Ciro bate o pé
Escrito por Imprensa, postado em 22 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2010
Por Leandro Fortes
Fazia tempo que Ciro Gomes não era tão assediado pela mídia. Mas desde a divulgação das duas mais recentes pesquisas eleitorais à Presidência da República, do Vox Populi e do Instituto Sensus, o deputado do PSB e ainda presidenciável vive cercado de jornalistas. O que todos querem saber é se Ciro será ou não candidato ao Palácio do Planalto, ele que se tornou uma espécie de fiel da balança na disputa entre a ministra Dilma Rousseff e o governador paulista José Serra.
A quem o procurou no Congresso na primeira semana de fevereiro, Ciro repetiu a intenção de disputar a Presidência e não poupou ninguém no espectro político brasileiro. Chamou o ex-ministro José Dirceu de “golpista”; classificou a coalizão PT-PMDB de “roçado de escândalos já semeados”; e ironizou a popularidade do presidente ao declarar que o “santo Lula”, a quem apoia e admira publicamente, estava errado ao polarizar, plebiscitariamente, a disputa entre Dilma e Serra.
Além de se mostrar pouco disposto a ceder ao pedido de Lula para abandonar a disputa, o deputado tem feito críticas sistemáticas à política econômica. Preocupa-se com a degradação das contas externas e acusa o governo de irresponsabilidade fiscal e de manejar as dívidas de forma imprópria. E desdenha dos resultados da pesquisa CNT/Sensus: “Não vou deixar que o Clésio Andrade (presidente da Confederação Nacional dos Transportes – CNT), de Minas Gerais, decida quem será o próximo presidente”.
No mais, acha graça da fama de encrenqueiro e intempestivo que o acompanha desde que, muito jovem, entrou na política, três décadas atrás. “É resultado da minha franqueza.” Acha que chegou a hora de o Brasil se livrar da eterna disputa entre o PT e o PSDB e defende um novo modelo de relações políticas, dentro e fora do governo. A seguir, os principais trechos de uma inédita entrevista concedida por Ciro Gomes a CartaCapital em dezembro. Seu conteúdo continua válido.
CartaCapital: Qual vai ser o desafio das eleições de 2010?
Ciro Gomes: A grande tarefa de 2010, na minha opinião, será a de não permitir que seja apenas uma disputa convencional de Chico contra Manuel e contra Tereza. Será necessário, vença quem vencer, institucionalizar os avanços do governo Lula. Porque tudo melhorou, olhando para trás.










