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Oferta, demanda e desemprego

Posted By Imprensa On 11 março, 2010 @ 4:41 pm In Conjuntura,O que deu na Imprensa,Política Econômica | No Comments

Por Paul Krugman

Fonte: Estadão [1]

Chegaram a mim boatos de que o Wall Street Journal teria publicado algo mais ou menos no seguinte sentido: “Krugman diz que os benefícios contra o desemprego não levam a um aumento no desemprego, mas em seu livro ele diz o contrário, nhé nhé nhé.” Será que eles são mesmo tão estúpidos assim? Provavelmente não – mas parecem pensar que você, leitor, é.

De todo modo, talvez agora seja um bom momento para explicar a diferença entre os fatores determinantes para a NAIRU – a taxa mínima de desemprego condizente com uma inflação estável – e os fatores determinantes para o desemprego num outro momento qualquer.

Pois bem: há limites para a taxa de desemprego que a economia consegue suportar sem incorrer em problemas inflacionários. Isso costuma ser expressado em termos de uma proporção estável entre desemprego e inflação; é verdade que podemos questionar até que ponto esse conceito é válido, principalmente nos casos de inflação muito baixa, mas isso já é outro assunto.

Todos concordam que, por reduzirem o incentivo para a procura de emprego, benefícios muito generosos para combater o desemprego podem elevar a NAIRU; isto é, estabelecer um limite para até que ponto é possível empurrar o desemprego sem incorrer em problemas inflacionários.

Mas, caso não tenha notado, o problema que restringe atualmente a criação de postos de trabalho nos Estados Unidos não é esse. Em vez de aumentar, o crescimento dos salários está em declínio, e o mesmo pode ser dito da inflação. Uma espiral de salários e preços parece um sonho distante.

No momento, a criação de empregos é limitada pela falta de demanda pelos artigos que os trabalhadores produzem. Por enquanto, o incentivo para procurar emprego é irrelevante. É por isso que comentários de gente como o senador Kyl parecem tão absurdos – uma pessoa que acha que o alto desemprego no primeiro trimestre de 2010 está associado ao fato de os trabalhadores receberem benefícios excessivamente generosos não deve sair muito de casa.

E a verdade é que os benefícios contra o desemprego são uma forma rápida, eficiente e administrativamente fácil de aumentar a demanda, coisa que realmente desejamos fazer. Assim, no momento, esses benefícios agem no sentido de reduzir o desemprego.


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[1] Estadão: http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/

[2] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/

[3] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/

[4] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/

[5] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/

[6] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/

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