Fonte: Iedi
Os setores aeroespacial, farmacêutico e de instrumentos médicos de óptica e precisão, considerados de alta intensidade tecnológica, foram os que melhor resistiram à crise econômica, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O estudo, que avaliou o desempenho de 19 macrossetores da indústria brasileira entre outubro de 2008 e março de 2009, avaliou que o setor de alta tecnologia conseguiu manter o nível de produção no período mais crítico da crise. Os dados referem-se à produção, e não à receita com vendas.
Segundo o Iedi, o melhor desempenho foi o do grupo de alta intensidade tecnológica, que cresceu 0,2% no período. Esse avanço ocorreu graças ao crescimento nos setores aeroespacial, farmacêutico e de instrumentos médicos de óptica e precisão. “Esse resultado se apoiou, em grande parte, na Embraer”, explica o economista Rogério César Souza, do Iedi.
Outro setor que apresentou bom desempenho em meio à crise foi o de alimentos, bebidas e fumo, considerados de baixa intensidade tecnológica.
O efeito mais intenso da crise se fez sentir nos grupos intermediários, de intensidade tecnológica média-baixa e média-alta. As maiores quedas de produção ocorreram nos setores de equipamentos para ferrovias e material de transporte (26,6%), veículos (23,1%), borracha e produtos plásticos (18,6%), máquinas e equipamentos mecânicos (17,3%) e elétricos (16,7%).
A produção total do universo avaliado caiu 10,3%, na comparação com o mesmo período em 2007/2008. O grupo de baixa intensidade tecnológica teve sua produção reduzida em apenas 4,5%. Esse resultado relativamente bom teve contribuições de alimentos, bebidas e tabaco, cuja diminuição ficou em 1,1%. Eles não apresentavam forte crescimento antes da crise (ao contrário de setores como os de máquinas e equipamentos industriais), mas também não sofreram grande impacto quando ela eclodiu. Seus resultados teriam sido afetados principalmente pelo desemprego do consumidor, diz o economista. Entre os setores ligados ao agronegócio, os piores desempenhos foram de madeira, papel e celulose (queda de 7,8%) e têxteis, couro e calçados (queda de 11,2%).
Também conseguiram se manter com recuo modesto outros setores ligados ao processamento básico de matérias-primas: petróleo refinado, outros combustíveis (queda de 2,9%) e minerais não-metálicos (queda de 1,5%).