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Blog do Desemprego Zero

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Alemanha quer a criação de Conselho Econômico da ONU

Postado em 9 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: O Estado de S. Paulo

Merkel e Sarkozy discutem propostas para reformular o sistema financeiro mundial, que serão levadas ao G-20

Andrei Netto, PARIS

A chanceler alemã, Angela Merkel, propôs ontem, em Paris, com a anuência do governo francês, a criação do Conselho Econômico das Nações Unidas, um órgão com o mesmo status do Conselho de Segurança. A proposta seria completada por um documento “universal”, a Declaração por uma Economia Racional de Longo Prazo, que nortearia a regulação dos mercados financeiros, das taxas de juros e das políticas monetárias de todo o mundo. O projeto é uma prévia da proposta que a União Europeia levará à reunião do G-20, marcada para 2 de abril, em Londres.

As proposições foram apresentadas durante seminário sobre a Nova Ordem Econômica Mundial promovido pelo Palácio do Eliseu, com a presença do presidente Nicolas Sarkozy. Até aqui criticados por não agirem em perfeita sintonia, Merkel e Sarkozy demonstraram perfeito entrosamento em torno do projeto de refundação do sistema financeiro. Leia o resto do artigo »

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BC britânico reduz juros para menor patamar desde 1694

Postado em 8 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: Uol Economia

O Banco da Inglaterra reduziu nesta quinta-feira sua taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 1,5% ao ano, um número nunca atingido desde a fundação da instituição, em 1694. O objetivo é evitar que o Reino Unido entre em uma longa recessão.

O juro básico chegou a esse patamar depois de sucessivos cortes realizados pelo banco central britânico. Em outubro, a taxa estava em 5% ao ano.

O corte desta quinta-feira era amplamente esperado pelos analistas da City de Londres (centro financeiro), mas alguns não descartavam que o comitê monetário – formado por nove pessoas – reduzisse os juros para 1%.

“A confiança dos negócios e do consumidor caiu consideravelmente. O crescimento comercial mundial pode ser este ano o mais fraco em muito tempo”, afirmou a instituição em nota. Leia o resto do artigo »

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2009: crise do capitalismo generalizará e aprofundará a barbárie

Postado em 8 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: Correio da Cidadania 

Escrito por Valéria Nader   

2009 inicia-se sem o costumeiro frescor característico dos anos novos. A explosão da crise financeira mundial em setembro de 2008, ainda que não tenha sido uma surpresa para economistas e analistas que acompanhavam a realidade com seriedade, deixou a todos estupefatos com a velocidade pela qual se propagou do epicentro da crise nos EUA para outros países centrais e emergentes. Em nosso país, encerrou-se precocemente nesse setembro um ciclo de crescimento de 4 anos, aproveitando-se de uma conjuntura internacional extremamente favorável e após longo período de taxas medíocres de evolução de nossa economia  

É enorme a quantidade de interrogações a respeito do que reserva este momento para as populações de todo o planeta, que iniciam o ano sob a angústia da incerteza quanto à duração e profundidade da mais severa crise econômica desde os anos 30 do século passado. Para discutir essa crise e os seus possíveis desdobramentos, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Mário Maestri.  

Para ele, apesar de o Brasil ter conseguido crescer em outros momentos de crise profunda, como na 2ª Guerra, desta vez a história deve ser distinta. O país se equivoca ao apostar no mercado externo, em detrimento do interno, para evitar a anunciada retração econômica.  

Mais do que nunca, o momento seria de retomar a consciência da classe trabalhadora no sentido de se recuperar a unidade perdida no passado, o que tanto a alienou. Porém, tal processo não encontra as melhores possibilidades dentro do Brasil, obrigando os movimentos e o proletariado a ficarem atentos ao perigo de se reafirmarem novas derrotas populares.  

Crítico da esquerda, que parece cada vez mais capitular ao jogo institucional burguês, Maestri acredita que se “deve construir uma nova política, que favoreça a constituição do mundo do trabalho como sujeito social central”, alertando que tempos de dureza para o povo não necessariamente alavancam revoluções populares e libertárias, como atestam diversos casos do século 20.

 Correio da Cidadania: Em entrevista ao Correio da Cidadania em fins de 2007, você afirmava que a economia mundial avançava puxada fortemente pelo consumo dos EUA e da China, já sob o signo de uma próxima crise geral. Na sua opinião, a crise mundial que vivemos é apenas do modelo neoliberal ou do próprio capitalismo?  

Mário Maestri: Em dezembro de 2007, lembrava que a expansão da economia brasileira se instalara tardiamente, em relação às nações ditas emergentes, devido à submissão do governo Lula da Silva ao capital financeiro. A economia brasileira incorporou-se, timidamente, apenas em 2006 ao grande boom expansivo geral de 2002. Em 2005, o PIB do Brasil empacava em 2,3%, para avançar timidamente, em 2006, para 3,7%, enquanto países como Argentina, China, Índia, Venezuela dobravam, havia anos, aquela taxa.  

Naquele então, os membros e apologistas do governo neoliberal de Lula da Silva declaravam que o atraso da economia nacional em despegar devia-se à construção consciente de bases econômicas “sólidas” e “responsáveis” que garantiriam anos de expansão “auto-sustentada”. E não à ditadura dos banqueiros e do pagamento incondicional da dívida.  

Após o crescimento do PIB em 2007 em 5,4%, que deve se repetir em 2008, o Brasil se prepara para expansão entre 2 e 3% em 2009, deixando o altaneiro “vôo de águia” pomposamente anunciado pelo senhor Lula da Silva, em agosto, para retornar ao velho “vôo de galinha” espavorida, no melhor dos casos. Em verdade, começamos mal equipados nossa viagem ao coração da tempestade, que se afigura como crise geral da economia capitalista, e não mero solavanco neoliberal.   Leia o resto do artigo »

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Renda básica universal é direito a escolher própria forma de vida

Postado em 5 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

“A concepção republicana de liberdade é muito exigente. Liberdade e igualdade são dois fatores indissociáveis. Hoje, grandes fortunas convivem com milhões de miseráveis. As desigualdades sociais são causa da falta de liberdade para milhões de pessoas. A proposta de uma renda básica universal não se reduz à invocação de um direito humano a uma subsistência mínima. Ela se baseia numa concepção de justiça que assegure a cada pessoa não apenas a possibilidade de consumir, mas também de escolher sua forma de vida. A análise é de Daniel Raventós.”

Publicado em: Agência Carta Maior

Por: Daniel Raventós

No começo de novembro de 2007, no marco do Fórum das Culturas que se celebrou na cidade mexicana de Monterrey, aprovou-se mais ou menos solenemente uma declaração intitulada “Declaração Universal de Direitos Humanos Emergentes” (1). Esta declaração era na realidade a continuação, depois de amplos e, em minha opinião, muito oportunos retoques e esclarecimentos de uma primeira, que já havia sido anunciada em Barcelona três anos antes, em setembro de 2004, também no marco do Fórum das Culturas. No terceiro item do primeiro artigo pode ler-se:

“O direito à renda básica ou renda cidadã universal, que assegura a toda pessoa, independente de sua idade, sexo, orientação sexual, estado civil ou condição laboral, o direito a viver em condições materiais de dignidade. Com esse fim se reconhece o direito a uma renda monetária incondicional, sufragada com reformas fiscais e a cargo dos orçamentos do Estado, como direito de cidadania, a cada membro residente da sociedade, independentemente de suas outras fontes de renda, que seja adequada para arcar com suas necessidades básicas.”

Se este artigo da Declaração de Monterrey tem alguma importância (por ora, quiçá apenas simbólica) é porque não fala de um direito à subsistência ou a ter o mínimo para viver assegurados ou algo parecido, senão que explicitamente defende “o direito à renda básica ou renda cidadã universal”. “Renda básica” é como se conhece na Europa, Canadá, África do Sul, Austrália e Estados Unidos, principalmente, a proposta que o mesmo artigo define; “renda cidadã universal” é como a mesma proposta é mais conhecida em países da América Latina (especialmente Argentina, Brasil e México, onde há seções oficiais do Basic Income Earth Network (2) ou em processo de serem estabelecidas).

A importância da concretização desse “novo direito emergente” numa renda básica ou renda cidadã universal, tão evidentemente claro na Declaração de Monterrey, pode resumir-se indiretamente com as palavras com as quais Philippe Van Parijs, um dos principais motores do BIEN, respondeu numa entrevista a Benedetta Giovanola (3), no final de 2005:

“A invocação de um direito humano a uma subsistência mínima não bastaria para justificar uma proposta dessas, pois um direito desse tipo poderia ver-se cumprido através dos sistemas de assistência social convencionais, focalizados sobre os pobres e que requerem desses a disposição para trabalhar. Uma justificação adequada requer o chamamento a uma concepção de justiça ancorada na aspiração de dotar cada um não apenas da possibilidade de consumir, mas também de escolher sua forma de vida.” Leia o resto do artigo »

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Nada será como antes

Postado em 4 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: CartaCapital

Por: Emiliano José

Balanço de ano deve ser feito? Sim, se não for apenas para cumprir tabela. Penso que cada ano deve estar inscrito num cenário bem mais amplo do que as fronteiras ditadas pelo calendário. E o balanço de 2008 necessariamente nos remete a 1929, ao crack, à crise que parecia abalar os alicerces do capitalismo. Houve quem dissesse que outros tempos se avizinhavam, que ali era o ponto terminal do mais vigoroso modo de produção da história. Não foi. 

Se me remeto a 1929, o faço por conta da crise econômica atual, que fez o mundo tremer, de Norte a Sul, e que atinge de fato a todos que habitam a face dessa terra. Não há hipótese de fazer balanço de 2008 sem que tratemos da crise, conseqüências e perspectivas. Sei que muitos já se referiram a 1929. Eu volto àquela data apenas para situar uma posição: novamente não estamos às portas do embate final. O céu não parece estar perto. Ou, se quiserem, o Apocalipse ainda não tocou as suas trombetas. 

Claro que diante da crise há uma direita obrigada a rever conceitos. Sobretudo porque até há pouco tempo, não poucos intelectuais que bebem nas fontes do pensamento neoliberal, proclamavam que o mercado continuava de vento em popa, que o capitalismo financeiro gozava de perfeita saúde, e que o mundo continuaria a prosperar sob a lógica implacável da economia privada. Hoje, muitos deles, inclusive muitos jornalistas embevecidos com pensamento neoliberal, começam a ensaiar mudanças, mesmo que tímidas. 

Que a crise é grave, besteira reiterar. Está aí para quem quiser ver. As conseqüências já batem à porta, e dos mais pobres de modo particular. O desemprego vai crescer em escala assustadora em todo mundo. Já está crescendo. Essa crise marca 2008 para sempre. Há quem diga que o mundo tem que ser repensado. E creio que tem mesmo. Só que nada é simples, muito menos o é se falamos do capitalismo e suas manhas e artimanhas. Esta não é a primeira e não será a última crise econômica grave sob o capitalismo, já se viu.  Leia o resto do artigo »

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Melancólico desfecho neoliberal

Postado em 31 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Por Eduardo Graça

Fonte: CartaCapital

Madison Square Garden lotado, quase terça-feira de uma noite gélida em Manhattan, e Neil Young interrompe subitamente a série de clássicos de seu repertório para encarar o público com uma pergunta direta: “Gente, para onde foi todo o dinheiro?” Pasma, a audiência, que vinha cantando alegre os refrões de Hey, Hey, My My e Cinnamon Girl, cala-se para ouvir o compositor de 63 anos apresentar sua nova melodia, composta em cima de temas como Onde está o dinheiro?/ E o lucro, com quem ficou? A nova música de Young – Cough Up The Bucks – traduz com exatidão o sentimento de milhares de nova-iorquinos, ainda em estado de choque com a revelação do que deve ser o maior esquema em pirâmide da história do capitalismo, um rombo de 50 bilhões de dólares, orquestrado nas barbas do governo Bush, em meio a uma crise financeira de proporções gigantescas.

O que nem os velhos hippies poderiam imaginar é que na semana em que mais um nome graúdo de Wall Street, o administrador de fundos Bernard Madoff, entraria para a lista de vilões de uma era com fim oficial marcado para o dia 20 de janeiro, um jornalista iraquiano de uma das mais pobres comunidades de Bagdá seria tratado como herói.

Muntadar Al-Zaidi, de 29 anos, ficou mundialmente famoso ao atirar seus sapatos número 44 no presidente George Bush e chamá-lo de cachorro, uma das mais graves ofensas no mundo árabe. Preso em seguida, tornou-se um símbolo do antiamericanismo e seu gesto inspirou protestos nos quatro cantos do planeta. A visita de Bush ao Iraque, que o expôs às sapatadas de Al-Zaidi, fazia parte do que os meios de comunicação americanos apelidaram de “Turnê do Legado”, ou, em versão mais maldosa, “Magical Lagacy Tour” (uma referência ao famoso álbum Magical Mistery Tour, dos Beatles), uma iniciativa da administração republicana para destacar o que consideram os aspectos positivos dos oito anos em Washington. Nos últimos dias, o presidente e o vice, Dick Cheney, deram seguidas entrevistas às redes de tevê aberta mais importantes dos EUA, justificando a invasão do Iraque, batendo na tecla de que a segurança interna do país foi fortalecida, celebrando a redução de impostos para os mais ricos, os 52 meses seguidos de criação de empregos e até mesmo assumindo o uso de métodos de tortura, como o afogamento simulado contra prisioneiros de guerra, em nome da proteção dos americanos.

O equívoco de fazer este balanço de oito anos de governo, prática comum na democracia americana, é gritante no caso de Bush, de acordo com Howard Fineman, colunista do semanário Newsweek, porque “ele simplesmente não tem uma grande história para contar”. “Sua herança, na narrativa dos próprios republicanos, reduz-se ao fato de que os EUA não foram atacados em solo americano uma segunda vez”, acrescenta. O jornalista lembrou ser no mínimo contraditório o presidente vangloriar-se pelo fato de ter levado a guerra contra o terror para o Oriente Médio, bem longe da terra do Tio Sam. Quando confrontado pelo entrevistador da ABC com o fato de a Al-Qaeda somente ter entrado em território iraquiano após a invasão americana, Bush, ar habitual de Alfred E. Newman, devolveu: “E daí?”

Em uma semana de imagens fortes e pouco edificantes, nada se comparou ao gesto catártico de Al-Zaidi, a sapatada “em nome das viúvas iraquianas”. Depois de levar uma surra dos seguranças do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, o repórter televisivo foi detido e pode ser condenado à pena de até oito anos por agressão física contra um líder estrangeiro em visita oficial ao país. Tratado como herói nacional em todo o mundo árabe, o jornalista e seus sapatos jogados contra Bush foram mais ou menos discretamente saudados até mesmo nos órgãos de imprensa dos EUA, com a ressalva de que “não se deve cair na tentação de comemorar um ato desrespeitoso contra o primeiro-mandatário do país”. Além das piadas nos talk shows, da proliferação de jogos pela internet em que o usuário, ao contrário do jornalista, de fato acerta os sapatos no presidente, a imagem transformou-se na “mais icônica da era Bush, pois captura como nenhuma outra o sentimento do mundo em relação ao nosso presidente”, de acordo com o editor-associado do Washington Post, Eugene Robinson.

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Artigo para reflexão: Where do we go from here?

Postado em 31 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

By Robert Skidelsky

The markets have ruled for a third of a century, but it has all ended in tears. A return to selfish nationalism is possible. If we are to avoid this sombre outcome, we must find ways to rub the rough edges off globalisation.

Any great failure should force us to rethink. The present economic crisis is a great failure of the market system. As George Soros has rightly pointed out, “the salient feature of the current financial crisis is that it was not caused by some external shock like Opec… the crisis was generated by the system itself.” It originated in the US, the heart of the world’s financial system and the source of much of its financial innovation. That is why the crisis is global, and is indeed a crisis of globalisation.

There were three kinds of failure. The first, discussed by John Kay in this issue, was institutional: banks mutated from utilities into casinos. However, they did so because they, their regulators and the policymakers sitting on top of the regulators all succumbed to something called the “efficient market hypothesis”: the view that financial markets could not consistently mis-price assets and therefore needed little regulation. So the second failure was intellectual. The most astonishing admission was that of former Federal Reserve chairman Alan Greenspan in autumn 2008 that the Fed’s regime of monetary management had been based on a “flaw.” The “whole intellectual edifice,” he said, “collapsed in the summer of last year.” Behind the efficient market idea lay the intellectual failure of mainstream economics. It could neither predict nor explain the meltdown because nearly all economists believed that markets were self-correcting. As a consequence, economics itself was marginalised.

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“O neoliberalismo está morto nos EUA” – Michael Hardt.

Postado em 29 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Michael Hardt é cauteloso com seus pensamentos e palavras. Usa pausas a seu favor para evitar falsos julgamentos. Filósofo político reconhecido em diferentes círculos, professor de Literatura pela Universidade de Duke (EUA) e autor, junto com o filósofo italiano Antonio Negri, de Império e Multidão – Guerra e democracia na era do império (ed. Record), participou no Rio de Janeiro, entre 15 e 17 de dezembro, do Fórum Livre de Direito Autoral – O Domínio do Comum, realizado pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Ministério da Cultura (MinC) e a Rede Universidade Nômade. Dos convidados mais ilustres do evento – sua apresentação sobre as relações entre o conceito de revolução e propriedade gerou comentários durante os três dias de debates -, vê com claridade o fim do unilateralismo e do neoliberalismo nos Estados Unidos. São afirmacões fortes, seguidas dos devidos motivos. Também celebra o fim dos anos Bush, e as novas oportunidades com a chegada de Barack Obama à Casa Branca. Sua maior vitória, diz Hardt, será estabelecer um modelo de governo semelhante ao dos líderes de esquerda da América Latina, capazes, segundo o filósofo, de abrir espaços para os movimentos sociais.

Fonte: CartaCapital

CartaCapital: Como definiria a vitória de Obama?

Michael Hardt: Ela representa muitas coisas, mas uma muito importante é a poderosa mudança simbólica nos Estados Unidos. De certa forma, é o mesmo de quando Lula foi eleito pela primeira vez: há um sentimento, uma identificação, por parte da população com o ‘alguém como eu’ [vitorioso nas eleições]. Para outra porção ainda maior da população norte-americana, e por causa da raça de Obama e de sua cor de pele, a vitória nas eleições opera como uma renovação da crença das pessoas no país. Para essa porção de norte-americanos, e depois de 20 ou 30 anos de incapacidade de se sentir orgulhosos de seu país, a vitória revive a sensação de que eles pertencem a uma grande nação. Além disso, o fato de um homem negro ocupar a Casa Branca é uma sinalização de que o país não é confiável apenas em questões de guerras, armas ou outros temas relacionados.

CC: O que dizer da prática?

MH: Ainda é impossível prever o quanto dessa mudança simbólica se revertirá em transformações práticas das estruturas de racismo do país. Alguns gostariam de dizer que não há mais racismo, uma vez que um homem negro ocupará a Casa Branca. Obviamente, não é verdade. A questão é que tipo de transformações e movimentos sociais serão possíveis com a presidência de Obama, tanto pelas suas ações quanto por essa mudança simbólica. A eleição de Obama resulta dos movimentos negros e de direitos civis de 40 anos atrás. Sem eles, a vitória não seria possível. É uma realização que abre uma nova luta social, e por isso é um momento decisivo na história do país.

CC: No Brasil, muitos consideraram – e ainda consideram – a vitória de Lula como uma revolução política e social para o país. O que diria de Obama?

MH: Definitivamente, não se trata de uma revolução. Obama terá muita dificuldade em mudar o que seja. Ele tem duas guerras e uma crise financeira. Apesar de suas intenções, e as de ordem política não estão claras para mim, Obama não possui um discurso específico sobre diferentes temas. Não sabemos exatamente o que fará uma vez ocupe a presidência. O mais prometedor serão os movimentos sociais que se tornarão possíveis com a vitória nas eleições. Muitas pessoas envolvidas em diferentes mobilizações sociais, como a globalização e o racismo, se mobilizaram em torno da eleição de Obama. A dúvida é o que elas farão a partir de agora. Voltarão para casas ou iniciarão uma cooperação? Leia o resto do artigo »

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