Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Jornal da Ciência
Presidente dos EUA estaria disposto a negociar regras sobre o nível de CO2 que as indústrias americanas poderão emitir
O presidente dos EUA, Barack Obama, espera que uma legislação sobre mudanças climáticas fique pronta ainda este ano. Segundo a presidente do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca, Nancy Sutley, Obama está disposto a negociar regras sobre o nível de CO2 que as indústrias americanas poderão emitir.
Pelo projeto apresentado no mês passado por dois congressistas do Partido Democrata, Edward Markey e Henry Waxman, os EUA teriam de reduzir em 20% até 2020 as emissões de gases associados ao aquecimento global. Usinas de energia e indústrias que emitissem menos CO2 que o estipulado poderiam comercializar seus créditos de carbono.
A Casa Branca “ainda avalia” o projeto e espera que outras propostas sejam apresentadas nos próximos meses, disse Sutley. “O presidente pediu que um projeto de lei seja enviado a ele ainda este ano”, acrescentou.
Sutley afirmou que o governo está aberto a negociações sobre as permissões que serão concedidas às empresas para emitirem CO2 e quanto dessas autorizações elas poderão comercializar. “Eu acho que essa ainda é uma área para discussão.”
O sistema de crédito de carbono nos EUA deve entrar em vigor em 2012, mas a assessora do presidente disse que ainda é cedo para dizer quando o modelo americano poderá ser integrado ao modelo já em funcionamento da União Europeia. Autoridades europeias acreditam que a criação de um sistema americano daria um novo impulso ao mercado internacional de créditos de carbono.
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Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Martin Wolf
Fonte: Valor Econômico, 15/04/2009.
Os EUA estão presos entre o medo das elites ante a possibilidade de falências e o repúdio popular aos resgates
Os Estados Unidos são a Rússia? A pergunta parece provocativa, se não ultrajante. O autor da pergunta, no entanto, é Simon Johnson, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor da Sloan School of Management, no Massachusetts Institute of Technology. Em artigo na edição de maio do “Atlantic Monthly”, o professor Johnson compara o controle da “oligarquia financeira” sobre as políticas dos EUA com o das elites empresariais em países emergentes. Tais comparações fazem sentido? A resposta é “sim”, mas apenas até certo ponto.
“Em sua profundidade e subitaneidade”, argumenta o professor Johnson, “a crise econômica e financeira dos EUA é surpreendentemente rememorativa de momentos que vimos recentemente nos mercados emergentes”. A similaridade é evidente: grandes influxos de capital estrangeiro; crescimento tórrido do crédito; alavancagem excessiva; bolhas nos preços dos ativos, particularmente nas propriedades; e, por fim, a catástrofe financeira e desabamento do preço dos ativos.
“Mas”, acrescenta o professor Johnson, “há uma similaridade mais profunda e perturbadora: os interesses da elite empresarial – financistas, no caso dos EUA – desempenharam papel central na criação da crise, até o colapso inevitável”. Além disso, “a grande riqueza que o setor financeiro criou e concentrou deu aos banqueiros enorme peso político”.
Agora, argumenta o professor Johnson, o peso do setor financeiro está evitando a resolução da crise. Os bancos “não querem admitir a extensão total de suas perdas, porque isso provavelmente os exporia como insolventes [...] Este comportamento é corrosivo: bancos doentes ou não emprestam (para acumular dinheiro e reforçar as reservas), ou fazem apostas desesperadas em créditos e investimentos de alto risco que podem trazer grandes recompensas, mas provavelmente não compensam no fim das contas. Seja qual for o caso, a economia sofre ainda mais e, enquanto sofre, os próprios ativos dos bancos continuam a deteriorar-se – criando um ciclo altamente destrutivo”. Leia o resto do artigo »
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Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Paulo Passarinho
Obama, o presidente dos Estados Unidos, ao chamar Lula de “meu chapa”, em meio a outras referências pessoalmente simpáticas ao nosso presidente, talvez tenha revelado, em termos políticos, um significado do que representa, hoje, o ex-operário e ex-sindicalista, no mundo da política hegemonizada pelas grandes potências.
São notórias as dificuldades em que se encontram os países líderes da Europa, o Japão e a superpotência norte-americana. A crise econômica que assola o mundo capitalista superdesenvolvido já apresenta desdobramentos inevitáveis, em termos sociais e políticos. Esforços têm sido feitos por esses países, em ações coordenadas pelos seus respectivos bancos centrais, desde o segundo semestre de 2007, para estancar uma crise que está muito longe de ser meramente uma deformação da conduta de bancos e financeiras, ou de executivos acostumados a orientar a maquiagem dos balanços das instituições que dirigem.
As populações desses ditos países do primeiro mundo possuem uma consciência de seus direitos como cidadãos, que obriga a própria direita desses países a respostas que não podem e não devem implicar retrocessos que ameacem conquistas que se consolidaram nas últimas décadas, mesmo levando-se em conta as experiências de natureza neoliberal. Leia o resto do artigo »
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Postado em 15 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Não é preciso usar a palavra “nacionalização” se ela incomoda as pessoas, mas alguma forma que permitisse que investigadores independentes, investigadores do governo tivessem acesso aos livros e descobrissem o que eles estão fazendo, quem deve o quê a quem, que é a base de qualquer forma de mudança. Não há uma lei da natureza que diga que as empresas têm apenas de se dedicar a dar lucro aos seus acionistas. Nem sequer está na lei. Na sua maioria são decisões de tribunais e decisões de gestão e por aí adiante. É perfeitamente concebível que as empresas, se existem, sejam responsáveis diante dos acionistas, da comunidade, dos seus trabalhadores. No essencial, o sistema funciona assim: o público paga os custos e assume os riscos, e os lucros são privatizados.
O governo poderia ter comprado a AIG ou o Citigroup por muito menos do que está gastando agora. Numa sociedade democrática, o governo deveria seguir os interesses do povo, e haver um compromisso público direto no que estas instituições devem fazer e como elas devem distribuir o seu dinheiro, em que termos, etc. Podiam ser democraticamente geridas pelos seus trabalhadores, pela comunidade.
Mas a nacionalização é só um passo em direção à democratização. A questão é quem as gere, quem toma as decisões, quem as controla. Agora, nas instituições nacionalizadas, as decisões ainda são tomadas de cima para baixo, mas não tem de ser assim. Não há uma lei da natureza que diga que não podem ser administradas democraticamente.
A mania de desregulação dos últimos 30 anos, baseada em conceitos religiosos realmente fundamentalistas sobre a eficiência dos mercados em grande parte desapareceu, e muito rapidamente. Veja por exemplo Lawrence Summers, que é hoje praticamente o principal conselheiro econômico de Obama, conseguiu reconstruir o sistema regulatório que ele destruiu há poucos anos. Ele foi um dos principais a impedir o Congresso a regulamentar os derivados e outros instrumentos exóticos, sob a influência destas idéias sobre eficiência dos mercados e escolha racional, etc. Essas idéias estão agora muito abaladas, e parte do aparelho regulatório vai ser reconstruído. Mas a história disto é muito clara e fácil de entender: os sistemas de regulação tendem a ser tomados pelas empresas que deveriam regulamentar. Foi o que aconteceu com as ferrovias e outros casos. E é natural. Elas têm o poder, poder concentrado, capital concentrado, influência política enorme – de certa forma regem o governo. Acaba que eles assumem o controle do aparelho regulatório no seu próprio interesse.
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Postado em 14 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Carta Maior
As adesões à greve de fome para forçar o Congresso a aprovar uma nova lei eleitoral se massificaram por toda a Bolívia nos últimos dias. A oposição, que na quinta-feira deixou sem quorum a sessão do Congresso, após a aprovação dos termos gerais da nova legislação eleitoral, negou-se a voltar ao parlamento. “Seguramente, pensaram em me vencer pelo cansaço”, disse o presidente Evo Morales, que já esteve em outras greves de fome desde que ingressou na luta sindical campesina, em 1985.
Por Pablo Stefanoni
Após as primeiras 30 horas de greve de fome, o presidente da Bolívia, Evo Morales, passou sem problemas pelo primeiro exame médico, realizado pelo ministro da Saúde, e pediu a seus seguidores que suspendam o jejum até a segunda-feira, para não prejudicar as celebrações da Páscoa. No entanto, as adesões à greve de fome para forçar o Congresso a aprovar uma nova lei eleitoral se massificaram em todo o país nos últimos dias. A oposição, que na quinta-feira deixou sem quorum a sessão do Congresso, após a aprovação dos termos gerais da nova legislação eleitoral, negou-se e voltar ao parlamento, apesar dos insistentes pedidos do vice-presidente boliviano e presidente do Congresso, Álvaro García Linera, que se comprometeu a cumprir os acordos firmados em uma comissão de concertação. Leia o resto do artigo »
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Postado em 14 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Carta Maior
Há mais de cinco anos o Tratado de Itaipu é contestado pelo Paraguai, o que se intensificou com a eleição de Fernando Lugo em abril do ano passado. As contas públicas do país vizinho mantêm elevada dependência da venda de sua cota de energia para o Brasil. No governo Lugo, essa demanda assumiu força de promessa de campanha. O país vizinho passou a exigir do Brasil a flexibilização da regra que obriga o Paraguai a vender seu excedente de energia ao sistema brasileiro.
Por Clarissa Pont
Abril é o mês crucial para o desenrolar do impasse entre Brasil e Paraguai sobre a energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu. Há três meses, o Brasil ofereceu um pacote ao país vizinho, como forma de compensar sua terceira resposta negativa ao pedido de alteração no Tratado de Itaipu. A resposta deve ser entregue pessoalmente pelo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma visita oficial ao Brasil agendada para 29 e 30 de abril. Mesmo assim, evidências mostram que possivelmente o embróglio siga por todo este ano, prazo máximo dado pelo Paraguai para que a questão se resolva em âmbito bilateral. Depois, disso, o país já afirmou que pretende entrar em cortes internacionais para a revisão do contrato.
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Postado em 13 dEurope/London abril dEurope/London 2009
by Simon Johnson
The crash has laid bare many unpleasant truths about the United States. One of the most alarming, says a former chief economist of the International Monetary Fund, is that the finance industry has effectively captured our government-a state of affairs that more
typically describes emerging markets, and is at the center of many emerging-market crises. If the IMF’s staff could speak freely about the U.S., it would tell us what it tells all countries in this situation: recovery will fail unless we break the financial oligarchy that is blocking essential reform. And if we are to prevent a true depression, we’re running out of time.
(…) the biggest obstacle to recovery, is almost invariably the politics of countries in crisis. Emerging-market governments and their private-sector allies commonly form a tightknit-and, most of the time, genteel-oligarchy, running the country rather like a profitseeking company in which they are the controlling shareholders. In a primitive political system, power is transmitted through violence, or the threat of violence: military coups, private militias, and so on. In a less primitive system more typical of emerging markets, power is transmitted via money: bribes, kickbacks, and offshore bank accounts. Although lobbying and campaign contributions certainly play major roles in the American political system, old-fashioned corruption-envelopes stuffed with $100 bills-is probably a sideshow today, Jack Abramoff notwithstanding.
Instead, the American financial industry gained political power by amassing a kind of cultural capital-a belief system. Once, perhaps, what was good for General Motors was good for the country. Over the past decade, the attitude took hold that what was good for Wall Street was good for the country.
Leia o artigo…
Simon Johnson, a professor at MIT’s Sloan School of Management, was the chief economist at the International Monetary Fund during 2007 and 2008. He blogs about the financial crisis at baselinescenario.com, along with James Kwak, who also contributed to this essay.
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Postado em 12 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Nouriel Roubini
Fonte: CartaCapital
O ritmo da contração da economia dos Estados Unidos vai desacelerar. Do tombo de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no primeiro trimestre deste ano, o fechamento de 2009 apresentará uma queda de 2%. O crescimento será tão pequeno, abaixo de 1% em 2010, com a taxa de desemprego em 10%, que tecnicamente o país já terá superado a recessão, mas o ambiente será de estagnação.
Na comparação com o consenso altista, que prevê aumento do PIB de 2% no terceiro e quarto trimestres deste ano, e o retorno ao crescimento potencial em 2010, minha análise é mais pessimista do que os economistas do mainstream. A queda de 2% do PIB no fim de 2009 é minha estimativa tanto para os EUA como para o restante do mundo. É uma pequena melhora, pois teremos então vivido uma séria recessão no formato de U e uma recuperação tênue em 2010.
Reza a lenda que o mercado acionário sempre antecipa o futuro. Nos últimos dezoito meses, tivemos seis fortes movimentos de baixa e os altistas sempre alardeavam que o início da recuperação estava próximo. Eles estavam totalmente errados, porque novas mínimas foram atingidas nas bolsas de valores. Como sempre fui considerado o Senhor Catástrofe, serei o primeiro a apontar que o fundo do poço só será atingido quando dados indicarem uma recuperação econômica sustentável e robusta.
A recessão ainda tem tons trágicos. Na Zona do Euro e no Japão, não há evidência de indicadores positivos. Nos EUA e na China, os dados estão bastante fracos. A ideia de que os preços das ações se comportam com base nas expectativas do que acontecerá em seis a nove meses é incorreta. Primeiro, já observamos seis fortes movimentos de baixa, sem indícios de que terão chegado a um fim. Em segundo lugar, um exemplo histórico. Em 2001, a recessão terminou em novembro, mas as ações continuaram a cair por mais dezesseis meses, até março de 2003, porque as empresas não conseguiram recuperar suas margens e as falências ainda aconteciam. Leia o resto do artigo »
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