”, observa com entusiasmo intelectual na voz, “é a primeira crise da globalização do capital; uma crise de realização do valor que tem na derrocada financeira sua epiderme mais visível, mas não a essencial”.

O cerne do colapso sistêmico decorreria, no seu entender, da fantástica ampliação da fronteira da mais-valia nos últimos 20 anos. “Oitocentos milhões de pares de braços foram incorporados ao mercado de trabalho mundial com o avanço econômico da China e da Índia”, dimensiona. A riqueza produzida por esse perímetro dilatado da exploração capitalista -”que alia salários miseráveis à tecnologia de ponta”– agregaria ao sistema “uma usina de extração de mais-valia relativa de proporções inauditas”. Um fluxo incapaz de se realizar nos mercados de origem, “onde é muito baixo o custo de reprodução da mão-de-obra”. Leia o resto do artigo »

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José Alencar: Brasil vai bem, apesar da política monetária

Postado em 7 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Vermelho

O vice-presidente José Alencar afirmou hoje (6), poucas semanas antes da primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), que a economia brasileira está bem, apesar da política monetária adotada pelo Banco Central (BC). Para o vice-presidente, é preciso dar ao BC ordem para praticar taxas de juros semelhantes às dos outros países.

 Alencar critica política do BC

“O Brasil vai bem, apesar da política monetária. Não graças a ela, apesar dela. Ela [política monetária] vai nos levar, em oito anos, R$ 1,2 trilhão [com a rolagem da dívida do país]“, disse Alencar.

“Isso [baixar a taxa] não é assunto para técnicos. Isso é assunto para decisão política. O que nós temos que fazer é dar ao Banco Central uma ordem para que pratique taxa de mercado, nem maior, nem menor do que as dos outros países”, afirmou Alencar, em conversa com jornalistas, em seu gabinete no Palácio do Planalto. Leia o resto do artigo »

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Uma perspectiva desafiante

Postado em 7 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Correio da Cidadania    

Por Wladimir Pomar  

O Brasil está diante de uma perspectiva desafiante: vencer as ameaças da crise econômica, assistir a uma inversão na correlação de forças políticas e ver o início da construção de um modelo alternativo de desenvolvimento.

Mas isso vai depender, em grande medida, de o povo brasileiro e as forças de esquerda serem capazes de dar solução a pelo menos três problemas: a) superação da fragmentação das forças populares; b) introdução de formas alternativas de desenvolvimento; c) manutenção da divisão entre os diversos setores da burguesia.

A solução desses problemas está ligada, em grande medida, à atitude do governo Lula. A superação da fragmentação das forças populares, por exemplo, pode ter como eixo os programas sociais do governo. Nos recentes seis anos, eles abriram canais para minorar as condições de miséria e pobreza, expandiram as economias de produção popular, aumentaram o poder aquisitivo das populações de baixa renda e, portanto, estimularam a ampliação do mercado interno. Leia o resto do artigo »

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Balança tem o menor superávit em seis anos

Postado em 5 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Sob influência da crise mundial e do aumento das importações, saldo comercial recua 38% em 2008, para US$ 24,7 bi

Compras externas sobem 43,6%, ante alta de 23,2% nas vendas, mas ritmo cai no final do ano; governo prevê 1º trimestre “muito difícil”

Publicado em: Folha de S. Paulo

Por: JULIANNA SOFIA

Afetada pela crise mundial e pela disparada das importações, a balança comercial brasileira encerrou 2008 com o pior resultado em seis anos. Pela segunda vez consecutiva, o saldo do comércio entre o Brasil e o resto do mundo encolheu, para fechar o ano em US$ 24,7 bilhões -o que representa uma queda de 38,2% em relação ao superávit de 2007, que havia sido de US$ 40 bilhões.

Diante da instabilidade no cenário internacional, o Ministério do Desenvolvimento prevê que o primeiro trimestre deste ano será “muito difícil” e evitou fixar uma meta para as exportações brasileiras em 2009. Segundo o Desenvolvimento, a grande volatilidade dos preços, principalmente das commodities, como o petróleo, impede a definição de um patamar de vendas para o exterior.

Em um recado indireto ao Ministério da Fazenda, a pasta comandada por Miguel Jorge cobrou novas medidas de desoneração para os exportadores como forma de atenuar os efeitos da crise.
“Novembro e dezembro foram trágicos para o mundo inteiro. O Brasil foi afetado, mas não tanto quanto outros países. O ano de 2009 vai ser difícil. O exportador terá de ter muita imaginação”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, dizendo que uma recuperação só é esperada para o segundo semestre.

A redução do saldo comercial em 2008 pesará no fechamento da contabilidade do país. A conta de transações correntes (movimento de mercadorias e serviços entre o Brasil e o exterior), que será divulgada no final deste mês, mostrará que o Brasil fechou o ano com o primeiro déficit do governo Lula. Leia o resto do artigo »

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Renda básica universal é direito a escolher própria forma de vida

Postado em 5 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

“A concepção republicana de liberdade é muito exigente. Liberdade e igualdade são dois fatores indissociáveis. Hoje, grandes fortunas convivem com milhões de miseráveis. As desigualdades sociais são causa da falta de liberdade para milhões de pessoas. A proposta de uma renda básica universal não se reduz à invocação de um direito humano a uma subsistência mínima. Ela se baseia numa concepção de justiça que assegure a cada pessoa não apenas a possibilidade de consumir, mas também de escolher sua forma de vida. A análise é de Daniel Raventós.”

Publicado em: Agência Carta Maior

Por: Daniel Raventós

No começo de novembro de 2007, no marco do Fórum das Culturas que se celebrou na cidade mexicana de Monterrey, aprovou-se mais ou menos solenemente uma declaração intitulada “Declaração Universal de Direitos Humanos Emergentes” (1). Esta declaração era na realidade a continuação, depois de amplos e, em minha opinião, muito oportunos retoques e esclarecimentos de uma primeira, que já havia sido anunciada em Barcelona três anos antes, em setembro de 2004, também no marco do Fórum das Culturas. No terceiro item do primeiro artigo pode ler-se:

“O direito à renda básica ou renda cidadã universal, que assegura a toda pessoa, independente de sua idade, sexo, orientação sexual, estado civil ou condição laboral, o direito a viver em condições materiais de dignidade. Com esse fim se reconhece o direito a uma renda monetária incondicional, sufragada com reformas fiscais e a cargo dos orçamentos do Estado, como direito de cidadania, a cada membro residente da sociedade, independentemente de suas outras fontes de renda, que seja adequada para arcar com suas necessidades básicas.”

Se este artigo da Declaração de Monterrey tem alguma importância (por ora, quiçá apenas simbólica) é porque não fala de um direito à subsistência ou a ter o mínimo para viver assegurados ou algo parecido, senão que explicitamente defende “o direito à renda básica ou renda cidadã universal”. “Renda básica” é como se conhece na Europa, Canadá, África do Sul, Austrália e Estados Unidos, principalmente, a proposta que o mesmo artigo define; “renda cidadã universal” é como a mesma proposta é mais conhecida em países da América Latina (especialmente Argentina, Brasil e México, onde há seções oficiais do Basic Income Earth Network (2) ou em processo de serem estabelecidas).

A importância da concretização desse “novo direito emergente” numa renda básica ou renda cidadã universal, tão evidentemente claro na Declaração de Monterrey, pode resumir-se indiretamente com as palavras com as quais Philippe Van Parijs, um dos principais motores do BIEN, respondeu numa entrevista a Benedetta Giovanola (3), no final de 2005:

“A invocação de um direito humano a uma subsistência mínima não bastaria para justificar uma proposta dessas, pois um direito desse tipo poderia ver-se cumprido através dos sistemas de assistência social convencionais, focalizados sobre os pobres e que requerem desses a disposição para trabalhar. Uma justificação adequada requer o chamamento a uma concepção de justiça ancorada na aspiração de dotar cada um não apenas da possibilidade de consumir, mas também de escolher sua forma de vida.” Leia o resto do artigo »

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