O desafio do carro elétrico
Escrito por Imprensa, postado em 15 dEurope/London dezembro dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Um dos grandes desafios tecnológicos brasileiros será o de manter a liderança dos carros flex, mas não perder a próxima onda tecnológica, a do carro elétrico.
O trabalho “Carro elétrico, a revolução geopolítica e econômica do século XXI e o desenvolvimento do Brasil”, de Gustavo Antônio Galvão dos Santos, Bruno Galvão dos Santos, Rodrigo Loureiro Medeiros e Roberto Pereira D’Araújo – os dois primeiros economistas do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico s Social), o terceiro professor de engenharia da Universidade Federal do Espírito Santo, a o quarto engenheiro eletricista – tenta responder a esse desafio.
A indústria automobilística é ponto central da indústria meta-mecânica, onde se concentram 70% das inovações e das exportações mundiais de manufaturas.
A migração do setor tradicional para a China criou desafios enormes para o Japão e para a Europa. A reação se deu através de barreiras ambientais e no investimento maciço no carro elétrico já que provavelmente a China investirá na tecnologia para seu mercado interno.
Apesar de abrir novas perspectivas tecnológicas, o carro elétrico será uma ameaça futura às apostas de desenvolvimento brasileiro formuladas nos últimos anos: pré-sal, etanol, metal-mecânica do diesel e carros populares.
O caminho será o país investir em carros elétricos e híbridos, propõem os pesquisadores. A tecnologia mais promissora, em sua opinião, seria a célula combustível a etanol. Mas não basta contar com pesquisas, universidades e pequenas empresas inovadoras. Sem um campeão nacional – uma grande montadora nacional focada no desenvolvimento do carro elétrico -, o país corre o risco de perder a aposta nos biocombustíveis.
A economia do baixo carbono se baseia no tripé maior eficiência, eletricidade de baixo carbono e mobilidade de baixo carbono. Sozinha, a mobilidade representa de 20 a 30% da energia consumida.
“Na mobilidade o carro elétrico é solução perfeita, pois tem zero de emissão direta e aproveita as fontes alternativas de geração elétrica. Além disso, ela é também a mais eficiente em termos energéticos, pois o carro elétrico se reabastece na frenagem, na descida e não gasta energia em ponto morto”, constata o trabalho.
O grande desafio é a bateria, já que o motor elétrico custa uma fração do motor a combustão.
No caso do Brasil, considera-se que a indústria mecânica, apesar dos baixos investimentos, ainda se mantém competitiva. O sistema Finame-BNDES é eficiente e o país é grande produtor e exportador de aço, ferro-gusa, ferro-ligas e metais não-ferrosos. No combustível, o país deveria investir em células de combustível a etanol
A proposta central é a da criação de um campeão brasileiro. Além de inserir o país na nova economia, teria o papel de salvar a aposta brasileira no etanol. Sem um a grande empresa por trás, não haverá condições de bancar grandes revoluções tecnológicas. O país será simplesmente copiado ou desconsiderado pelas grandes corporações e pelo mercado.
Os investimentos na célula combustível não serão viabilizados se se recorrer apenas às universidades.
O país está aprendendo a pensar grande. Mas provavelmente a proposta traz um desafio acima até da capacidade brasileira atual de ousar.










