Oferta, demanda e desemprego
Escrito por Imprensa, postado em 11 dEurope/London março dEurope/London 2010
Por Paul Krugman
Fonte: Estadão
Chegaram a mim boatos de que o Wall Street Journal teria publicado algo mais ou menos no seguinte sentido: “Krugman diz que os benefícios contra o desemprego não levam a um aumento no desemprego, mas em seu livro ele diz o contrário, nhé nhé nhé.” Será que eles são mesmo tão estúpidos assim? Provavelmente não – mas parecem pensar que você, leitor, é.
De todo modo, talvez agora seja um bom momento para explicar a diferença entre os fatores determinantes para a NAIRU – a taxa mínima de desemprego condizente com uma inflação estável – e os fatores determinantes para o desemprego num outro momento qualquer.
Pois bem: há limites para a taxa de desemprego que a economia consegue suportar sem incorrer em problemas inflacionários. Isso costuma ser expressado em termos de uma proporção estável entre desemprego e inflação; é verdade que podemos questionar até que ponto esse conceito é válido, principalmente nos casos de inflação muito baixa, mas isso já é outro assunto.
Todos concordam que, por reduzirem o incentivo para a procura de emprego, benefícios muito generosos para combater o desemprego podem elevar a NAIRU; isto é, estabelecer um limite para até que ponto é possível empurrar o desemprego sem incorrer em problemas inflacionários.
Mas, caso não tenha notado, o problema que restringe atualmente a criação de postos de trabalho nos Estados Unidos não é esse. Em vez de aumentar, o crescimento dos salários está em declínio, e o mesmo pode ser dito da inflação. Uma espiral de salários e preços parece um sonho distante.
No momento, a criação de empregos é limitada pela falta de demanda pelos artigos que os trabalhadores produzem. Por enquanto, o incentivo para procurar emprego é irrelevante. É por isso que comentários de gente como o senador Kyl parecem tão absurdos – uma pessoa que acha que o alto desemprego no primeiro trimestre de 2010 está associado ao fato de os trabalhadores receberem benefícios excessivamente generosos não deve sair muito de casa.
E a verdade é que os benefícios contra o desemprego são uma forma rápida, eficiente e administrativamente fácil de aumentar a demanda, coisa que realmente desejamos fazer. Assim, no momento, esses benefícios agem no sentido de reduzir o desemprego.










