O descompasso da política econômica
Escrito por Imprensa, postado em 10 dEurope/London dezembro dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Não vai dar certo. Lembra a história dos dois burricos na estrada, cada qual querendo comer tufos de grama de cada lado da pista.
O Banco Central prossegue intrépido em sua política de manter juros acima das taxas internacionais, não atuar contra a apreciação do real, permitindo a ampliação do déficit externo.
Para contrabalançar, a Fazenda toma medidas de desoneração de investimentos, amplia o capital do BNDES, acelerando o crescimento econômico – que já tem uma previsão robusta para 2010.
O resultado é óbvio. Mais crescimento implica mais mais importações. Mesmo com o câmbio no lugar certo, implicaria menos exportações – sempre que a economia cresce, parte das exportações é direcionada para o mercado externo. Com o câmbio no lugar errado, ampliará o rombo nas contas externas.
Para o modelo fechar, portanto, haveria a necessidade de um câmbio competitivo, que assegurasse menor déficit em contas externas.
Com esse descompasso entre Fazenda e BC, o que irá acontecer:
1. O saldo comercial será drasticamente reduzido.
2. A atividade interna acelerada aumentará o lucro das empresas. Com o câmbio apreciado, haverá estímulo para o aumento das remessas a título de juros e dividendos. Sempre que pressentem que o câmbio poderá repicar, as multi aumentam as remessas.
3. Hoje em dia, há poucas dúvidas de que o país está sendo alvo de um ataque de capitais especulativos. E vai prosseguir até o real se aproximar de níveis insustentáveis.
4. Vai-se chegar a meados do próximo ano com necessidades brutais de financiamento das contas externas, em um mundo que ainda não se recuperou plenamente da crise de 2008.
5. Sem o câmbio competitivo, isenções fiscais são gambiarras, curativos de efeito imediato, mas incapazes de conter a perda de competitividade.
6. O Brasil foi salvo da crise das contas externas em 2008 graças à crise internacional. Deus provou que é brasileiro, salvando o país de um erro. Mas persistir no erro provocará o afastamento até da mão divina.
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11 dEurope/London dezembro, 2009 as 1:55 pm
Por que nós, cidadãos brasileiros, aceitamos esta política econômica esquizofrênica e prejudicial? Será que, coletivamente, fomos lobotomizados e ainda não demos conta disso?
15 dEurope/London dezembro, 2009 as 5:49 pm
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