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Blog do Desemprego Zero

Arquivado em 'Desenvolvimento':

Artigo para reflexão: Where do we go from here?

Postado em 31 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

By Robert Skidelsky

The markets have ruled for a third of a century, but it has all ended in tears. A return to selfish nationalism is possible. If we are to avoid this sombre outcome, we must find ways to rub the rough edges off globalisation.

Any great failure should force us to rethink. The present economic crisis is a great failure of the market system. As George Soros has rightly pointed out, “the salient feature of the current financial crisis is that it was not caused by some external shock like Opec… the crisis was generated by the system itself.” It originated in the US, the heart of the world’s financial system and the source of much of its financial innovation. That is why the crisis is global, and is indeed a crisis of globalisation.

There were three kinds of failure. The first, discussed by John Kay in this issue, was institutional: banks mutated from utilities into casinos. However, they did so because they, their regulators and the policymakers sitting on top of the regulators all succumbed to something called the “efficient market hypothesis”: the view that financial markets could not consistently mis-price assets and therefore needed little regulation. So the second failure was intellectual. The most astonishing admission was that of former Federal Reserve chairman Alan Greenspan in autumn 2008 that the Fed’s regime of monetary management had been based on a “flaw.” The “whole intellectual edifice,” he said, “collapsed in the summer of last year.” Behind the efficient market idea lay the intellectual failure of mainstream economics. It could neither predict nor explain the meltdown because nearly all economists believed that markets were self-correcting. As a consequence, economics itself was marginalised.

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Previsões de investimentos das maiores empresas de telefonia do mercado

Postado em 29 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Por: Mavine Monteiro

 As quatro operadoras de telefonia que, até agora, divulgaram seus planos para 2008 anunciaram a intenção de investir R$ 16,3 bilhões, segundo levantamento feito pelo Valor. A cifra a ser desembolsada pelas empresas Oi (ex-Telemar), TIM, Claro e Vivo já ultrapassa, com folga, os investimentos feitos por seis das maiores empresas de telefonia no ano passado. Em 2007, Oi, Brasil Telecom (BrT), Telesp (operadora de telefonia fixa da Telefônica), TIM, Vivo e Embratel investiram juntas um total de R$ 10,8 bilhões. O orçamento mais elevado para 2008, por enquanto, cabe à Vivo. A operadora aprovou ontem, em assembléia de acionistas, quase R$ 6,1 bilhões. Desse total, R$ 2,7 bilhões são para investimentos “em outras operadoras”, segundo a ata do encontro. Ou seja, o montante deverá ser destinado à Telemig Celular, empresa comprada por R$ 1 bilhão (Valor Econômico, Março de 2008).

Esta notícia revela que os investimentos em telecomunicações estão recuperando o vapor, mas de maneira distinta da ocorrida no período pós-privatizações. Agora a tendência não está relacionada a gigantescas aquisições e fusões por parte das empresas estrangeiras, os investimentos estão direcionados às inovações tecnológicas, para que as empresas atuais possam se manter competitiva num mercado globalizado cada vez mais dominado pelas novas tecnologias de comunicação. A principal inovação é a chegada da terceira geração da telefonia móvel (3G). As operadoras tiveram de reservar dinheiro para pagar pelas licenças de uso da nova tecnologia, adquiridas num leilão realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Além disso, terão de gastar mais do que nos últimos anos para construir as redes de 3G e cumprir as metas de cobertura que foram estabelecidas pelo órgão regulador do setor.

Outro motivo para os novos investimentos são os preparativos para a chamada portabilidade, mecanismo que permite aos clientes manter o número de telefone quando mudarem de operadora. A medida requer investimentos em softwares, centrais telefônicas e na área de atendimento. Leia o resto do artigo »

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¿Ha llegado el estancamiento global con deflación?

Postado em 22 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

by Nouriel Roubini

Texto em inglês

Las noticias macroeconómicas más recientes de los Estados Unidos, otras economías avanzadas y los mercados emergentes confirman que la economía global se enfrentará a un recesión grave en 2009. En los Estados Unidos, la recesión comenzó en diciembre de 2007 y durará al menos hasta diciembre de 2009 – la recesión más larga y profunda en el país desde la Segunda Guerra Mundial, con una caída acumulada del PIB que tal vez supere el 5%.

La recesión en otras economías avanzadas (la zona del euro, el Reino Unido, la Unión Europea, Canadá, Japón, Australia y Nueva Zelanda) empezó en el segundo trimestre de 2008, antes de que los problemas financieros de septiembre y octubre agravaran la contracción global del crédito. Desde entonces, esta contracción se ha hecho aun más severa.

Ahora, los mercados emergentes están experimentando también el principio de un aterrizaje brusco a medida que los efectos negativos de la recesión en las economías avanzadas, la caída de los precios de los productos básicos y la fuga de capitales se empiezan a sentir en el crecimiento. En efecto, el mundo debe esperar algo cercano a una recesión en Rusia y Brasil en 2009, debido a los bajos precios de los productos básicos y una abrupta desaceleración en China y la India que será el equivalente de un aterrizaje brusco (crecimiento muy por debajo del potencial) para estos países.

A otros mercados emergentes de Asia, África, América Latina y Europa no les irá mejor y algunos podrían sufrir crisis financieras plenas. En efecto, más de una docena de economías de mercados emergentes se enfrentan ahora a presiones financieras severas: Belarús, Bulgaria, Estonia, Hungría, Letonia, Lituania, Rumania, Turquía y Ucrania en Europa; Corea, Indonesia y Pakistán en Asia; y Argentina, Ecuador y Venezuela en América latina. La mayoría de estas economías pueden evitar lo peor si aplican los ajustes de política adecuados y si las instituciones financieras internacionales (incluyendo al FMI) les dan créditos suficientes para cubrir sus necesidades de financiamiento externo.

Con la certeza casi total de una recesión global, la deflación -más que la inflación-se convertirá en la preocupación principal de los encargados del diseño de políticas. La caída de la demanda agregada, mientras que la oferta agregada potencial ha estado aumentando debido a la inversión excesiva de China y otros mercados emergentes, reducirá abruptamente la inflación. Los mercados laborales deprimidos, con tasas de desempleo crecientes, limitarán los salarios y los costos de la mano de obra. Las caídas adicionales de los precios de los productos básicos -que ya disminuyeron un 30% de su punto más elevado en el verano-aumentarán estas presiones deflacionarias. Leia o resto do artigo »

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Constituição de um Fundo Voltado para a Modernização da Infra-Estrutura

Postado em 22 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Fonte: Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial

Investe-se pouco em infra-estrutura no Brasil, tanto em termos absolutos como comparado com a experiência internacional. As necessidades não atendidas de recursos são maiores no saneamento básico, transporte de massa urbano (metroviário e ferroviário), e transporte de carga não rodoviário, segmentos cujo caráter de bem público é mais acentuado, e com forte impacto no bem-estar desta e das futuras gerações. De acordo com um estudo preparado para o IEDI, de autoria de Claudio Frischtak e Andrea Gimenes e a partir do qual apresentamos aqui um breve resumo, o financiamento desses segmentos é objeto de um eventual fundo com recursos advindos da exploração e produção do petróleo na camada do pré-sal.

Inicialmente, o estudo deixa claro que o investimento em infra-estrutura por períodos relativamente longos é condição necessária tanto ao crescimento econômico como para ganhos sustentados de competitividade, bem como salienta que o desafio que o Brasil enfrentará nos próximos anos, no que diz respeito à infra-estrutura, é multidimensional:

Ampliar gradativamente os investimentos no setor, até atingir um patamar de cerca de 3,5% do PIB em 2012 (0,3 pontos percentuais a cada ano a partir de 2008). Acelerar este processo para obter uma modernização transformadora da infra-estrutura do país até 2022, quando a taxa de investimento deveria chegar a 7% do PIB.

Garantir o aumento dos investimentos privados não apenas nos segmentos em que o caráter de bem público é limitado, a exemplo de telecomunicações, energia elétrica, transporte aeroportuário, portuário, assim como rodoviário nos troncos de elevado fluxo, mas também e principalmente para investimentos de natureza pública, que comandam elevadas externalidades e têm impacto multigeracional.

Estabelecer novos mecanismos de financiamento particularmente voltados a segmentos de elevadas externalidades, de modo a ampliar a oferta de serviços e atender a demanda potencial.

A questão do financiamento para infra-estrutura se remete, por um lado, à natureza dos investimentos, a forma como se organizam a produção dos serviços, e suas conseqüências para a equação risco-retorno que defronta investidores e financiadores; por outro, ao custo de capital e sua dinâmica, cuja determinação se dá fundamentalmente no plano macroeconômico. Ainda que o mercado de capitais venha se ampliando e se sofisticando, é improvável que por si só seja capaz de suprir as necessidades do setor, levando principalmente em consideração o foco em investimentos de elevado retorno social.

É nesse ponto que o estudo levanta a idéia da constituição de um fundo voltado para a modernização da infra-estrutura com recursos advindos da exploração e produção do petróleo na camada do pré-sal. O fundo deverá se orientar pelos seguintes pontos:

Um fundo cujos recursos são oriundos de um recurso não renovável, e de duração que não deve ir além de poucas décadas, deveria contemplar não apenas a geração presente, mas as gerações futuras. Este é um imperativo ético, mas também econômico.

Não parece ser recomendável que um mesmo fundo tenha dois conjuntos de objetivos com perspectivas distintas, ainda que igualmente legítimas: estabilidade macro e solidez fiscal, por um lado, e o desenvolvimento econômico da nação e o bem-estar da população, por outro.

Sendo que os recursos que aportam ao fundo são de toda a nação – pertencente a atual e a futuras gerações – sua alocação deve obedecer aos padrões mais elevados de transparência, competência técnica e integridade.

A utilização do principal do fundo deve ser avaliada criteriosamente, bem como é fundamental uma ampla campanha de esclarecimento e educação quanto aos objetivos do fundo e o uso de seus recursos.

No modelo proposto pelo estudo, o fundo financiaria 60% do hiato de recursos existentes, o que corresponde a US$ 109,2 bilhões ao longo de 10 anos (2013-2022). Para os projetos de infra-estrutura com maior impacto sobre a redução da pobreza e o meio ambiente, o fundo alocaria – a fundo perdido e de forma complementar – os retornos advindos das aplicações e financiamentos realizados, e que se estimam entre US$ 40,0 bilhões a US$ 50,5 bilhões. Assim, as estimativas mostram que restariam de US$ 28,7 bilhões a US$ 65,4 bilhões para serem aplicados em títulos de governos estrangeiros ou empresas internacionais com grau de investimento.

O estudo enfatiza que a eficácia de tal fundo para ampliar os investimentos em infra-estrutura no país não deve ser subestimada. Considerando os investimentos adicionais no setor para gradativamente atingir uma participação de 7% do PIB em 2022, haveria um hiato de US$ 476,1 bilhões, tendo por premissa que já em 2012 estará se investindo 3,5% do PIB. Deste montante, cerca de US$ 182,1 bilhões seria a necessidade adicional de investimentos nos segmentos-alvo do Fundo. Dessa forma, o Fundo estaria atendendo a cerca de 38% dos investimentos setoriais necessários para uma ampla modernização da infra-estrutura no país. Os 62% restantes seriam para segmentos rentáveis e atraentes para o setor privado, e assim financiados pelos mecanismos existentes – recursos próprios, mercado de capitais, BNDES.

Qual é o futuro do Fundo? Após 2022, a tendência seria o patrimônio expandir-se rapidamente, seja acumulando os rendimentos, seja distribuindo-os para causas meritórias, a exemplo da melhoria da educação no país. Uma simulação que “leva” o Fundo até 2050 mostra que nesse ano, o patrimônio atingiria entre US$ 888,6 bilhões, caso os rendimentos não sejam reinvestidos, ou US$ 4.123,8 bilhões, se houver re-investimento dos rendimentos.

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A reengenharia de Genro

Postado em 22 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

“Mas está claro que o sistema criminal, como numa república bananeira, já conta com o antes e o depois de Dantas. Para quem duvidar, basta atentar para a decisão da ministra Ellen Gracie, que blindou dados do Opportunity. Nesse caso, foi como impedir exame cadavérico num corpo crivado de balas e ficar sem a prova da causa da morte. E, sem essa prova, não se pode condenar”.

Fonte: CartaCapital

A atuação do ministro da Justiça, Tarso Genro, serve para explicar as razões das inúmeras reprovações de bacharéis em Direito nos exames feitos pela Ordem dos Advogados. Apenas os limitados conhecimentos em matéria criminal e processual-constitucional podem explicar a sua radical mudança de entendimento acerca do inquérito policial decorrente da chamada Operação Satiagraha.

Para Genro, inicialmente, esse inquérito, presidido pelo delegado Protógenes Queiroz, era um primor, com provas imaculadas e reveladoras dos autores de graves crimes. Depois do afastamento do delegado e da reação corporativa do Supremo Tribunal Federal (STF) ao julgar o habeas corpus do poderoso paciente Daniel Dantas, o ministro Genro passou a entender que o inquérito estava eivado de vícios e precisava ser refeito.

Quando impõe o refazimento do inquérito, Genro obra em elementar erro de competência. Ou seja, invade o campo de atribuição constitucional reservado ao Ministério Público. E o pior dos vícios, ensinam os juristas, é o de não saber a medida da sua atribuição.

Em vez de pôr fim aos conflitos internos que desprestigiam a Polícia Federal e que não atendem aos interesses dos cidadãos, o ministro Genro preferiu subtrair atribuições exclusivas e indelegáveis do MP, que é independente, uno e indivisível.

Nesta quadra, convém recordar que o inquérito, nas ações de iniciativa pública, é peça de informação dirigida ao MP, titular da ação penal. Com base no contido no inquérito, que não é processo, é que o representante do MP formula a sua opinião. Ao formular o convencimento poderá o representante do Ministério Público concluir pela necessidade de se refazer a investigação, total ou parcialmente. É o representante do MP, e não o ministro da Justiça, a autoridade constitucionalmente competente para se manifestar no inquérito. Leia o resto do artigo »

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“O país não pode mais contar com o BC; governo deve investir pesado no gasto social” – Maria da conceição Tavares.

Postado em 19 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

ENTREVISTA: MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES

Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares diz que o Brasil não pode mais contar com o BC. “A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico”. Para ela, a grande batalha de 2009 é fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo. Ao falar sobre 2010, manifesta apoio a Dilma Roussef e diz que ela mais consistente do que José Serra. E lança um desafio ao PT: “o partido precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial.

O consenso nacional para derrubar a taxa de juro, unanimidade que agora arregimenta até conservadores de carteirinha, chegou tarde demais, na opinião da economista Maria da Conceição Tavares. Ela acredita que o BC irá fazê-lo em gotas de sereno, a partir de janeiro de 2009, quando esse simbolismo já não terá mais capacidade de reverter a dinâmica deflagrada pela crise.

Expectativas pessimistas e revisões em planos de investimento puseram-se em marcha ao longo da omissão persistente da política monetária comandada por Henrique Meirelles nos últimos anos. A ortodoxia encastelada no BC fez a sua escolha. E a cumpriu com fidelidade. “O Brasil não pode mais contar com o BC”, diz Conceição. Seus membros prestaram um desserviço ao país para servir ao rentismo, que os ancora e protege.

“A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico”, resume e prossegue calmamente. “Reduziu-se a um estorvo apenas; uma irrelevância diante dos fatos, das urgências e das possibilidades que se colocam para a economia e o governo. Essa gente já não consegue mais sequer me provocar indignação, apenas cansaço”.

O tom sereno do diagnóstico não é usual, por isso mesmo soa mais forte que pancada. Vindo de quem vem, não poderia haver manifesto de desprezo mais contundente a uma esfera de governo que se fez obsoleta para os interesses do país. A professora, como Maria da Conceição é tratada carinhosamente pelos seus admiradores, discípulos e ex-alunos, e até por adversários, não costuma poupar decibéis na defesa de idéias sempre vigorosas. Que o faça agora em tom plano é um sintoma eloqüente do menosprezo que atribui à instituição e à política monetária nas questões decisivas dos próximos meses.

A grande batalha que mobiliza a professora nesse momento, tão difícil quanto foi a do juro, envolve uma conseqüência que faz enorme diferença: perder desta vez seria definitivamente fatal. Evitar esse desfecho é o propósito que devolve a determinação costumeira à sua voz. “Fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo; em torno disso acontecerá a batalha decisiva para vencermos ou não a travessia de 2009″. É assim que ela define o que está em jogo na economia e na política de agora em diante. “Portanto, meu Deus”, e aqui está de volta a oratória envolvente da decana dos economistas brasileiros, “os que falam em cortar gasto de custeio que me perdoem, não sabem do que estão falando. Política social também é custeio. E se não é tudo, talvez seja o único grande trunfo que o governo controla, a partir do qual poderá agir com eficácia e rapidez diante da crise”.

Gastar mais na esfera social, no seu entender, é a injeção de adrenalina capaz de preservar a atividade, o emprego e o poder aquisitivo; ao menos naquele pedaço do Brasil que escapou da linha da pobreza durante o governo Lula e hoje agiganta o mercado interno, proporcionando ao país uma variável que o distingue na resistência ao colapso econômico mundial. Sim, isso poderia incluir até a antecipação de reajuste do salário mínimo, “como propõe o Carneiro”, diz Conceição (NR: economista Ricardo Carneiro). “Mas veja bem, estamos diante de uma questão política, não uma unanimidade tardia como parece ser a do juro hoje. Ampliar a despesa social é o que pensamos nós, economistas heterodoxos, assim como dizíamos há meses – anos – que era preciso baixar os juros. Mas por enquanto não há consenso sobre isso; talvez nem dentro do próprio governo. É uma corrida contra o tempo, motivo pelo qual insisto: o gasto de custeio social é a nossa chance de defender o país contra o desemprego e a recessão. Mesmo assim serão tempos difíceis”.

Não se trata apenas de vencer um percurso econômico. Conceição antevê nessa travessia a prefiguração do teste eleitoral a que será submetido um projeto que ela ajudou a construir nos últimos anos. Na verdade desde antes quando, jovem ainda, iniciou-se no BNDES e elegeu Celso Furtado e o projeto de desenvolvimento nacional como bússola histórica de sua vida e de sua profissão.

A professora Maria da Conceição é amiga de longa data da ministra Dilma Roussef, possível candidata do PT à sucessão do Presidente Lula. Conceição também já foi próxima de José Serra, candidato declarado da oposição no embate sucessório de 2010. Mas Conceição não tem dúvida de que lado estará então. “Serra não é um neoliberal; é bom que se diga e que não se confunda”, antecipa em tom sério. “Conheço ambos. A diferença entre Dilma e o Serra é que a visão da Dilma é mais consistente do ponto de vista histórico. Dilma escolheu o lado que pode apoiar um projeto de desenvolvimento para o Brasil no século XXI. E isso faz toda diferença. Entre o desenvolvimentismo de boca, do Serra, e o projeto ao qual Dilma pertence, eu não tenho dúvida de que lado fica a consistência histórica. E arremata: “Sim, Serra se opunha ao Malan no governo FHC. Mas Serra não se opôs às privatizações nem à política fiscal, concebida por gente da sua influência. Dilma é mais consistente. E não se trata apenas de superioridade no manejo econômico. Sua visão da economia tem uma contrapartida social coerente; e uma contrapartida de democracia consistente”.

Com um sorriso de entusiasmo, a professora comemora a notícia de que o PT , junto com a Fundação Perseu Abramo, criará uma Escola de Formação Política. “A agenda neoliberal contaminou toda sociedade; claro, também alcançou esferas do partido”, explica. “A crise econômica coloca esse pensamento em xeque e abre espaço para o PT retomar seu programa dos anos 94 e 98. Era um bom programa de reformas para o Brasil”, comenta, mas sem saudosismo – “perdemos com um bom programa, sempre é bom lembrar”. E aconselha como se fosse ao mesmo tempo cronista eqüidistante e personagem do mesmo enredo: “O PT precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial. Isso requer estudo e reflexão. Essa crise não é como a de 30. É uma crise de paradigma, inclusive de paradigma industrial, o que não ocorreu em 30. É muito sério. Portanto, é hora de refletir, esclarecer, debater. O partido deve fazer isso sem perder a serenidade”, pontua preocupada: “Existe o horizonte político amplo, mas uma proposta de governo tem que oferecer respostas condicionadas às circunstâncias do país, agravadas pela crise mundial”

A seguir, trechos da entrevista de Maria da Conceição Tavares à Carta Maior Leia o resto do artigo »

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Efeitos da crise em dose dupla

Postado em 19 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Fonte: IEDI

O que não veio em outubro para a indústria paulista devido ao crescimento inusitado da produção nos segmentos farmacêutico e de equipamentos de transporte (aviões) poderá vir em “dose dupla” em novembro. Segundo o Sinalizador da Produção Industrial, SPI – elaborado em parceria entre a Fundação Getulio Vargas e a AES Eletropaulo -, a produção industrial no Estado de São Paulo pode ter caído 6,0% em novembro com relação a outubro, na série com ajuste sazonal. Ao se considerar as estimativas do SPI de novembro juntamente com a série da produção industrial de São Paulo do IBGE, a qual vai até outubro, o produto da indústria paulista apresentaria uma brusca retração (de 6,3%) em novembro deste ano com relação ao mesmo mês de 2007. Ou seja, se os dados de outubro já mostraram uma queda generalizada da atividade industrial – que só não foi pior porque a crise não chegou ao estado paulista como em outras regiões -, o quadro para o mês de novembro poderá ser mais adverso.

De fato, ao se tomar o setor mais atingido pela crise no Brasil ou no mundo, qual seja, o automobilístico, os dados da Anfavea mostram que a produção de veículos sofreu uma queda de 29,5% em novembro frente a outubro, descontados os efeitos sazonais, o maior recuo desde o início da série em 2000. Na comparação com novembro de 2007, o decréscimo foi de 28,2%. Nos últimos 12 meses, a produção do setor ainda apresenta taxa de variação positiva (13,4%), mas em forte desaceleração (21,3% em agosto, 20,9% em setembro e 18,0% em outubro). Além desses resultados na área industrial, cabe destacar a desaceleração mais acentuada do consumo de energia elétrica no mês de novembro no País. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a carga média do Sistema Interligado Nacional (SIN) elevou-se 2,6% em novembro frente igual mês de 2007, variação bem inferior às de novembro de 2006 e 2007 (4,9% e 4,7%, respectivamente) e aos resultados dos últimos meses (5,4%, 5,3%, 5,0%, 3,7% e 3,1%, nessa ordem, de junho a outubro).

No comércio, os indicadores da Associação Comercial de São Paulo mostram resultados negativos. O número de consultas ao sistema Usecheques, o qual pode ser considerado uma aproximação do nível de vendas varejistas à vista, apresentou variação de -0,8% em novembro com relação ao mesmo mês do ano passado e, nos últimos doze meses até novembro, de 4,6% – taxa inferior à observada no acumulado de igual período de 2007 (5,8%). Já o nível de atividade das vendas a prazo no varejo, observado por meio do número de chamadas ao sistema SCPC, registrou queda de 1,9% em novembro com relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Esse foi o segundo recuo consecutivo, visto que em outubro essa variação foi de -7,5%. Por fim, de acordo com os dados da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), o fluxo de veículos pesados nas rodovias concessionárias, que é um indicador de nível de atividade da economia, apresentou grande retração (-2,0%) em novembro frente a outubro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com novembro de 2007, o fluxo de ônibus e caminhões caiu 1,0%, após 28 meses consecutivos de altas.

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Desemprego e sustentabilidade

Postado em 18 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008

Publicado em: CartaCapital

Por: Ricardo Young

Quando pensamos que a poeira está baixando e as tormentas da economia talvez se acalmem, novas notícias aparecem e voltam a sacudir o mercado. O problema é que o desespero, tão presente na mídia e em vários setores da economia, tende a só piorar a situação. E um dos assuntos que mais assustam é a questão do desemprego.

Nas últimas semanas, as manchetes dos principais jornais trouxeram notícias de demissões em grandes empresas. A Vale, por exemplo dispensou 1300 funcionários e, por conta de notícias como essa, a agitação cresce em todas as empresas, com o medo que cada um tem de perder também o seu emprego.

Mas o mais importante para falarmos de desemprego pelo viés da sustentabilidade é observarmos a forma como as empresas devem lidar com a crise nesse sentido. A cartilha convencional da gestão costuma encarar as dificuldades sob uma visão unicamente financeira e a primeira coisa que fazem é cortar custos. Além disso, vêem a folha de pagamentos como custos a serem eliminados com rapidez. Porém, essa visão não retrata uma gestão socialmente responsável.

Quando se instaura o pânico nas empresas, colaboradores internos e fornecedores se desesperam e começam a buscar novas oportunidades, pois se sentem inseguros. Com isso, há uma mudança de foco e atenção, o que prejudica ainda mais a empresa como um todo.

Observando a crise de forma estratégica, segundo uma visão sustentável, a primeira coisa a se fazer quando estamos diante de uma situação difícil é admitir o dilema que se apresenta. E para encontrar soluções e alternativas possíveis, é essencial estabelecer o diálogo entre todas as partes interessadas. Nesse caso, a empresa que está passando por um momento financeiro complicado deve convocar seus colaboradores, fornecedores e parceiros para discutir com eles o problema. E isso vale para qualquer situação como esta, que pode acontecer mesmo em tempos de crescimento econômico mundial. Leia o resto do artigo »

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