Verdades alcançáveis
Escrito por Imprensa, postado em 9 dEurope/London dezembro dEurope/London 2009
Por Paul Krugman
Fonte: Jornal da Ciência (08/12/2009)
Talvez eu seja ingênuo, mas estou otimista em relação às discussões climáticas que começaram a acontecer em Copenhague. O presidente Obama agora diz que pretende discursar no último dia da conferência, o que sugere que a Casa Branca acredita em progressos reais.
Também é animador ver países em desenvolvimento – como a China, maior poluidora do planeta – concordando, pelo menos em princípio, de que devem fazer parte da solução.
Claro que, se tudo for bem em Copenhague, os suspeitos de sempre vão enlouquecer.
Vamos ouvir que o aquecimento global é uma grande conspiração científica, como é o caso dos e-mails roubados que mostram, bem, mostram que cientistas são humanos também, mas deixa para lá. Também vamos ouvir reclamações de que as políticas de combate às mudanças climáticas vão destruir empregos.
A verdade, porém, é que reduzir as emissões de gases do efeito estufa é algo tão possível quanto essencial.
Estudos sérios já provaram que podemos atingir altos níveis de redução com pequenos impactos na economia e no crescimento. E a crise financeira não é uma razão para esperarmos mais – na verdade, um acordo em Copenhague provavelmente vai ajudar a recuperação da economia.
E por que você deve acreditar que a redução das emissões é possível? Primeiramente porque incentivos financeiros funcionam.
Ações em torno do clima, se acontecerem, vão ter a forma de créditos de carbono: os negociadores terão que comprar permissões para cobrir suas emissões de gases do efeito estufa. Eles só poderão aumentar seus lucros se queimarem menos CO2 – e esse é um motivo para acreditar que todos serão criativos para encontrar formas de fazer isso.
A verdade é que conservadores que preveem um caos na economia se tentarmos combater as mudanças climáticas estão traindo seus princípios. Eles garantem acreditar que o capitalismo é infinitamente adaptável, que a mágica do mercado pode lidar com qualquer problema. Mas por alguma razão eles insistem que o modo crédito carbono – um sistema especificamente criado para usar a força do mercado para vencer o problema ambiental – não vai funcionar.
Bem, eles estão errados, mais uma vez.
A polêmica em torno da chuva ácida nos anos 90 foi uma espécie de ensaio para o que está acontecendo agora.
Na época, a extrema-direita renegou a ciência. Grupos bradavam que qualquer tentativa de limitar emissões traria grandes danos à economia.
Mas os EUA foram em frente, com um sistema de créditos para o dióxido de enxofre. E adivinhem o que aconteceu? Funcionou, permitindo um corte substancial a um custo abaixo do previsto.
Limitar as emissões de gases do efeito estufa vai ser uma tarefa muito mais difícil e complexa – mas podemos nos surpreender como isso pode ser fácil à medida em que começarmos.
O orçamento do Congresso estimou que, em 2050, os limites das emissões propostos pela legislação atual reduziriam o PIB entre 1% e 3,5%. Se dividirmos a diferença, o resultado é que o custo da limitação das emissões retardaria o crescimento anual da economia nos próximos quarenta anos em um vigésimo de um ponto percentual. Não é muito. E se a experiência com a chuva ácida for tomada como referência, o custo real pode ser ainda menor.
Então vamos torcer para que o meu otimismo em relação a Copenhague seja justificado. Um acordo salvaria o planeta por um preço que podemos pagar – e isso nos ajudaria nesse momento desagradável da economia.
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