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Blog do Desemprego Zero

Arquivado em 'Desenvolvimento':

Projeto de lei do fundo soberano está pronto, diz Mantega

Postado em 26 dEurope/London maio dEurope/London 2008

O projeto de lei que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB) já está pronto e já deve ser encaminhado à Casa Civil nesta semana, foi o que afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Matega também afirmou que o Fundo é um instrumento importante para o País e que haverá uma ação em sintonia com o Banco Central (BC) na formação do Fundo Soberano e o Fundo será composto pelo excesso do superávit primário (em relação à meta de 3,8% do PIB), cuja reserva será usada em momentos anticíclicos.

* Por Kátia Melissa Bonilla Alves, editora

Publicado originalmente no Estadão

Por Renata Veríssimo

Ministro diz que Lula ordenou a criação do fundo e que projeto seguirá para a Casa Civil na próxima semana

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta sexta-feira, 23, que o projeto de lei que cria do Fundo Soberano do Brasil (FSB) já está pronto e passa neste momento pela análise jurídica da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. De acordo com ele, o projeto de lei deve ser encaminhado à Casa Civil na próxima semana, para que possa ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encaminhado ao Congresso Nacional.

Mantega afirmou que foi o presidente quem determinou a criação do fundo. “A concepção econômica está pronta e definida. O fundo é um instrumento importante para o País”, afirmou o ministro, em breve entrevista coletiva à imprensa, no Ministério da Fazenda, para rebater reportagens veiculadas na imprensa de que a criação do FSB seria adiada. Segundo Mantega, as reportagens são “improcedentes”.

O ministro destacou ainda que haverá uma ação em sintonia com o Banco Central (BC) na formação do Fundo Soberano. “O Fundo vai permitir uma ação mais forte na área cambial, em sintonia com o BC. É como se fizéssemos reservas acima do nível atual”, disse ele. O ministro voltou a garantir que as atuais reservas continuarão sendo administradas pelo BC. Também destacou que a criação do Fundo tem a aprovação do BC. Leia o resto do artigo »

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UE deve eliminar subsídios ao etanol

Postado em 26 dEurope/London maio dEurope/London 2008

A União Européia – EU – aprovou o fim dos subsídios ao etanol e afirmou que não vai deixar fácil a entrada de biocombustíveis que não respeitem o meio ambiente e os aspectos sociais. Para o Brasil a eliminação dos subsídios pode aumentar a competitividade do País no mercado mundial.

Em relação à alta dos preços dos alimentos a EU declarou que o uso de etanol no bloco não causa inflação, pois apenas 1% do cereal produzido no bloco é usado na fabricação do etanol; já o etanol de milho nos EUA contribui para o aumento dos preços dos alimentos.

* Por Kátia Melissa Bonilla Alves, editora

Por Jamil Chade e Fabíola Salvador

Publicado no Jornal da Ciência

Bloco ainda isenta o biocombustível de provocar a alta dos alimentos

A Comissão Européia (CE), órgão executivo da União Européia (UE), aprovou o fim dos subsídios ao etanol, uma decisão que ainda precisa ser endossada pelos 27 países do bloco.

Em mensagem dirigida ao Brasil e aos Estados Unidos, a CE deixou claro que vai insistir em critérios duros para a entrada, no bloco, de biocombustíveis que não respeitem o ambiente e os aspectos sociais. A UE ainda quer evitar importar etanol que contribua para reduzir a oferta de alimentos.

Em uma estratégia divulgada para lidar com a alta dos preços dos alimentos, Bruxelas voltou a defender o etanol e o isentou de estar causando inflação. ‘No setor de transporte, hoje a única alternativa ao petróleo é o biocombustível.’ Leia o resto do artigo »

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O DESATINO DA MOEDA ÚNICA NA AMÉRICA DO SUL

Postado em 26 dEurope/London maio dEurope/London 2008

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - O presidente Lula mencionou, no programa semanal “Café com o Presidente”, a possibilidade da criação de uma moeda única na América do Sul. Segundo Lula, a criação de uma moeda para estes países e a constituição de um Banco Central único seria o passo final para a integração do continente. Entretanto, devemos entender as reais dificuldades de tal empreendimento e os limites de suas possibilidades.

 

Em primeiro lugar, a instabilidade monetária dos países periféricos é um dado estrutural de sua condição. Esta instabilidade provém principalmente das restrições associadas ao balanço de pagamentos, vinculados, sobretudo, à composição da pauta de exportação vis-à-vis à pauta de importação. No caso destes países, a predominância de produtos primários nas exportações faz com que os termos de troca se deteriorem, ou pelo menos tenham uma maior volatilidade. Em momentos de auge do ciclo, como os que vivemos nos últimos anos, as commodities normalmente presenciam um aumento significativo dos preços. O problema é quando o ciclo reverte.

 

Além disso, o problema da pauta de exportações é exacerbado num ambiente de liberalização da conta financeira, fazendo com que a taxa de câmbio se torne ainda mais volátil. A volatilidade das principais variáveis monetárias, quais sejam a taxa de câmbio e a taxa de juros, torna hercúlea a tarefa de fazer convergir as principais variáveis macroeconômicas destes países, o que é condição sine qua non para a criação de tal moeda.

 

Portanto, a criação de uma moeda única apenas se colocaria como possibilidade concreta a partir da superação da condição periférica, no sentido furtadiano do termo, ou seja, através do rompimento com a atual divisão internacional do trabalho. Tal alternativa demandaria um nível de esforço coordenado, que incluíra capacidade de planejamento e vontade política das elites, que dificilmente poderia ser colocado em prática diante das atuais condições objetivas. Por fim, uma discussão de tal envergadura não pode ser tomada em conta isoladamente, mas, ao contrário, deveria levar em conta a questão do Desenvolvimento, sendo este visceralmente ligado à supressão da relação centro-periferia.

 

 

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

 

Clique aqui para ler nosso manifesto.

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Sessão de Encerramento e novo Ciclo de Conferências, promovido pelo Centro Celso Furtado

Postado em 25 dEurope/London maio dEurope/London 2008

A Professora Maria da Conceição Tavares encerrará na próxima terça-feira, dia 27 de maio, às 16h, no Auditório do IPEA (Av. Pres. Antonio Carlos, 51/ 10º andar – Centro – Rio de Janeiro) o Ciclo de Conferências sobre o Pensamento de Celso Furtado.

Na mesma ocasião será projetado um filme que contém entrevistas de Celso Furtado e um documentário (em inglês), feito pela televisão americana em 1961, sobre a situação no Nordeste na época das Ligas Camponesas e a presença de Celso Furtado à frente da SUDENE.

Maria da Conceição Tavares é Economista, Professora Emérita da UFRJ e organizou o livro Celso Furtado e o Brasil, da Editora Fundação Perseu Abramo, 2000.

PEDIMOS O SEU COMPARECIMENTO MEIA HORA ANTES DA CONFERÊNCIA.

Informações: www.centrocelsofurtado.org.br

E-mail: centro@centrocelsofurtado.org.br

*****

Dando prosseguimento às atividades do Centro Celso Furtado, estão abertas as inscrições para o novo Ciclo de Conferências “Tendências do Capitalismo Contemporâneo”, de 3 de junho a 8 de julho (terças-feiras), sempre às 16h, no Auditório do IPEA (Av. Pres. Antonio Carlos, 51/10º andar – Centro – RJ)

Programação:

3 d e   j u n h o

O poder global

Prof. José Luís Fiori – UFRJ

10 d e j u n h o

A expansão recente da economia mundial

Prof. Franklin Serrano – UFRJ

17 d e j u n h o

Desenvolvimento econômico e ascensão nacional: rupturas e transições na Rússia e na China

Prof. Carlos Medeiros – UFRJ

24 d e j u n h o

Ainda é válido o conceito centro-periferia frente  à emergência econômica dos países asiáticos?

Embaixador Rubens Ricupero – FAAP

1 d e j u l h o

A crise subprime e suas conseqüências no sistema financeiro mundial

Prof. Marcos Antônio de Macedo Cintra – UNICAMP

8 d e j u l h o

Perspectivas recentes da União Européia

Prof. Gilberto Dupas – USP

Inscrições gratuitas no e-mail: centro@centrocelsofurtado.org.br

Será fornecido certificado aos que comparecerem a um mínimo de 4 palestras do ciclo.

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João Sicsú, Diretor do IPEA, apresenta proposta de desenvolvimento e modelo macroeconômico para o Brasil

Postado em 24 dEurope/London maio dEurope/London 2008

João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do IPEA, produziu um esboço inicial do que seria um projeto de desenvolvimento para o país. Embora um plano dessa natureza envolva uma vasta gama de áreas do conhecimento, Sicsú foca-se em duas delas: a necessidade de o desenvolvimento ser fruto da mobilização da sociedade e que diretriz macroeconômica seria favorável a uma mudança de rumo para o país.

Sicsú critica o discurso neoliberal de desmantelamento do Estado produtor e investidor e defende uma política que priorize o desenvolvimento através da adoção de um câmbio competitivo, juros baixos, contenção da entrada de capitais especulativos e políticas de geração de emprego, tudo isso conduzido mediante uma ativa participação do Estado na economia. Os gastos públicos devem focar a construção de infra-estrutura pública, que promove a geração de empregos e aumenta o produto do país, e não ser despendido em pagamento de juros da dívida que apenas enriquecem ainda mais as elites em detrimento do desenvolvimento do país.

A sociedade brasileira não tolera mais o estado de letargia diante do desenvolvimento mundial, que nunca nos alcança. Falta uma perspectiva nítida do futuro, que permita vislumbrar a possibilidade do desenvolvimento. A sociedade brada por essa perspectiva, almeja um projeto claro que lhe possibilite sonhar novamente, e uma vez mais, com um país desenvolvido e justo, que não tolhe, mas, ao contrário, gere, possibilidades aos seus cidadãos.

Uma vez que a proposta neoliberal fracassou, pois não conseguiu realizar o que prometera, ao contrário, apenas gerou mais degradação social e econômica, ao longo das últimas três décadas, abre-se o espaço para novas propostas. O desenvolvimentismo ressurge para preencher essa lacuna, mas precisa ser estruturado enquanto uma clara realidade social, apresentando propostas nítidas para o país. Sicsú pretende colaborar nesse processo de construção de um projeto de desenvolvimento nacional e essa pode ser considerada a pretensão do estudo que realizou e que publicamos integralmente mais abaixo.

Precedendo o trabalho de Sicsú, porém, postamos a seguir uma matéria que a Folha de S. Paulo publicou no domingo passado sobre tal proposta. Segue abaixo a matéria na íntegra.

* Por Elizabeth Cardoso, editora e coordenadora de conteúdo

Diretor do Ipea critica juro e câmbio e cobra Estado na economia

Publicado originalmente na Folha de São Paulo

Para João Sicsú, políticas monetária e cambial não combinam com estratégia de desenvolvimento de longo prazo e combate à inflação não deve se limitar ao BC

Por Janaina Lage, da sucursal do Rio

As políticas monetária e cambial atuais estão dissociadas, ao menos de forma explícita, de uma estratégia de desenvolvimento do país no longo prazo. Essa é uma das principais conclusões de um estudo elaborado pelo diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), João Sicsú, e que será divulgado nos próximos dias.

Na avaliação do economista, a receita de desenvolvimento para o país deveria ser baseada em juros baixos, maior presença do Estado e controle do capital especulativo (tanto por meio de juros mais baixos, que inibem a sua entrada, como por meio do estabelecimento de impostos).

Segundo Sicsú, o estudo é a primeira contribuição para o desafio da atual diretoria do instituto de pensar uma estratégia de desenvolvimento para o país.

O artigo “Planejamento estratégico do desenvolvimento e as políticas macroeconômicas” sugere a adoção de uma política cambial que favoreça o investimento e a industrialização, o que, na visão de Sicsú, requer uma taxa de câmbio competitiva para a produção e a exportação de bens manufaturados.

A taxa nesse patamar permitiria a realização de superávits comerciais maiores e serviria também como uma espécie de proteção contra crises cambiais de desvalorização rápida. A taxa de câmbio deve se manter flutuante, mas o Banco Central deveria efetuar compras e vendas de reservas de forma a manter a taxa em patamar competitivo e reduzir a volatilidade cambial.

O economista defende ainda mecanismos de desestímulo à entrada de capital especulativo. “Capitais financeiros que têm o mero objetivo de sua capitalização, sem que esse processo traga benefícios à produção ou ao investimento, não são bem-vindos. (…) O movimento dos capitais financeiros que buscam apenas a sua capitalização via movimentos especulativos e de arbitragem deve ser desestimulado.”

De acordo com as propostas contidas no estudo, o juro deveria ser fixado em patamar muito baixo, similar ao dos EUA. Se ele não for capaz de limitar movimentos especulativos de capital, Sicsú afirma que poderiam ser adotadas medidas adicionais, como a cobrança de impostos sobre a movimentação financeira internacional.

Banco Central

Em relação ao debate sobre o controle da inflação, Sicsú argumenta que a estabilidade de preços deveria ser um objetivo de todos os órgãos públicos e seu controle não deveria ser limitado ao Banco Central.

“Deixar somente o Banco Central responsável por tratar da estabilidade de preços é o mesmo que solicitar a um médico clínico-geral para solucionar ora um problema do coração, ora um problema de pele, ora um problema de estômago”, disse. Nesse caso, por exemplo, se a inflação fosse causada por questões de safra, caberia ao Ministério da Agricultura apontar soluções.

Sobre a política fiscal, Sicsú afirma que os gastos do governo deveriam priorizar os que geram emprego. “Por exemplo, reduzir o gasto público com o pagamento de serviço da dívida que não gera empregos e gastar mais em construção de infra-estrutura pública.”

Segundo ele, a administração fiscal deve ser capaz de estabelecer um sistema tributário progressivo e com carga compatível com a necessidade de financiamento do Estado.

O estudo conclui ainda que qualquer projeto de desenvolvimento para o país precisa contar com a participação da sociedade. “Deve se tornar um sonho da grande maioria da população”, disse.

Ele afirma ser necessária a criação de símbolos para mobilizar a população e menciona movimentos como “O Petróleo é Nosso”, as “Diretas Já” e os “Caras Pintadas”. Dessa forma, a estratégia de desenvolvimento não estaria vinculada a um líder, mas sim a um conjunto de idéias.

*****

Abaixo segue a íntegra do estudo de Sicsú

Planejamento Estratégico do Desenvolvimento e as Políticas Macroeconômicas

Por João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do IPEA

“Nenhuma questão me obcecou tanto como esta: porque eles encontraram o caminho certo, o do desenvolvimento, e nós o errado, o do subdesenvolvimento?” Celso Furtado

Introdução:

Grande parte da sociedade organizada não tolera mais a realidade brasileira de País não-desenvolvido, de País em que o cidadão comum não tem qualidade de vida e que muitos não têm sequer as condições mais básicas de sobrevivência. A intolerância está acentuada pela falta de perspectiva: estamos onde não desejamos e não sabemos para onde estamos caminhando. Muitos se envolvem em debates acalorados sobre problemas conjunturais: são tensas as discussões sobre a inflação, a alta taxa de juros e a valorização cambial. Contudo, as decisões de políticas macroeconômicas estão desassociadas, pelo menos de forma explícita, de uma estratégia de longo prazo, seja ela qual for: de construção de um País de bem-estar social ou de um País de economia primarizada com renda e patrimônio concentrados. O Governo atua, age, inaugura obras… tenta fazer o melhor, mas isso é pouco. O que precisamos é de um projeto de futuro para que possamos sonhar. E, também, para que possamos fazer os links entre ações presentes e o futuro desejado.

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QUAL desenvolvimento, afinal de contas?

Postado em 24 dEurope/London maio dEurope/London 2008

As correntes do debate econômico na América Latina

O que sabemos, depois de 25 anos de políticas ortodoxas, é que as exportações cresceram e os salários não, a taxa de formação bruta de capital está estancada, com maior concentração de renda, e surgiu a consciência de que a privatização significou passar ativos do Estado principalmente para empresas transnacionais, não trazendo uma melhoria nos serviços, senão tornando-os mais caros.

Oscar Ugarteche

Fonte: Agência Carta Maior

ALAI AMLATINA, México DF – Apesar de, às vezes, não parecer, há discussões econômicas alternativas sobre desenvolvimento econômico na América Latina. Mais na América do Sul do que em outras latitudes, e estão em curso de uma forma ou de outra. Existem essencialmente duas vertentes teóricas circulando na América Latina até agora. A primeira, que poderíamos denominar vertente do conhecimento, parte do princípio de que estamos na era do conhecimento e que a utilização deste conhecimento para agregar valor a bens e serviços pode ser um motor para o desenvolvimento sustentável. Por trás disto estariam Jorge Katz e Carlota Pérez, basicamente, embora este seja um ponto sobre o qual é preciso refletir e elaborar muito mais.

Do outro lado estariam aqueles chamados de “populistas”, que não são propriamente uma escola nem uma corrente teórica, mas que a partir de uma prática política real de redistribuição de renda conseguiram fazer crescer suas economias, reduzir a pobreza, e amortecer o efeito da crise internacional que, de fato, ainda não começou a ser sentido na América Latina a não ser pelo efeito inflacionário. Estão nessa linha os governos da Bolívia, Argentina, Brasil e Venezuela, junto com o recém chegado Equador, que também está tentando fazer isto. Todos têm um componente de expansão da demanda interna bastante importante, que provoca um impacto sobre os preços dos alimentos e causa a escassez de alguns artigos que eles não produzem.

Não estão pensando no desenvolvimento futuro, mas em como recuperar os 25 anos perdidos desde 1981 e em como fazer para retornar aos níveis de renda por habitante da década de 1970, quando chegou ao seu ponto mais alto. Estes e os primeiros têm em comum uma preocupação pela atuação do Estado e precisam com urgência de maiores arrecadações fiscais para poder alimentar o crescimento liderado pelo gasto público, que, na verdade, agora é, parcialmente, um subsídio ao consumo.

Há um terceiro grupo, que eu chamaria de “escola asiática de Cambridge” e que é um grupo de pós-keynesianos que refletiram sobre o que tem sido feito na Ásia durante as últimas décadas e, além disso, sobre os impedimentos para o desenvolvimento econômico colocados pelo Ocidente, seja através do FMI, do BM, da OMC ou pela soma de todos eles. Neste grupo estão Jomo K.S., autor de The Misunderstood Asian Miracle; Ha-Joon Chang, com The Bad Samaritans; Ajit Singh, com Jayayit e, de alguma maneira, os trabalhos de Walden Bello, que têm um viés mais político do que estritamente econômico. Uma preocupação desse grupo é o contrabando do desenvolvimento asiático que está sendo feito no Ocidente, como se fosse sob as linhas ortodoxas. Como ocorre, por exemplo, com The World is Flat, de Thomas Friedman.

Todos eles coincidem em indicar que o alto crescimento asiático é possível porque há política industrial, intervenção pública no investimento, regulamentações, proteção do mercado em algumas etapas e um processo de acumulação de conhecimentos. A Ásia desenvolveu-se nesta visão com muita poupança interna, que vem de altos impostos, um nível de proteção às industrias jovens e muito investimento em educação. O comum denominador dos asiáticos é a falta de recursos naturais, o que os tem obrigado a lançar mão da sua única fonte real de riqueza: o tamanho do seu mercado, a qualidade da sua força de trabalho e a capacidade de inovação. Leia o resto do artigo »

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Uma análise da Política de Desenvolvimento Produtivo, pela Carta IEDI

Postado em 24 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Fonte: IEDI

A Carta IEDI de hoje faz uma análise da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) anunciada no dia 12 de maio. A nova política estabeleceu como objetivo central dar sustentabilidade à expansão da economia e tem como objetivos particulares incentivar e ampliar os investimentos produtivos, elevar as taxas de crescimento da economia brasileira e permitir que tal crescimento se dê em bases sustentáveis. Definiu como desafios a ampliação da capacidade de oferta na economia, a elevação da capacidade de inovação das empresas, a preservação da robustez do balanço de pagamentos e o fortalecimento das MPE. Em linhas gerais, a Política inclui renúncia fiscal de R$ 21,4 bilhões até 2011 com incentivos ao investimento, P&D e exportações, e financiamentos, pelo BNDES, no valor de R$ 210,4 bilhões para projetos de ampliação, modernização e de inovação na indústria e no setor de serviços. Programas da Finep complementam os esforços em P&D.

Deve ser destacado que as desonerações previstas no PDP para o investimento contribuem para a realização de novas inversões por parte do setor produtivo e auxiliarão na ampliação da oferta de bens industriais e na elevação da taxa de investimento da economia. Nessa área, no entanto, a medida de desoneração fiscal nova capaz de dar um relevante impulso adicional ao investimento é a depreciação de máquinas e equipamentos em 20% do prazo normal. O pequeno grande detalhe associado a esta medida prevista na PDP é que ela foi limitada à compra de máquinas e equipamentos para apenas dois de um total de 25 setores priorizados na nova política industrial: fabricação de bens de capital, automóveis e autopeças. Leia o resto do artigo »

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Tributos em fúria

Postado em 24 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Thomaz Wood Jr.

Fonte: CartaCapital

O mundo corporativo é cheio de palavras-fetiche, às quais se costumam creditar poderes sobrenaturais. É o caso do conceito de competitividade. Se uma empresa for competitiva, investidores disputarão suas ações, clientes procurarão seus serviços e executivos lhe oferecerão seus préstimos. Em suma, a vida lhe sorrirá. Porém, se uma empresa não for competitiva, poderá ser tragada para o lado escuro do mercado, declinar e desaparecer nas trevas.

De onde vem esse conceito mágico? Segundo os bons manuais do ramo, a competitividade é fruto de três conjuntos de fatores. Primeiro, os fatores internos à empresa, tais como a estratégia, a gestão, a capacidade de produção, a tecnologia e os quadros profissionais. Segundo, os fatores estruturais, tais como a existência de concorrência e o nível de maturidade do mercado. E, terceiro, os fatores sistêmicos, tais como o contexto econômico e a infra-estrutura do país. Conclusão número 1: para que uma empresa seja competitiva, não basta ser excelente nos fatores internos. É preciso contar com os bons ventos do ambiente empresarial e econômico. Leia o resto do artigo »

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