Postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Le Monde Diplomatique
Anunciadas discretamente, medidas visam sanar enorme déficit alimentar da ilha e retomam um antigo debate: como organizar a produção, em sociedades não comandadas pelo mercado?
As duas medidas começaram a ser adotadas sem alarde: nenhum discurso de dirigentes, nenhum artigo no Granma ou no Juventud Rebelde. Mas são para valer. Em diversas reuniões regionais com produtores rurais, autoridades do ministério da Agricultura de Cuba têm anunciado que: a) o planejamento da produção rural deixará de ser feito em Havana, e passará ao plano local; b) os agricultores poderão comprar autonomamente os insumos (ferramentas, equipamentos de irrigação, fertilizantes, cercas e roupas apropriadas) de que precisam para produzir, ao invés de recebê-los do Estado. As primeiras lojas já foram abertas. Não se aceitam pesos cubanos – apenas CUCs, atrelados ao dólar. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris

Brasil
A Comissão de Serviços e Infra-Estrutura do Senado Federal aprovou nesta semana, num ato de descuido de integrantes da base aliada, um requerimento para a convocação da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ministra tem até 30 dias para atender a convocação. A justificativa formal para o requerimento é a necessidade de explicações em relação ao andamento das obras do PAC. No entanto, sabe-se que a oposição utilizará o depoimento para discutir o caso do dossiê preparado por sua assessora, com informações de gastos sigilosos no governo FHC. Dilma é o nome preferido do presidente Lula para sua sucessão.
Economia
O presidente do Federal Reserve Bank (o FED, ou Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, admitiu pela primeira vez nesta semana a possibilidade de recessão na maior economia do mundo. A declaração de Bernanke trouxe apreensão ao mercado financeiro internacional. Conforme declaração dada pelo diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a crise iniciada no mercado de crédito subprime norte-americano tornou-se uma crise de insolvência. A extensão da crise será percebida assim que os principais agentes do mercado financeiro anunciem suas reais perdas.
Internacional
No plano internacional, o principal assunto dos jornais brasileiros e europeus é a possível libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O presidente francês trata o assunto como prioridade de sua política externa. O presidente Hugo tenta colaborar, mas o maior entrave às negociações parece ser mesmo o presidente colombiano Álvaro Uribe. A morte de Raul Reyes, número dois da guerrilha, foi possível graças à interceptação de um telefonema nas negociações para a libertação dos últimos reféns. Certamente, a guerrilha teme que algo parecido possa ocorrer novamente.
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Postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Por Vito Giannotti
*
A capa da Veja de 12 de março só podia ser assim. Está na lógica da
revista definida por José Arbex como “a maior revista estadunidense do
mundo, escrita em português”. Está na dela. Está no script. É só
compará-la com a capa de Carta Capital. Mas o mais interessante está numa
prática que é tradicional nesta revista. Primeiro afirma uma coisa dizendo
que já aconteceu ou poderia ter acontecido. Ou seja, não há provas. Não é
certeza que tal fato já tenha acontecido.
Logo em seguida, apostando que
todos os leitores tenham esquecido que dez linhas acima aquela tal
afirmação era incerta, estava-se em dúvida, passa a afirmar, com todas as
letras que tal fato aconteceu sim. E ponto final. Agora passa a será
verdade. A verdade da Veja. É só olhar na página 43 do artigo referente à
capa, com a manchete: “Por que Chávez quer a guerra”. Antes de tudo, quem
disse que Chávez quer a guerra? Sabe quem? Bush e sua revista editada no
Brasil. Mas vamos deixar pra lá esta manchete. Vamos ao texto. Na segunda
coluna desta página está escrito: “Nos arquivos digitais estava a
correspondência interna da organização. Nela se pode ler que Chávez
entregou, ou iria entregar 300 milhões de dólares ao terror…”. Está
claro: entregou, ou iria entregar. Nada de definido.
Na página seguinte, num Box “O que diz o laptop de Reyes” a coisa muda de
figura. À distância de uma lauda a certeza já chegou à revista. Agora as
dúvidas acabaram. Vejamos: “Os terroristas receberam 300 milhões de
dólares e a oportunidade de criar…”. E então receberam, ou receberiam?
Chavez entregou ou iria entregar estes 300 mil dólares? Para Veja esta
dúvida é insignificante. Bobagem pura. Está tudo claro. Entregou, sim.
Recebeu sim. E a possível dúvida do leitor como é que fica? Pergunte para
Bush.
* Vito Giannotti: Escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade que realiza cursos para dirigentes sindicais e jornalistas sobre comunicação sindical e popular.
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Postado em 3 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado em: Valor Econômico
Por J. Bradford DeLong*
Keynesinos, neo-keynesianos, pós-keynesianos, keynesianos”bastardos a La Joan Robinson, keynesianos pós-pós-keynesianos de todos os matizes, uni-vos!
O professor de Economia da UC-Berkeley, ex-assessor do Secretário do Tesouro do Governo Bill Clinton, abre um balão de oxigênio para uma retomada do receituário keynesiano sugerindo que a solução é uma expansão da demanda agregada a nível global. Como fazê-lo, no entanto? O dólar depreciado estimulará as exportações americanas, mas desestimulará as importações.
O efeito total será nulo, por tanto, por este lado a solução, propõe De Long (em um receituário híbrido keynesiano/neomonetarista/neoliberal): redução de impostos, aumento do investimento privado através do corte das taxas de juros sobre ativos seguros e, last but not least, estimular a capacidade de assunção de risco efetivo do setor privado, para que as empresas tenham acesso ao capital em termos que as seduzam a se expandir.
Íntegra do artigo:
A cura keynesiana
Por J. Bradford DeLong
Não é possível sentenciar de antemão que a economia mundial se submeterá a uma sólida recessão nos próximos três anos: ainda poderemos escapar. Os governos, porém, devem se precaver, começando a tomar mais providências agora para amortecer, suavizar e reduzir o período de desemprego elevado e de crescimento lento ou negativo, que agora parece muito provável. É um fato da natureza – da natureza humana, pelo menos – que políticas prudentes e apropriadas hoje pareçam excessivas amanhã. Em algum momento, a economia mundial começará a se expandir velozmente, mais uma vez. Seria muito imprudente, porém, supor que o ponto de inflexão seja exatamente agora, e que as coisas já tenham atingido o seu pior ponto.
Talvez a melhor forma de analisar a situação seja recordar que três locomotivas propulsionaram a economia do mundo ao longo dos 15 anos passados. A primeira foi investimento pesado, centrado nos Estados Unidos, graças à revolução da tecnologia da informação. A segunda foi investimento em construções, mais uma vez centrado nos EUA, puxado pela forte expansão do setor habitacional. A terceira foi investimento no setor manufatureiro nos demais lugares no mundo – predominantemente na Ásia – num momento em que os EUA se tornaram o importador de última instância da economia mundial. Por 15 anos, essas três locomotivas mantiveram a economia mundial próxima do pleno emprego e crescendo velozmente. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Escrito por Alonso Soto para o Estado de São Paulo
A companhia estatal de petróleo do Equador, a Petroecuador, afirmou na quinta-feira que está tentando cancelar um contrato com a Petrobras, em uma disputa relacionada ao principal bloco operado pela brasileira no país. A finalização do contrato, que poderia levar a uma apropriação pelo Estado de ativos da companhia no país, levaria meses ou até anos.
Uma decisão final sobre o contrato caberá ao ministro do petróleo do país, Galo Chiriboga. O presidente do Equador, Rafael Correa, tem feito movimentos para aumentar o controle do Estado sobre os recursos naturais do país desde que assumiu o poder, em 2007.
“Já começamos o processo de finalização”, afirmou o presidente da Petroecuador, Fernando Zurita, a jornalistas.
Em 2006, o Equador encerrou o contrato com a norte-americana Ocidental Petroleum e aumentou os ativos na nação andina no setor.
A Petrobras, que produz cerca de 35 mil barris por dia no Equador, não estava imediatamente disponível para comentar.
Leia a noticia inteira no Estado de São Paulo
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Postado em 3 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado no Valor Econômico – Íntegra para assinantes – clique em :Valor
Por Delfim Netto
Na sua “Filosofia da História”, Hegel adverte que as sociedades e seus governos nunca aprenderam nada com a história ou agiram de acordo com os princípios dela deduzidos. Neste momento de angústia da economia mundial, que sucede a 72 meses de expansão extraordinária, ajudada pelo aparecimento de novos “players” como a China e a Índia, talvez seja interessante levar a sério a observação hegeliana e tentar usar as lições da história. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado em: Folha de S. Paulo
Por FÁTIMA FERNANDES
EUA compraram menos calçados, motores para carros e autopeças do Brasil, segundo números de 2007
As indústrias que exportam produtos manufaturados, especialmente para os EUA, devem ficar mais atentas e acompanhar “de perto” a intensidade da crise econômica norte-americana. Isso significa até colocar o “pé no freio” da produção e dos investimentos, segundo economistas e especialistas em comércio exterior.
A crise na maior economia do mundo, que pode durar de dois trimestres há dois anos, como prevêem os economistas, já tem efeito no país: os EUA compraram menos do Brasil calçados, motores para carros e autopeças, como mostram números de 2007 ante 2006.
“Quem exporta produtos manufaturados já sente, sim, os efeitos da crise nos Estados Unidos, como é o caso das indústrias de calçados, de motores para carros e de autopeças. Mas há também o efeito indireto. A crise atinge ainda os exportadores de commodities, que vão do Brasil para os Estados Unidos e para o mundo. Todos os exportadores devem ficar atentos neste momento”, diz José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB, associação de exportadores do país. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, defendeu, em entrevista ao diário francês Le Figaro (clique aqui para ler a entrevista), a utilização de uma política fiscal ativa com o objetivo de resolver a crise financeira iniciada no mercado de crédito subprime norte-americano.
Strauss-Kahn ressaltou o fato de que a crise, inicialmente de liquidez, tornou-se uma crise de insolvência. Apesar da existência do risco moral, o diretor-geral do Fundo disse ser indispensável a intervenção direta do Estado, através do provimento de liquidez, para solucionar a crise.
Além disso, Strauss-Kahn defendeu a utilização de uma política fiscal anticíclica para sustentar a demanda. O diretor-geral ainda salientou que as decisões de política monetária devem se balizar pelas questões de curto prazo. Parece que a ortodoxia vem perdendo espaço até mesmo nos órgãos historicamente mais conservadores.
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