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Enfrentando os desafios atuais

Posted By heldojr On 5 julho, 2010 @ 3:12 pm In Conjuntura | No Comments

Ainda não conhecemos todos os efeitos que as sucessivas crises internacionais terão na distribuição de forças entre os países do mundo. Sabemos que os países desenvolvidos, a despeito de ainda serem os principais atores, perdem credibilidade e a influência que tinham nos fóruns de debates e nas tomadas de decisão multilaterais. Mas é interessante entender a forma como os principais formadores de opinião do país interpretam essas mudanças. E me surpreendeu a opinião do ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso (clique para ler o artigo do ex-presidente [1]).

A crise americana no final de 2008 provocou dificuldades na maioria dos países que tinha sua economia baseada nas exportações para os EUA. Os países europeus e alguns dos países em desenvolvimento sentiram o golpe e tiveram taxas de crescimento bem reduzidas em 2009. O Brasil conseguiu minimizar os efeitos da crise com incentivos ao consumo e à manutenção do nível de emprego. Mais que isso, o país que não sofreu com recessão em 2009 cresce a taxas ainda mais elevadas esse ano. Trata-se de reconhecer qual a verdadeira necessidade que o mercado internacional tem a cumprir no desenvolvimento da economia nacional.

Ou seja, o país assumiu uma postura de enfrentar a crise através da valorização do mercado interno. Não se trata de abrir mão do mercado internacional, mas modificar o tipo de inserção no mundo.

Essa alternativa vai de encontro ao consenso estabelecido durante os anos 1990 de que países em desenvolvimento não possuíam mercado consumidor para sustentar o crescimento a taxas elevadas. Economicamente, essa tese baseava-se na idéia de que a poupança interna era insuficiente para financiar o investimento necessário para o crescimento. Portanto, a única alternativa era especializarem-se em produtos para exportação e procurar desenvolverem-se vendendo para o exterior.

As crises nos países desenvolvidos mostra é que a poupança deles estava baseada em especulação imobiliária, no caso dos EUA, e incentivos fiscais no caso europeu. O que ruiu com a crise não foram apenas os lucros dos acionistas, mas toda a base da ideologia que os sustentava. Ora, se os EUA podiam lastrear crédito com especulação imobiliária e a Europa pode manter incentivos fiscais para criar investimento, então a poupança não é uma dádiva da natureza, mas uma construção, que em doses erradas pode trazer sérias conseqüências negativas.

Vivemos um momento parecido com o do final dos anos 70, quando o equilíbrio de forças mundial teve seu último abalo. Naquele momento, foram as dificuldades com o preço petróleo que provocaram todos os problemas financeiros que se seguiram. O Brasil, como todos os países que dependiam de importações de petróleo sofreu com a crise, o que estancou o crescimento. O problema é diferente hoje, somos autossuficientes na maioria dos insumos e temos boas relações com os vendedores daqueles que precisamos. Se os insumos não são o problema e nem a poupança, temos outros desafios a enfrentar.

Os desafios nessa situação são diversos de simplesmente achar recursos para financiar o desenvolvimento. Os problemas de infra-estrutura devem ser resolvidos com ampliação do investimento. A maioria desses investimentos traz benefícios para todo o país ao mesmo tempo. São, por excelência, bens públicos. Não há problema em financiar com dinheiro de impostos, desde que sejam gastos com transparência. O principal entrave para o desenvolvimento acelerado pode ser o desenvolvimento de tecnologia, mas mesmo esse problema pode ser resolvido com investimentos. Os impactos ambientais devem ser avaliados por especialistas, que devem entender a importância do que está sendo tratado, sem desviar dos critérios técnicos.

Não podemos desperdiçar essa oportunidade enfrentando problemas do passado sem analisar as diferenças que a realidade atual difere do passado.


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[1] clique para ler o artigo do ex-presidente: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100704/not_imp576097,0.php

[2] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/

[3] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/

[4] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/

[5] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/

[6] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/

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