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O Muro de Berlim e a crise financeira

Posted By Imprensa On 9 novembro, 2009 @ 11:27 am In Destaques da Semana,Internacional,O que deu na Imprensa | No Comments

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Publicado na Folha de S. Paulo de 09/11/2009

Hoje o mundo comemora os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Nesse dia, uma revolta popular marcou o triunfo da democracia sobre o autoritarismo e a vitória do capitalismo sobre o estatismo. Essa dupla vitória, porém, levou o pensamento convencional do mundo desenvolvido a um duplo equívoco: supor que o mercado poderia substituir o Estado na coordenação da economia e supor que o ideal do socialismo fora definitivamente afastado.

O segundo erro não teve consequências maiores para o que se seguiu no mundo. A ideologia liberal ganhou um ponto em relação à socialista -o ideal da liberdade se sobrepôs aos ideais da igualdade e da solidariedade-, mas isso não significa que as sociedades modernas tenham abandonado os dois últimos.

Já o primeiro erro, que se consubstanciou no neoliberalismo, teve consequências negativas sobre o capitalismo vitorioso. O capitalismo venceu porque a coordenação pelo mercado é muito superior à coordenação por um modelo planificado depois (não antes) que uma sociedade tenha realizado sua acumulação inicial de capital e se industrializado. Mas isso não significa que sem regulação firme pelo Estado os mercados possam realizar sua tarefa de alocação de recursos e seu papel de criar oportunidade para empresários inovadores fundarem empresas, descobrirem mercados e impulsionarem a economia.

Se 1989 foi um marco histórico, 19 anos depois a Crise Financeira Global foi outro. Ela demonstrou a que excessos nos levou o triunfalismo liberal transformado em neoliberalismo. No pós-Segunda Guerra Mundial, o capitalismo havia assumido um caráter social e democrático vivemos então os 30 Anos Gloriosos do Capitalismo. Porém, desde o final dos anos 1970, esse grande avanço começou a ser desafiado pelo fundamentalismo de mercado neoliberal.

Nos anos 1990, apoiado na hegemonia política alcançada pelos EUA ao derrotar a União Soviética, o neoliberalismo transformou-se na “verdade única”, promoveu a queda dos salários nos países ricos e a diminuição das oportunidades de investimento para os empresários, enquanto aumentava os bônus dos financistas e as rendas dos capitalistas rentistas vivendo de juros, aluguéis e dividendos. Causou, assim, o aumento da desigualdade ao mesmo tempo em que provocou sucessivas crises financeiras tanto nos países ricos como nos de renda média -crises que terminaram tristemente na grande e duradoura crise atual.

Comemoremos, portanto, a queda do Muro de Berlim, mas não nos deixemos enganar pelos radicais, sejam eles liberais, sejam socialistas. Estes fizeram revoluções que produziram sofrimentos e não resultaram no socialismo aqueles se deixaram levar pelo neoliberalismo, promoveram a redução das taxas de crescimento quando comparadas com os 30 Anos Gloriosos e apenas beneficiaram os 2% mais ricos da população.

As ideologias não são mais simples falsa consciência como eram no tempo de Marx e Engels. Ao descobri-las e denunciá-las, esses grandes pensadores afinal as tornaram sistemas de valores e crenças políticas conscientes e respeitáveis porque associados a objetivos fundamentais: a liberdade, para os liberais a igualdade e a fraternidade, para os socialistas. No momento, porém, em que as ideologias se tornam radicais, o sistema de concessões mútuas que está na base da política e, portanto, que define as sociedades democráticas passa a correr perigo. Tanto a queda do Muro de Berlim como a Crise Financeira Global nos servem de advertência.


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[1] Grande Entrevista com Paulo Henrique Amorim!! PHA / REVISTA FÓRUM: DANTAS COMPROU PARTE DO PT: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/grande-entrevista-com-paulo-henrique-amorim-pha-revista-forum-dantas-comprou-parte-do-pt/

[2] Novo Capítulo do Dossiê do Nassif x Veja: As relações incestuosas na mídia: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/novo-capitulo-do-dossie-do-nassif-x-veja-as-relacoes-incestuosas-na-midia/

[3] Paraguai não pode ser uma ilha entre as outras nações”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/paraguai-nao-pode-ser-uma-ilha-entre-as-outras-nacoes%e2%80%9d/

[4] Chegou o tempo dos idealistas: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/as-duas-faces-do-projeto-mediocratico-no-brasil/

[5] EDMUND PHELPS, NOBEL DE ECONOMIA 2006, É ENTREVISTADO NA VEJA: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/edmund-phelps-nobel-de-economia-2006-e-entrevistado-na-veja/

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