
Por Katia Alves
Segundo Delfim Netto, G-5, o grupo dos chamados “países emergentes” -Brasil, Índia, China, África do Sul e México rechaçou a interpretação dos países industrializados sobre as causas da inflação e cobraram dos países desenvolvidos mais atenção à especulação financeira que vem induzindo a aumentos extraordinários nos preços dos alimentos.
A inflação planetária que estamos vivendo teve sua origem inicialmente nos preços do petróleo e se propagou aos alimentos. É uma inflação curiosa porque vem de baixo para cima.
Por Antônio Delfim Netto
Publicado originalmente no DCI
Não cabe nenhuma crítica à atitude do G-5, o grupo dos chamados “países emergentes” -Brasil, Índia, China, África do Sul e México- que se reuniu agora em Sapporo, no Japão, cobrando, dos países mais desenvolvidos, um pouco mais de atenção à especulação financeira que vem induzindo a aumentos extraordinários nos preços dos alimentos e elevando os custos da produção agropecuária em todo o mundo.
Ainda que na forma elegante, o G-5 rechaçou a interpretação dos países industrializados sobre as causas da inflação, de acordo com eles o aumento dos gastos com energia e o crescimento muito rápido do consumo de alimentos nos países “emergentes”, cujas economias têm tido a audácia de crescer mais depressa que as demais.
Mas omitiu, olimpicamente, os efeitos mais que visíveis da especulação nos mercados financeiros.
Foi correta, portanto, e perfeitamente adequada a cobrança dos “emergentes”, diante da posição “menos responsável” dos colegas mais ricos…
É claro que a inflação planetária que estamos vivendo teve sua origem inicialmente nos preços do petróleo e se propagou aos alimentos. É uma inflação curiosa porque vem de baixo para cima.
Não é necessariamente produzida por um excesso de demanda generalizado; o aumento de cada um dos produtos tem uma explicação especial: no caso do petróleo, devido à falta de investimentos na exploração de novos campos, em pesquisa ou em refino nos últimos 15 anos, chegou-se a uma situação de equilíbrio: o espaço ficou muito curto entre oferta e demanda. Qualquer incidente menor -uma perturbação na Nigéria, a interrupção passageira de um duto, ou problemas no transporte marítimo- deflagra uma enorme excitação de preços. Para compensar a contínua desvalorização do dólar (que é a unidade de medida dos preços), os petroleiros buscam conservar o seu poder de compra. Leia o resto do artigo »