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Blog do Desemprego Zero

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A ciência do “faz de conta” e a urna

Postado em 7 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por: Luciana Sergeiro 

Para Delfim Netto ainda não há como transformar a Economia Política numa exuberante Ciencia Economica, já que não se pode combinar o conhecimento empírico com o pragmatismo. A urna revela a livre escolha dos cidadãos soberanos no mercado “político”, da mesma forma que os preços revelam a escolha (condicionada por sua renda) dos consumidores soberanos no mercado de bens e serviços. No mercado “político” o condicionante é que há uma inevitável troca física entre a possibilidade de maior consumo “hoje” e, logo, menor investimento “hoje” e, conseqüentemente, menor crescimento e menor consumo “amanhã”. 

Um exemplo de conselho que nos parece típico dos “fora de lugar” é a sempre renovada sugestão da economia do “faz de conta” de valorizar ainda mais o real elevando brutalmente a já maior taxa de juro real do mundo para controlar a taxa de inflação. A ciência do “faz de conta” nunca resistiu à tentação de valorizar o câmbio para reduzir a inflação, cada vez que nossos “termos de troca” melhoraram. E o Brasil nunca deixou de pagar caro por isso, como vai, lamentavelmente, fazê-lo de novo, em breve… 

Publicado em: Valor Online (restrito a assinantes do jornal)

Por: Delfim Netto 

Quando no futuro a Economia Política honrar a sua promessa de ser um instrumento útil para ajudar as pessoas a realizarem-se mais plenamente e dar aos governos meios eficientes para criar as condições em que elas possam fazê-lo, ela há de ser uma combinação de conhecimento empírico e pragmatismo. Infelizmente ainda não há como transformar a modesta Economia Política numa exuberante Ciência Econômica. 

As construções da “ciência” do “faz de conta”: “faz de conta que o mundo é assim”, “faz de conta que o comportamento é racional”, “faz de conta que existe uma função de produção macroeconômica”, “faz de conta que sabemos como medir o capital físico heterogêneo”, “faz de conta que todos os cidadãos são iguais ao agente representativo com vida infinita”, “faz de conta que não existe desemprego involuntário”, “et sic de ceteris”, são extremamente úteis para organizar nosso pensamento. É preciso, entretanto, cuidado ao dar o “salto” (freqüentemente ignorado) que transforma suas conclusões em marco de referência “científica” com o qual se julga a política econômica. Esta, obviamente, há de incorporar o conhecimento concreto da realidade econômica que é condicionada pela “cultura”, pela demografia, pela história e pela geografia da sociedade viva em que é praticada. 

Do ponto de vista da macroeconomia existem condições “universais”, as identidades da contabilidade nacional, cujas tentativas de violação (de fato, elas nunca serão violadas) produzem resultados indesejados. Mas aqui também é preciso cuidado: são identidades, não relações funcionais. Concretizam-se permanentemente pelo ajustamento dos preços básicos da economia: salário, taxa de câmbio e taxa de juros reais. Estes formam-se endogenamente e simultaneamente dentro do quadro institucional no qual se insere o sistema econômico. Para dar um exemplo: podemos encontrar sofisticada “desculpa racional” para a taxa de juro real do Brasil ser a maior do mundo, mas a “explicação pedestre” encontra-se na péssima qualidade da política monetária defensiva (que por hipótese seria passageira) utilizada e perpetuada desde o Plano Real.  Leia o resto do artigo »

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Nosso complexo de cachorro vira-lata

Postado em 7 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por Katia Alves

Delfim observa abaixo que sempre há tentativas razoavelmente bem orquestradas (na academia e na mídia) de convencer a sociedade de que “mesmo quando as coisas estão melhorando, vamos terminar mal”.

E para provar isso o autor declara que atualmente existe no Brasil um enorme esforço para demonstrar que o país está perdendo as condições de sustentar o robusto crescimento de sua economia porque não teremos competência para enfrentar as pressões inflacionárias externas.

Delfim afirma que isso é uma orquestração de natureza política para ofuscar os bons resultados da economia nos últimos três anos, em matéria de crescimento, melhoria do emprego e da redução das desigualdades de renda.

Por Antônio Delfim Netto

Publicado no DCI

As comemorações pela conquista da Copa do Mundo de futebol pelo Brasil em 1958, na Suécia, trouxeram de volta algumas recordações interessantes do clima vivido pelos brasileiros naquele final de década, quando mal se virava a página do trágico final da “Era Vargas” e não se imaginava que aqueles anos seriam reverenciados pelas gerações futuras como a gloriosa “Era JK”. Há 50 anos Nelson Rodrigues, o genial escritor e jornalista, vaticinava que finalmente o brasileiro iria se libertar do “complexo de vira-lata” que o fazia acreditar que “nada pode dar certo porque somos um país de incompetentes”… Até mesmo no futebol, pois tendo os melhores jogadores do mundo, fracassáramos em todas as Copas. A sensacional -e inesperada!- vitória na Suécia, coincidindo com um período de rápido crescimento econômico no final do governo JK, ajudou a recuperar a auto-estima e a confiança dos brasileiros na capacidade de construir um país melhor.

De tempos a tempos, contudo, assistimos a tentativas razoavelmente bem orquestradas (na academia e na mídia) de convencer a sociedade de que “mesmo quando as coisas estão melhorando, vamos terminar mal”.

Como agora, com o enorme esforço que se faz para demonstrar que o Brasil está perdendo as condições de sustentar o robusto crescimento de sua economia porque não teremos competência para enfrentar as pressões inflacionárias externas. Isso num momento em que as taxas de inflação do Brasil e do Canadá -dentre os países que adotaram o sistema de metas- são as únicas que não ultrapassaram os limites de tolerância previstos , suportando, nos últimos meses, as fortes tensões de aumento de preços que estão desestabilizando a economia mundial. Leia o resto do artigo »

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BC perde R$ 14 bi em operação

Postado em 7 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por Katia Alves

Uma operação de nome e natureza complexos, realizada pelo Banco Central, provocou prejuízo ao Tesouro Nacional, entre 2007 e maio deste ano, de mais de R$ 14 bilhões.

O assunto é tratado com cautela pela direção do banco. O presidente Henrique Meirelles, seus diretores e auxiliares temem a politização do assunto, que vem ganhando espaço no terreno livre da internet.

Rodrigo de Almeida Ubirajara Loureiro

Publicado originalmente no Jornal do Brasil

Uma operação de nome e natureza complexos, realizada pelo Banco Central, provocou prejuízo ao Tesouro Nacional, entre 2007 e maio deste ano, de mais de R$ 14 bilhões. O tamanho das perdas do BC é inversamente proporcional aos lucros obtidos pelo sistema bancário com o chamado swap reverso, operação no mercado de derivativos em que os investidores apostam nas variações do câmbio e dos juros. No mercado de derivativos, as transações são liquidadas no futuro. Os preços no futuro derivam dos preços no mercado à vista – daí vem o nome “derivativos”.

Repleto de tecnicalidades, o assunto é tratado com cautela pela direção do banco. O presidente Henrique Meirelles, seus diretores e auxiliares temem a politização do assunto, que vem ganhando espaço no terreno livre da internet. Sob a condição de terem os nomes preservados, dois técnicos do BC falaram ao JB. Eles exibiram um estudo sobre o tema, mostraram gráficos e tabelas e chegaram aos R$ 14 bilhões. Ressalvaram que não há uma ilegalidade sequer na operação. É jogo limpo, tipicamente de mercado especulativo. Apontam, porém, “erros e omissões” por parte da diretoria do BC.

O JB ouviu ainda mais dois economistas para compreender o difícil mundo dos swaps. É uma área para iniciados. O swap reverso é uma operação na qual o BC vende contratos futuros de juros e compra contratos futuros de câmbio. Esses contratos são negociados, por exemplo, na Bolsa Mercantil de Futuros (BM&F). O balanço é feito e pago diariamente, com referência ao desempenho futuro do Certificado de Depósito Interbancário (DI) – taxa que regula o custo de transações entre os bancos – e a variação cambial. A cada dia comparam-se DI e câmbio. Se o DI, ancorado na taxa Selic, é maior do que a desvalorização cambial, o BC precisa depositar a diferença na conta dos bancos. E vice-versa. É uma aplicação “virtual”. O dinheiro não entra na economia real. Leia o resto do artigo »

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Brasil exige explicação dos EUA sobre 4ª Frota

Postado em 7 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por: Luciana Sergeiro

Com o encerramento da 35ª Cúpula do Mercosul, o presidente Lula cobrou do governo Bush uma explicação convincente sobre a reativação da 4ª Frota de Intervenção dos Estados Unidos, que deve começar a patrulhar águas sul-americanas nos próximos dias. Lula salientou ainda que, por que a necessidade de uma 4ª frota quando se vive em uma região pacifica, onde a única guerra é contra a fome e a pobreza.

Hugo Chávez, também questionou o porquê dessa 4ª frota. Porém fontes ligadas ao governo norte-americano garantem que o objetivo dessa frota é o combate ao narcotráfico e realização de ajuda humanitária além de exercícios militares junto com aliados.

Chávez citou uma reportagem publicada no Clarín, que diz o seguinte: “a iniciativa do governo Bush é, na realidade, um recado belicista e intimidante aos governos progressistas que foram eleitos em países como Brasil, Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai e Paraguai, entre outros.”

Publicado em: Vermelho Online

Por: Umberto Martins

O presidente Lula cobrou ontem do governo Bush, no encerramento da 35ª Cúpula do Mercosul, em San Miguel de Tucumán (Argentina), uma explicação convincente sobre a reativação da 4ª Frota de Intervenção dos Estados Unidos, que deve começar a patrulhar águas sul-americanas no próximo dia 12. O chanceler Celso Amorim aguarda uma resposta da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, acerca da questão.

a..”Descobrimos petróleo a 300 quilômetros da nossa costa marítima. Qual é a lógica dessa 4ª frota se vivemos numa região pacífica? Nossa única guerra é contra a fome e a pobreza”, salientou o presidente brasileiro. Ameaça Lula somou sua voz à do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o primeiro a levantar a questão durante a cúpula.

b.. “Qual é a razão para que nos enviem essa tropa?”, questionou o líder da revolução bolivariano. “Não vão admitir que seja pelos recursos naturais da região. Não tenho dúvidas de que é uma ameaça e precisamos que alguém nos explique o porquê”, acrescentou.

c.. Fontes ligadas ao governo norte-americano sustentam que o objetivo da reativação da armada é “pacífico” e até generoso: combater o narcotráfico e realizar ajuda humanitária, além de exercícios militares conjuntos com aliados.

Pretextos

Analistas com espírito crítico acreditam que as explicações oficiosas do império não são convincentes e traduzem pretextos parecidos com os que foram usados para justificar a guerra imperialista contra o Iraque em 2003. Para quem não se lembra, cabe recordar que à época o presidente Bush e seus prepostos juraram que o país árabe, então governado por Sadam Hussein, tinha produzido um grande arsenal de armas de produção de massas e financiava o terrorismo.

As duas mentiras foram desmascaradas pela história, mas convém rememorá-las ao investigar os reais motivos que estão por trás desta atitude imperialista, que causou desconforto no Mercosul e se revela francamente hostil aos povos e nações latino-americanas. Leia o resto do artigo »

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Meta de inflação de 2010 fica em 4,5%

Postado em 6 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por Katia Alves

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta de inflação de 2010 em 4,5%, cristalizando a percepção entre os analistas do mercado financeiro de que essa será a inflação de longo prazo a ser perseguida no Brasil. No ano passado, o BC queria uma meta de 4%, e o Ministério da Fazenda, após uma acirrada disputa, conseguiu que ela fosse estabelecida em 4,5%.

Incluindo 2010, esse é o sexto ano seguido em que a meta de inflação é definida em 4,5%. O mercado financeiro começa a acomodar suas expectativas a esse patamar, reconhecendo que ele será o objetivo de longo prazo para a inflação no Brasil.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo irá combater a alta da inflação, mas sem “esculhambar” com a economia brasileira.

Por Alex Ribeiro

Publicado no Valor Online

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta de inflação de 2010 em 4,5%, cristalizando a percepção entre os analistas do mercado financeiro de que essa será a inflação de longo prazo a ser perseguida no Brasil. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando foi definida a meta de inflação de 2009, dessa vez a decisão foi unânime. “O desenho atual foi mantido porque permite que sejam absorvidos choques como o que acontecem hoje”, disse o secretário de Política Econômica da Fazenda, Bernard Appy.

No ano passado, o BC queria uma meta de 4%, e o Ministério da Fazenda, após uma acirrada disputa, conseguiu que ela fosse estabelecida em 4,5%. O principal argumento da Fazenda neste ano para manter a meta de 4,5% é a aceleração recente da inflação, que, nas projeções do mercado, deverá chegar a 6,3% em 2008. O presidente do BC, Henrique Meirelles, concordou com a meta de 4,5%. Mas dentro do BC havia a visão alternativa de que não necessariamente a aceleração recente da inflação impede que seja perseguida uma meta mais ambiciosa já em 2010.

Segundo esse entendimento, a alta da inflação se deve, em grande parte, a mudanças de preços relativos, agravada por uma demanda interna excessivamente aquecida. Preços de alimentos, energia e commodities metálicas estão se tornando maiores em relação a outros preços, como serviços e bens não comercializáveis. Mudanças de preços relativos, em tese, podem ser acomodadas mesmo com uma meta mais baixa. O BC acha que o surto inflacionário será controlado antes de 2010. Leia o resto do artigo »

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Gasto maior com juros da dívida deve anular superávit primário adicional

Postado em 6 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por Katia Alves

O aumento no gasto com juros da dívida publica deverá consumir praticamente todo o superávit primário adicional anunciado pelo governo para este ano. Os gastos com juros vão subir, em boa medida, devido ao atual ciclo de aperto monetário.

O aumento da despesa com juros em maio é explicada principalmente pela valorização de 3,43% na taxa de câmbio no mês. A perda do BC em contratos de “swap” cambial, em que a autoridade monetária assume posição comprada em dólar, foi de R$ 2,014 bilhões.

Por Alex Ribeiro

Publicado originalmente no Valor

O aumento no gasto com juros da dívida publica deverá consumir praticamente todo o superávit primário adicional anunciado pelo governo para este ano. O Banco Central aumentou em 0,4 ponto percentual (p.p.) do Produto Interno Bruto (PIB), de 5,4% para 5,8%, a projeção oficial para os gastos com juros. A despesa adicional representa 80% do aumento na meta de superávit primário do ano, que foi de 3,8% para 4,3% do PIB.

Os gastos com juros vão subir, em boa medida, devido ao atual ciclo de aperto monetário. Na suas projeções, o BC não discrimina a magnitude desse fator. Mas a política monetária contracionista tem impacto direto nos juros pagos em títulos indexados pela taxa Selic. Também aprofunda a valorização da taxa de câmbio, reduzindo a remuneração do governo em seus ativos em dólar – o setor público é credor em moeda estrangeira.

Estatísticas divulgadas ontem pelo BC mostram que o governo já fez uma parcela importante do esforço fiscal necessário para entregar um superávit primário de 4,3% do PIB neste ano. O superávit primário acumulado pelo setor público nos 12 meses encerrados em maio chegou a 4,34% do PIB, ou R$ 116,529 bilhões.

Os resultados de maio, em particular, foram bastante positivos. O superávit primário somou R$ 13,207 bilhões, o valor nominal mais alto já registrado para um mês de maio desde o início da atual série estatística do BC, de 1991. Leia o resto do artigo »

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O reverso do Ipea

Postado em 5 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Publicado originalmente no Monitor Mercantil

Por J. Carlos de Assis*

Partiu de mim a sugestão ao então secretário Roberto Mangabeira Unger para que escolhesse o economista Márcio Pochmann para a presidência do Ipea. Não é meu, porém, o mérito pelo fato de ele ter aceitado. É do atual ministro Mangabeira.

Alegando problemas reais de família, Márcio me fez acreditar que não aceitaria. Foi Mangabeira, com uma insistência tenaz, quem o convenceu do contrário. Com isso, honrou o Governo Lula com um dos mais competentes quadros do país no terreno da pesquisa e da investigação econômica.

Não precisei de indicar João Sicsú para o segundo posto no Ipea. Quando ia mencionar o seu nome, Márcio já o havia escolhido. Indiquei, sim, como pesquisador ou para qualquer outro posto no instituto, o economista Miguel Bruno.

É o mais notável da nova geração de pesquisadores econômicos brasileiros. Fez uma primorosa tese de doutorado na França sobre financeirização da economia. Eu a usei na carta Momento Nacional, do Instituto Desemprego Zero, mostrando que 29% da renda interna líquida do país, entre 1992 e 2005, são juros.

É graças a essa tese, ignorada pela maior parte da imprensa brasileira, que o jovem doutor está sendo submetido à mais sórdida campanha de alguns jornais – os mesmos que denigrem a imagem do Ipea, com base em informantes desqualificados de ressentidos.

A motivação explícita é uma mudança de métodos na divulgação de pesquisas de conjuntura. A implícita é o despudor de quem quer fazer com que o Ipea continue sendo uma “dobradinha” do mercado financeiro.

Para o jornalista Elio Gaspari, “o comissariado está destruindo o Ipea”. Gaspari conhece as artes da destruição. Ele ajudou a destruir a ditadura com um competente jornalismo no Jornal do Brasil. Infelizmente, tomou de amores por sua principal fonte, o general Golbery, eminência parda dos governos Castello Branco e Geisel. Leia o resto do artigo »

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Sinuca de Bico

Postado em 5 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por: Paulo Passarinho* 

Há alguns meses, o presidente Lula e ministros afirmavam que o país se encontrava “blindado” contra os efeitos da crise que se esboçava a partir dos Estados Unidos, em decorrência da chamada crise do seu setor imobiliário. 

Trata-se de crise muito mais grave, envolvendo o sistema financeiro como um todo. Com a desegmentação dos mercados financeiros, torna-se muito difícil a identificação precisa das dimensões de créditos financeiros concedidos, sem as devidas garantias oferecidas por empresas que se especializaram na expectativa dos lucros fáceis, viabilizados por um longo período de excesso de liquidez, valorização de ativos e expansão do crédito. 

Nesta semana, quando divulgado o relatório anual do BIS – O Banco de Compensações Internacionais, interlocutor privilegiado dos bancos centrais de todo o mundo, a descrição da complexidade do imbróglio pode ser avaliada a partir do seu seguinte trecho: “empréstimos de qualidade cada vez pior foram concedidos, e então vendidos para os crédulos e gananciosos, com esses últimos freqüentemente recorrendo à alavancagem (empréstimos junto a terceiros) e ao financiamento de curto prazo para elevar ainda mais os seus lucros. Somente isto já é uma grave fonte de vulnerabilidade. Pior, a obscuridade do processo implica que a localização final das exposições nem sempre é evidente.” 

Em outro trecho do relatório, é descrito que “a atual confusão no mercado dos principais centros financeiros do mundo é inédita no período do pós-guerra”, e, ainda, “com o risco significativo de recessão nos Estados Unidos combinado com a alta acentuada da inflação em muitos países, crescem os temores de que a economia global estaria em algum ponto de virada. Esses temores não são improcedentes”.  Leia o resto do artigo »

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