Déficit externo e inflação
Postado em 17 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Publicado em: Folha de S. Paulo
Por: Benjamin Steinbruch
Na economia, o déficit externo precisa de atenção muito maior, igual à que se dá hoje à inflação
Na quarta-feira da semana passada, enquanto eu tentava escrever um artigo sobre o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos, a televisão, sem som, mostrava o jogo do São Paulo contra o Náutico, em Recife.
Eu estava impressionado com a previsão de que o déficit pode atingir neste ano até US$ 35 bilhões, muito além das previsões iniciais de US$ 11 bilhões. Pensava em fazer um texto de alerta sobre o crescimento do déficit, um lendário inimigo da economia brasileira, enquanto as atenções dos analistas estão concentradas apenas no problema da inflação.
Como o São Paulo perdia por 2 a 1, tentei concentrar-me no tema das contas externas. Mas, vendo a TV de rabo de olho na esperança de que o São Paulo conseguisse o empate, vi seguidos lances em que os jogadores se atiravam em campo. Veio-me, então, uma idéia óbvia a respeito de um problema grave no futebol brasileiro: ética.
Desisti dos números do déficit, embora o tema fosse muito mais importante que o futebol. Ética vem de “ethos”, palavra grega que significa caráter ou modo de ser. Todas as profissões têm seu código de ética, que não é lei, mas cujo cumprimento é quase obrigatório na atual sociedade competitiva.
Penso que os percalços do futebol brasileiro nos últimos tempos têm muito a ver com ética. É instrutivo comparar partidas dos campeonatos europeus com as do Brasileiro. O número de faltas na Europa é incrivelmente menor que o daqui. Não porque haja menos jogadas perigosas, mas porque os jogadores raramente simulam situações faltosas. Quando o fazem, são duramente reprimidos pelo árbitro, com cartão amarelo, e até pela reação indignada dos companheiros. Leia o resto do artigo »
Postado em Conjuntura, O que deu na Imprensa, Política Econômica | Sem Comentários »



