O poder regenerador do crescimento
Escrito por Imprensa, postado em 23 dEurope/London setembro dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Durante dois dias, a Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, juntou economistas, advogados, cientistas sociais para analisar o novo momento da economia brasileira.
Dentre os vários temas levantados, um dos mais relevantes – e pouco estudado pela literatura econômica – é a dinâmica que momentos de crescimento impõem à economia.
O caso brasileiro é exemplar. Durante anos, a discussão pública se restringia a bordões recorrentes sobre superávit fiscal, taxa Selic e inflação. Como lembrou Yoshiaki Nakano, na própria FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) havia um clima permanente de velório.
Era impossível virar o disco, buscar uma agenda de desenvolvimento. Cada movimento era afogado por toneladas de alertas quanto à volta da inflação, o déficit público, como se fosse impossível compatibilizar crescimento e inflação controlada.
Nos anos que antecederam a grande crise de 2008, o boom da economia mundial puxou a economia brasileira. Bastaram alguns anos de crescimento moderado para mudar a agenda. O crescimento expôs as vulnerabilidades da economia, viabilizou economicamente investimentos em infra-estrutura, mostrou a importância dos gastos com educação, ferrovias, saneamento.
A crise interrompeu um pouco esse clima para frente. Mas a nova agenda já estava consolidada, inclusive mudando conceitos dentro do próprio Executivo, abrindo espaço para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Quando Lord Keynes se referia ao chamado “espírito animal” do empresário, tinha em mente essa dinâmica proporcionada pelo crescimento. De certo modo, o medo de crescer tem um componente psicológico e cultural similar ao que amarra pessoas ao estado de miséria absoluta ou bloqueia qualquer pretensão à inovação por parte do pequeno empresário. Não tentam sair da situação por falta de confiança no próprio taco, ou por não saber que podem superar a inércia na qual se encontram.
Há uma antiquíssima discussão entre economistas, sobre se a poupança antecede o crescimento, ou o crescimento é que gera poupança. Na prática, o que se observa é que o início de processos de crescimento estimulam a vontade nacional, facilitam mudanças, geram solidariedade em torno de objetivos comuns.
Um dos casos analisados no Seminário foi o chinês. A China tornando-se potência em um ambiente não democrático. Sinal de que, para crescer como a China haveria a necessidade de abolir a democracia? Nada disso. A China cresce, assim como os EUA experimentaram seu apogeu, porque há clareza sobre o caminho a ser percorrido e uma mensagem captada por todo o país que gera a solidariedade em torno de objetivos comuns.
No Brasil dos anos 70 o crescimento estimulava o apoio à ditadura. Depois, a própria falta de democracia provocou a entropia que impediu o arejamento, provocando a estratificação do modelo – que só seria rompido depois de muita crise.
É esse movimento que seria facilmente deflagrado se houvesse um governo com peito suficiente para mudar o modelo cambial e gerar uma moeda que tornasse a economia brasileira competitiva.











29 dEurope/London setembro, 2009 as 9:42 am
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