Onde estão os engenheiros brasileiros?, entrevista com Roberto Lobo
Escrito por Imprensa, postado em 22 dEurope/London janeiro dEurope/London 2010
Demais países do Bric formam muito mais engenheiros do que o Brasil. Isso compromete o processo de inovação no país
Fonte: Jornal da Ciência
A escassez de mão de obra é uma das grandes preocupações do setor da construção civil no Brasil. Roberto Lobo, presidente do Instituto Lobo e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), estima que para cada US$ 1 milhão investidos em novas construções é necessário um novo engenheiro.
“Só para concluir as obras do Programa de Aceleração do Crescimento serão necessários 500 mil trabalhadores”, diz Lobo.
- Quantos engenheiros se formam por ano no Brasil?
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de engenheiros formados no Brasil em 2008 foi de 30 mil. Mas os demais países do Bric (Rússia, Índia e China) formam muito mais engenheiros do que nós. Na Rússia são 120 mil, na Índia, 200 mil, e na China, 300 mil. Comparando o percentual de engenheiros formados em relação ao total de estudantes que concluem o ensino superior, no Brasil, eles correspondem a apenas 5%. No Japão, 19% dos formados estão nas áreas de engenharia; na Coréia, 25%; e na Rússia, 18%.
- A produção científica na área de engenharia no país é relevante?
Não. Enquanto o Brasil publicou, em 2007, menos de 2 mil trabalhos, a Índia produziu 4 mil; a Rússia, cerca de 3,5 mil; a Coreia, 6,5 mil, e a China, o número impressionante de 50 mil trabalhos.
- Isso se repete com relação ao número de patentes?
Sim. Centros internacionais apontam que os registros de patentes brasileiras estão em patamares inferiores aos demais países do Bric. Um exemplo é o WIPO Statistics – Database de 2008, que informa o número de patentes em 2007 no Brasil foi de apenas 397, sendo que na Rússia foi de 28.085, na China, 5.206 e na Índia, 2.808.










