Postado em 15 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – A ministra da Economia da França, Christine Lagarde, concedeu uma entrevista ao diário francês Le Figaro, publicada na edição de hoje (clique aqui para ler a entrevista). Lagarde ressalta a necessidade de uma intervenção coordenada dos países membros do G7 com vistas a minimizar os impactos da crise econômica iniciada no mercado imobiliário subprime dos EUA.
A ministra também destaca a importância no que se refere à criação de regras de governança e transparência nas transações financeiras e no balanço das instituições financeiras. Entretanto, Lagarde não considera o fato de que a crise é um produto inevitável do capitalismo.
Mais do que isso. Na etapa da globalização financeira, das finanças desregulamentadas, em que imperam os regimes de câmbio flexível, a livre mobilidade dos fluxos de capitais e o desenvolvimento de sofisticados produtos derivativos, que potencializam sobremaneira a capacidade de alavancagem financeira dos agentes, a crise torna-se ainda mais presente e suas conseqüências mais cruéis. Basta olhar a História recente (clique aqui para ler mais sobre esta discussão).
Portanto, talvez seja a hora de repensar o arranjo monetário internacional. A adoção de medidas como regimes cambiais administrados, restrições aos fluxos de capitais de curto prazo, limitação na criação e disseminação de produtos derivativos, poderiam trazer mais estabilidade ao sistema financeiro, privilegiando a “economia real” e aumentando as taxas de crescimento e de emprego das economias.
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Postado em 14 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – Os principais diários europeus destacam a possibilidade concreta de uma crise alimentar planetária, que pode colocar cerca 100 milhões de pessoas na miséria. O aumento significativo dos preços dos itens alimentícios tem preocupado até as organizações multilaterais. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, fez um apelo para que os governos intervenham de forma a evitar a escalada dos preços dos alimentos.
O Banco Mundial estima que o preço dos alimentos tenha aumentado em 83% nos três últimos anos. Só o trigo aumentou 181% no mesmo período. De fato, uma crise de tal magnitude pode, e deve, agravar as tensões sociais. O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alerta para o fato de que tais crises inevitavelmente terminam em guerras.
A crise alimentar pode ter três causas. A primeira delas pode ser o aumento considerável da população mundial. A segunda causa seria o fato de que o aumento da produtividade agrícola não se daria de forma satisfatória. Quanto a estes dois pontos, não há muito a fazer no curto prazo. Por fim, a escassez de alimentos está associada ao uso da terra. Um mundo com terras concentradas e / ou utilizadas para fins não alimentares é o palco propício para crises deste tipo. Vale uma reflexão para o governo brasileiro no que tange ao projeto do biodiesel, que significa plantar cana para encher tanque de gasolina para a classe média norte-americana e européia.
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Postado em 12 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Blog Logística e Transporte
Por José Augusto Valente*
A American Airlines anunciou que cancelou 933 vôos nesta quinta-feira (10) enquanto continua a inspecionar a fiação de aeronaves MD-80. Com esses cancelamentos, o número de vôos que ficaram em terra desde terça-feira beira os 2.500.
Os cancelamentos na maior companhia aérea dos Estados Unidos têm causado problemas nos aeroportos mais movimentados do país.
Mais de 100 mil passageiros foram afetados pelos cancelamentos, estima a companhia aérea.
A companhia cancelou mais de 1.000 vôos na quarta-feira e 460 na terça-feira.
Há duas semanas, a empresa havia cancelado centenas de vôos pelo mesmo motivo.
Leia mais no G1
Atentem para o fato de que há duas semanas a empresa havia cancelado centenas de vôos pelo mesmo motivo.
Nesta semana, foram 460 na terça e mais de 1.000 na quarta-feira.
Se fosse no Brasil, vocês já devem estar imaginando o carnaval que a Oposição estaria fazendo…
Manchetes diárias na primeira página de todos os jornais, matéria central na Veja e pedido de CPI do MD-80.
* José Augusto Valente: engenheiro e trabalho há 35 anos na área de transportes. Fui Presidente do DER-RJ em 2002 e titular da Secretaria de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes, no período de maio/2004 a junho/2007. Atualmente atuo como Consultor em Logística e Transporte.
Currículo.
Meu e-mail para contato é: joseaugustovalente@gmail.com
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Postado em 11 dEurope/London abril dEurope/London 2008
A relação centro X periferia já não é mais a mesma. A riqueza mundial está em franco processo de descentralização, o que certamente representa um novo paradigma no contexto econômico internacional…
*Postado por Elizabeth Cardoso
Publicado originalmente na seção Opinião do Valor Online (restrito a assinantes), em 11/04/2008
Por Javier Santiso*
Os mercados financeiros encontraram um novo conceito com o qual tentam rifar a queda livre dos rendimentos nos países da OCDE. Agora eles falam de desacoplamento para indicar a maior capacidade de resistência das economias emergentes à crise que desponta a partir dos Estados Unidos. Este conceito, porém – em contradição com o de globalização, também defendido pelos mercados financeiros – é insuficiente na hora de tomar o pulso da mudança tectônica que estamos presenciando.
O que estamos vivendo é uma mudança de época e de paradigma que se assemelha a uma grande transformação, para parafrasear o economista húngaro Karl Polanyi. Os equilíbrios e as riquezas dos países estão se redesenhando a grande velocidade com a emergência de novos países, através da China, Índia, Brasil, México, África do Sul e Rússia, para mencionar as economias de ponta, que emergem a partir daquelas que até anteontem eram denominadas países em desenvolvimento.
Esta emergência é o principal evento econômico internacional deste início de milênio. Não se trata de uma espuma passageira, mas de uma onda profunda duradoura. Há 50 anos, as economias da OCDE concentravam 75% do PIB mundial. Agora, sua parcela se aproxima de apenas 55% do PIB mundial. A maior parte do crescimento mundial destes últimos anos se situa nas economias emergentes. Leia o resto do artigo »
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Postado em 11 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Leia e veja que interessante o artigo escrito por Mauro Santayana ao falar da China, ele conta o processo de colonização e cita também o grande desenvolvimento econômico e militar chinês.
*Postado por Kátia Alves
Publicado originalmente na Revista do Brasil
Por Mauro Santayana
Ao fazer a famosa observação – “Quando a China despertar, o mundo tremerá”
Napoleão Bonaparte sabia do que estava falando.
Em 1816, ao regressar da China, lorde Amherst passou pela Ilha de Santa Helena, no Atlântico. Não havia ainda o Canal de Suez, e a rota para a China contornava a África do Sul, seguindo o caminho descoberto pelos portugueses. Os navios se abasteciam ali de água potável e de alimentos. Era também a prisão de Napoleão Bonaparte, depois de ter sido derrotado pelos ingleses na batalha de Waterloo. Era a segunda vez que a missão inglesa fracassara ao tentar estabelecer relações diplomáticas com o governo imperial da China. A primeira fora conduzida por lorde McCartney. O motivo dos insucessos fora singelo: os ingleses se recusaram a expressar sua obediência ao imperador, mediante a cerimônia do kou-tou, que era prostrar-se e bater nove vezes com a cabeça no piso.
Amherst visitou o prisioneiro. Ao saber que a missão do interlocutor à China fora frustrada, Napoleão fez a observação famosa: “Quando a China despertar, o mundo tremerá”. Sabia do que falava. A China era inquietante realidade. Durante milênios, o “Celeste Império do Meio” estivera tão distante quanto o outro lado da lua. E não era só a China, eram todos os “amarelos”: japoneses, coreanos, indochineses, que, no fundamental, tinham a mesma forma de ser, pensar e agir. Os ingleses se vingaram da “desfeita” do imperador. A partir de modesta concessão dos chineses, iniciaram o comércio nas costas do grande país. Leia o resto do artigo »
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Postado em 11 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Valor Econômico, 11/04/2008
Por Cristiane Perini Lucchesi
“Agora somos todos keynesianos”. A famosa frase – dita pelo monetarista Milton Friedman em 1965 à revista “Time” e pelo ex-presidente americano Richard Nixon ao acabar com o padrão ouro, em 1971 – está de volta à ordem do dia. Afinal, o livre e desregulamentado mercado dá sinais de fraqueza inconteste e tem pedido cada vez mais a ajuda do Estado. A inadimplência nas hipotecas americanas gerou uma crise de solvência entre os bancos dos países ricos que foram, pouco a pouco, socorridos pelos diversos governos.
A necessidade de ampliação dos gastos públicos para evitar uma recessão maior passou a ser defendida por personalidades tão díspares quanto o presidente americano George W. Bush, passando por seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, e pelos candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Barack Obama. Bancos centrais, governos e até mesmo instituições financeiras privadas passaram a discursar em favor de mudanças na regulamentação para o sistema financeiro e de melhorias na atuação de entidades regulatórias em todo o mundo.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o ministro da Economia, Alistair Darling, tiveram de explicar a nacionalização do Northern Rock em fevereiro, após o socorro público ao banco, com empréstimos que chegaram a 55 bilhões de libras esterlinas (US$ 109 bilhões). O presidente do Fed, Ben Bernanke, teve de ir ao Congresso na semana passada para justificar o empréstimo de US$ 30 bilhões feito para o JPMorgan comprar o quebrado Bear Stearns, aceitando como garantia justamente títulos chamados de “lixo tóxico”, vinculados a hipotecas. Leia o resto do artigo »
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Postado em 11 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O Banco Central Europeu decidiu, por unanimidade, manter a taxa de juros básica da União Européia, em reunião realizada nesta quinta-feira em Frankfurt. A taxa de juros está fixada em 4% ao ano.
A justificativa da autoridade monetária é a de que pressões inflacionárias podem comprometer o funcionamento da economia européia. Como conseqüência, o euro atingiu um nível recorde em relação ao dólar. Cada euro chegou a ser negociado por 1,59 dólar.
A decisão do BCE não ajuda os EUA e tampouco indica uma preocupação com a crise econômica mundial. O dólar continua no penhasco, o crescimento econômico segue comprometido, inclusive na zona do euro, mas a autoridade monetária privilegia a inflação. Em breve, a União Européia receberá a amarga fatura.
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Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
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Postado em 10 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O déficit comercial dos EUA atingiu a marca de US$ 62,3 bilhões em fevereiro de 2008. Nem a desvalorização do dolar pode mitigar o desastre ja anunciado. Aparentemente, o FED tera de fazer uma escolha muito dificil.
Caso opte por uma politica monetaria restritiva, o que não parece o caso até agora, o mundo podera sofrer ainda mais com os desdobramentos da crise mundial. No caso da opção por uma polîtica mais generosa, o dolar pode perder cada vez mais espaço na economia mundial.
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