Déficit externo fora do controle do BC
Postado em 6 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Rombo em dólar já supera em 3 vezes previsão inicial e banco só cuida da inflação
O vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ) e colaborador de nosso blog, Paulo Passarinho, observa que o Banco Central (BC), tão empenhado em manter a inflação dentro da meta, perdeu totalmente o controle sobre as contas externas. Afinal, no início do ano o déficit previsto para transações correntes era de US$ 3,5 bilhões. Depois, a projeção foi revista para nada menos que US$ 12 bilhões e terá de ser revisada outra vez, pois o rombo já chega a US$ 10 bilhões somente no primeiro trimestre.
Passarinho considera que a obtenção do grau de investimento vai aumentar o ritmo do crescimento do passivo externo de curto prazo e a entrada de investimento estrangeiro direto (IED), não para a ampliação da oferta, mas para compra de ativos ou investimentos em biocombustíveis. Para ele, a compra, por estrangeiros, de terras para produção de biodiesel é a maior ameaça à soberania nacional atualmente.
Me disse que o atual governo está capitalizando politicamente a vantagem conjuntural da valorização do preço das commodities no mercado externo e aproveitando para aprofundar o modelo herdado de Fernando Henrique, que tem entre as principais conseqüências a desnacionalização do parque produtivo. “É cada vez maior o aumento da participação do capital estrangeiro na composição do PIB”, resumiu.
AEB NÃO CRÊ EM AUMENTO DO INVESTIMENTO PARA EXPORTAR
Já o vice-presidente da Associação de Comercio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, confirma que a obtenção do grau de investimento e a conseqüente aceleração da queda do dólar não trarão nenhum investidor para o Brasil com intenção de produzir para exportar. “Na comparação com o mesmo período do ano passado, a média diária das exportações aumentou 13,2% e a das importações, 43,9%. O saldo comercial desabou 66,4%.” Castro reconhece que o resultado ainda não serve como projeção, mas reiterou ser possível que o país volte a apresentar déficit comercial já em 2009.
Para ele, o governo deve acompanhar o movimento de capitais e, se necessário, adotar algum tipo de controle. Prefere o modelo chileno, de quarentena para os capitais que entram, mas avalia que a fúria arrecadadora do governo o levará a elevar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), caso decida colocar alguma barreira à entrada de capital especulativo:
“Mas não sei se o governo optará por qualquer controle, pois a deterioração das contas externas pode pressionar o dólar e o governo não vai querer abrir mão da taxa de câmbio para controlar a inflação.”
Em 2008, a AEB prevê aumento de 25% nas importações, mais do dobro do para as exportações (10%). Confirmadas essas projeções, o país fechará 2008 com US$ 22 bilhões de superávit comercial.
Diante de um quadro como esses fica difícil pensar em política industrial.
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