Postado em 27 dEurope/London abril dEurope/London 2009
O DIRETOR-executivo de Brasil e mais oito países de América Latina e Caribe no FMI, Paulo Nogueira Batista Jr., afirma que os emergentes não podem “baixar a guarda” após os avanços que vêm obtendo no processo para aumentar sua participação em decisões globais. “Essas vitórias são parciais e ainda precárias, não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, mas em um momento seguinte podem querer restabelecer o passado”, diz.
Fonte: Luís Nassif (blog)
Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Paulo Nogueira Batista Jr. à Folha de SP:
FOLHA – A reunião do FMI deste ano trouxe vários retornos positivos em relação às aspirações dos países emergentes. Você diria que foi a crise que mudou o Fundo?
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. – Mudou. Está mudando. A crise abriu oportunidades que não existiam. A profundidade e o alcance da crise são tais que propostas que poderiam ser consideradas sonhadoras há pouco tempo agora ou estão na mesa ou até já foram implementadas. É evidente que a crise por si só não produz mudanças. Tem de haver ação dos interessados. Na questão das cotas, por exemplo, a estrutura decisória do Fundo é muito desequilibrada. Os países em desenvolvimento não têm representação satisfatória. Com o agravamento da crise em setembro de 2008, o ambiente se transformou e há maior disposição de encarar esse déficit democrático no FMI e Banco Mundial. A realidade é que os países em desenvolvimento têm um peso muito maior hoje na economia mundial do que na época da criação do Fundo (em 1945). Agora está decidido que o trabalho para a implementação das cotas começa já para chegarmos preparados na data-limite para a revisão, em janeiro de 2011. Isso é importante por dois motivos. Como o FMI é baseado em cotas, a forma de aportar recursos permanentes no Fundo é via cotas. Outros mecanismos que estão sendo criados agora para colocar dinheiro no Fundo, como por meio de “bonds” [títulos], seriam mecanismos temporários, uma ponte para financiar o Fundo até a reforma das cotas. Por outro lado, a mudança nas cotas promoverá um realinhamento no poder de votos dos países no FMI. Há vários países menores hoje, principalmente europeus, com um peso desproporcional na estrutura decisória do FMI em relação a alguns emergentes. Há desequilíbrios gritantes. Leia o resto do artigo »
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Postado em 27 dEurope/London abril dEurope/London 2009
by Joseph E. Stiglitz
Fonte: Project Syndicate (versão em espanhol)
NEW YORK – This year is likely to be the worst for the global economy since World War II, with the World Bank estimating a decline of up to 2%. Even developing countries that did everything right – and had far better macroeconomic and regulatory policies than the United States did – are feeling the impact. Largely as a result of a precipitous fall in exports, China is likely to continue to grow, but at a much slower pace than the 11-12% annual growth of recent years. Unless something is done, the crisis will throw as many as 200 million additional people into poverty.
This global crisis requires a global response, but, unfortunately, responsibility for responding remains at the national level. Each country will try to design its stimulus package to maximize the impact on its own citizens – not the global impact. In assessing the size of the stimulus, countries will balance the cost to their own budgets with the benefits in terms of increased growth and employment for their own economies. Since some of the benefit (much of it in the case of small, open economies) will accrue to others, stimulus packages are likely to be smaller and more poorly designed than they otherwise would be, which is why a globally coordinated stimulus package is needed.
This is one of several important messages to emerge from a United Nations Experts Commission on the global economic crisis, which I chair – and which recently submitted its preliminary report to the UN.
The report supports many of the G-20 initiatives, but it urges stronger measures focused on developing countries. For instance, while it is recognized that almost all countries need to undertake stimulus measures (we’re all Keynesians now), many developing countries do not have the resources to do so. Nor do existing international lending institutions. Leia o resto do artigo »
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Postado em 24 dEurope/London abril dEurope/London 2009
O Estado precisa ser refundado. Ele deve ser o meio necessário para o desenvolvimento do padrão civilizatório contemporâneo em conformidade com as favoráveis possibilidades do século 21. Muito mais do que anunciar as dificuldades da crise global, cabe ressaltar as oportunidades que dela derivam como a realização de uma profunda reforma do Estado. Outra tarefa do presente é uma revolução na propriedade. O Brasil, que pouco avançou na democratização da propriedade segue mantendo apenas 6% de toda sua da população com posse dos meios de produção. A análise é de Marcio Pochmann.
Fonte: Carta Maior
Por quase três décadas, o pensamento liberal-conservador predominou em quase todo o mundo. Esta constatação tem seu significado expresso pelo retrocesso de conquistas socioeconômicas difundidas, sobretudo após o final da Segunda Grande Guerra Mundial. A imposição de várias derrotas às forças progressistas ficou demarcada pela emergência da globalização financeira, responsável pelo apequenamento do horizonte de possibilidades emancipatórias para toda a humanidade.
Quando mais as finanças foram sendo deslocadas da produção, mais as forças do trabalho perderam espaços nas políticas públicas, acumulando prejuízos inegáveis em termos de emprego e renda. O enquadramento neoliberal do Estado permitiu a maior monopolização das forças econômicas e financeiras privadas, a tal ponto de o mundo ser governado atualmente por não mais de 500 grandes corporações globais que respondem em conjunto por quase 50% do produto mundial.
O esvaziamento da governança pública mundial construída no segundo pós-guerra, por meio da Assembléia Geral das Nações Unidas, deu lugar ao avanço da própria desgovernança. Nesse sentido, o meio ambiente acusou o conjunto de excessos comprometidos pelo estrito compromisso com o lucro privado. Leia o resto do artigo »
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Postado em 24 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Luis Nassif
Nas duas colunas anteriores, abordei a questão da chamada tomada do poder – o sistema de alianças que candidatos a presidente montam com forças econômicas, mídia, outros poderes. Tentei mostrar como as eleições são apenas o ponto final de um sistema de alianças que, se não for bem conduzido, acaba derrubando presidentes. E de como, muitas vezes, essas alianças acabam comprometendo as próprias políticas que poderiam melhorar a situação do país.
O Plano Real foi o exemplo mais bem sucedido de uma aliança que permitiu a chamada tomada do Estado – mas que acabou jogando fora uma das grandes oportunidades de desenvolvimento do país. Trato da questão em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, lançado há dois anos.
O Plano Real foi lançado no apogeu do mercadismo, do livre fluxo de capitais, o chamado neoliberalismo em vigor no mundo. A aliança preferencial foi com os chamados gestores de recursos – bancos de investimento criados nos anos 80 e que ganharam envergadura com operações duvidosas, como a escandalosa decisão do então Ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, de permitir conversão de dívida externa brasileira em cruzados – que possibilitou ganhos gigantescos a alguns bancos e ajudou a deflagrar a superinflação do final do governo Sarney.
A maneira de beneficiar esses gestores foi na passagem da URV para o real, na definição das regras de emissão do real. Em vez de utilizar a emissão para liquidar com a dívida pública (no vencimento dos títulos, entregar reais aos investidores, o que poderia ter permitido um salto na economia), os economistas do Real decidiram que só haveria a troca de reais para quem trouxesse dólares. Com isso, transferiram o controle do crédito na economia para os gestores de recursos externos.
O segundo passo foi a apreciação do Real, logo na partida do plano, que permitiu ganhos milionários a economistas que participaram do Plano e a banqueiros e gestores de recursos ligados a eles e, no momento seguinte, impediu o país de continuar crescendo, devido aos desequilíbrios nas contas externas. Leia o resto do artigo »
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Postado em 20 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: PH Amorim
Depois da cúpula das Américas, fica claro:
A América Latina vai para onde o Brasil e os Estados Unidos se inclinarem.
E isso aconteceu depois que Fernando Henrique Cardoso há sete anos não governa mais o Brasil.
E tão cedo os tucanos de São Paulo (*) não vão governar.
FHC vai cortar os pulsos.
(*) Segundo Mauricio Dias, da Carta Capital, José Serra quer mesmo é ser o “interventor de São Paulo no Brasil”.
Leia mais: Diplomacia de Lula desmoraliza FHC.
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Postado em 17 dEurope/London abril dEurope/London 2009
O Conversa Afiada reproduz artigo do historiador marxista Eric Hobsbawm, extraído da Carta Maior e do Guardian.
Socialismo fracassou, capitalismo quebrou: o que vem a seguir?
A prova de uma política progressista não é privada, mas sim pública. A prioridade não é o aumento do lucro e do consumo, mas sim a ampliação das oportunidades e, como diz Amartya Sen, das capacidades de todos por meio da ação coletiva. Isso significa iniciativa pública não baseada na busca de lucro. Decisões públicas dirigidas a melhorias sociais coletivas com as quais todos sairiam ganhando. Esta é a base de uma política progressista, não a maximização do crescimento econômico e da riqueza pessoal. A análise é do historiador britânico Eric Hobsbawm.
Seja qual for o logotipo ideológico que adotemos, o deslocamento do mercado livre para a ação pública deve ser maior do que os políticos imaginam. O século XX já ficou para trás, mas ainda não aprendemos a viver no século XXI, ou ao menos pensá-lo de um modo apropriado. Não deveria ser tão difícil como parece, dado que a idéia básica que dominou a economia e a política no século passado desapareceu, claramente, pelo sumidouro da história. O que tínhamos era um modo de pensar as modernas economias industriais – em realidade todas as economias -, em termos de dois opostos mutuamente excludentes: capitalismo ou socialismo. Leia o resto do artigo »
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Postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Jornal da Ciência
Presidente dos EUA estaria disposto a negociar regras sobre o nível de CO2 que as indústrias americanas poderão emitir
O presidente dos EUA, Barack Obama, espera que uma legislação sobre mudanças climáticas fique pronta ainda este ano. Segundo a presidente do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca, Nancy Sutley, Obama está disposto a negociar regras sobre o nível de CO2 que as indústrias americanas poderão emitir.
Pelo projeto apresentado no mês passado por dois congressistas do Partido Democrata, Edward Markey e Henry Waxman, os EUA teriam de reduzir em 20% até 2020 as emissões de gases associados ao aquecimento global. Usinas de energia e indústrias que emitissem menos CO2 que o estipulado poderiam comercializar seus créditos de carbono.
A Casa Branca “ainda avalia” o projeto e espera que outras propostas sejam apresentadas nos próximos meses, disse Sutley. “O presidente pediu que um projeto de lei seja enviado a ele ainda este ano”, acrescentou.
Sutley afirmou que o governo está aberto a negociações sobre as permissões que serão concedidas às empresas para emitirem CO2 e quanto dessas autorizações elas poderão comercializar. “Eu acho que essa ainda é uma área para discussão.”
O sistema de crédito de carbono nos EUA deve entrar em vigor em 2012, mas a assessora do presidente disse que ainda é cedo para dizer quando o modelo americano poderá ser integrado ao modelo já em funcionamento da União Europeia. Autoridades europeias acreditam que a criação de um sistema americano daria um novo impulso ao mercado internacional de créditos de carbono.
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Postado em 15 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Não é preciso usar a palavra “nacionalização” se ela incomoda as pessoas, mas alguma forma que permitisse que investigadores independentes, investigadores do governo tivessem acesso aos livros e descobrissem o que eles estão fazendo, quem deve o quê a quem, que é a base de qualquer forma de mudança. Não há uma lei da natureza que diga que as empresas têm apenas de se dedicar a dar lucro aos seus acionistas. Nem sequer está na lei. Na sua maioria são decisões de tribunais e decisões de gestão e por aí adiante. É perfeitamente concebível que as empresas, se existem, sejam responsáveis diante dos acionistas, da comunidade, dos seus trabalhadores. No essencial, o sistema funciona assim: o público paga os custos e assume os riscos, e os lucros são privatizados.
O governo poderia ter comprado a AIG ou o Citigroup por muito menos do que está gastando agora. Numa sociedade democrática, o governo deveria seguir os interesses do povo, e haver um compromisso público direto no que estas instituições devem fazer e como elas devem distribuir o seu dinheiro, em que termos, etc. Podiam ser democraticamente geridas pelos seus trabalhadores, pela comunidade.
Mas a nacionalização é só um passo em direção à democratização. A questão é quem as gere, quem toma as decisões, quem as controla. Agora, nas instituições nacionalizadas, as decisões ainda são tomadas de cima para baixo, mas não tem de ser assim. Não há uma lei da natureza que diga que não podem ser administradas democraticamente.
A mania de desregulação dos últimos 30 anos, baseada em conceitos religiosos realmente fundamentalistas sobre a eficiência dos mercados em grande parte desapareceu, e muito rapidamente. Veja por exemplo Lawrence Summers, que é hoje praticamente o principal conselheiro econômico de Obama, conseguiu reconstruir o sistema regulatório que ele destruiu há poucos anos. Ele foi um dos principais a impedir o Congresso a regulamentar os derivados e outros instrumentos exóticos, sob a influência destas idéias sobre eficiência dos mercados e escolha racional, etc. Essas idéias estão agora muito abaladas, e parte do aparelho regulatório vai ser reconstruído. Mas a história disto é muito clara e fácil de entender: os sistemas de regulação tendem a ser tomados pelas empresas que deveriam regulamentar. Foi o que aconteceu com as ferrovias e outros casos. E é natural. Elas têm o poder, poder concentrado, capital concentrado, influência política enorme – de certa forma regem o governo. Acaba que eles assumem o controle do aparelho regulatório no seu próprio interesse.
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