- Blog do Desemprego Zero - http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero -

A volta da nacionalização de recursos?

Posted By Imprensa On 16 setembro, 2009 @ 9:59 am In Desenvolvimento,Internacional,O que deu na Imprensa | 1 Comment

Por Nouriel Roubini

Fonte: CartaCapital [1]

Com as reuniões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o anúncio de novas regras para o petróleo offshore do governo brasileiro, vamos examinar se o controle estatal desse recurso está em alta, enquanto o preço da commodity continua a subir.

Tradicionalmente, quando o preço sobe, os governos procuram ampliar sua participação na produção, seja para poupar, seja para gastar mais. Quando os preços caem, em contraste, tendem a afrouxar os regimes fiscais para encorajar o investimento e a extração. O período de 2005 até meados de 2008 comprova essa tese. Como a cotação do petróleo aumentou, desde o Cazaquistão até a Rússia e a Venezuela buscaram reduzir a influência de petrolíferas estrangeiras nos projetos-chave. Mesmo a província canadense de Alberta tentou alterar seu regime de royalties. Essas mudanças políticas tendem a ser populares – e de acordo com alguns analistas permitem financiar projetos de infraestrutura -, mas também perigam afastar investimentos do setor de gás e petróleo.

A combinação de fraca demanda, preços baixos e aperto de crédito contribuiu para uma redução de investimentos em hidrocarbonetos. Como o cenário de investimento era desanimador, alguns países aliviaram a regulamentação no início de 2009.

O anúncio das novas regras para os depósitos em águas profundas na costa brasileira reativou o debate sobre a nacionalização dos recursos. Os depósitos da camada pré-sal são uma das mais promissoras, embora caras, fontes de suprimento disponíveis globalmente. O presidente Lula revelou as novas regras no que chamou de “Dia de Independência do Brasil”. Entre outras coisas, elas definem que a Petrobras, uma companhia aberta, mas de controle estatal, terá participação majoritária em qualquer novo desenvolvimento em águas profundas. O movimento, que marca uma mudança nas regras atuais, não se aplica retroativamente.

Enquanto a nova regulamentação é significativa – e o seu trâmite no Congresso pode ser problemático para as ações da Petrobras e as decisões de investimento – é preciso ver até que ponto elas trazem preocupação. O País está comprometido em aumentar a produção e elevar a capacidade doméstica de refino e deixou claro que se unir à Opep está fora de discussão. Ao contrário de outras nacionalizações recentes, os contratos prévios continuam válidos e a Petrobras já detinha a maior parte da maioria dos contratos em águas profundas.

Não parece provável que o Brasil vá imitar alguns de seus vizinhos da América Latina, vários dos quais tratam as petrolíferas nacionais como vacas leiteiras. O México retira parte da receita da Pemex, mas a produção no principal campo do país, o Cantarell, está em queda desde meados dos anos 2000, e as restrições ao investimento estrangeiro deixaram a empresa para trás na exploração nas águas do Golfo do México. Apesar dos ganhos com o hedge de petróleo, as contas do México continuam vulneráveis e a divisão política impede reformas na área energética, adiando qualquer aumento de produção.

A Venezuela, palco de uma série de nacionalizações, de banco a cimento e petróleo, hoje dá sinais de um acordo com as companhias de petróleo internacionais, depois de ter forçado essas empresas a assumir participações menores no Vale do Orinoco. Entretanto, a maioria das parcerias da Venezuela tem envolvido petrolíferas estatais.

A Rússia mudou seu regime fiscal em um esforço para atrair mais investimento e estimular a exploração em áreas de difícil acesso. A produção de petróleo russa mantém-se estagnada em 2009, depois de cair em 2008. O governo do Iraque deverá exportar mais, pois depende mais dos recursos e não está restrito pelas cotas da Opep.

Até os EUA têm alterado seu regime fiscal, já que as taxas mais elevadas sobre a extração do recurso são um dos meios encontrados pelo governo para limitar a deterioração das contas públicas. Os investimentos no campo gigante descoberto pela British Petroleum no Golfo do México dependem de mais clareza sobre a regulamentação.

Em resumo, a fotografia global está indefinida, com vários países trazendo de volta os incentivos para estimular os investimentos privados nas áreas petrolíferas mais custosas e arriscadas. Outros tentam tornar mais claros regimes nebulosos. Estas reformas, se implementadas corretamente, podem dar mais certeza aos investidores. Ainda é preciso ver se essas políticas vão encorajar ou adiar os grandes aportes de capital, que serão necessários para fazer frente ao crescimento da demanda global por energia.


1 Comment (Open | Close)

1 Comment To "A volta da nacionalização de recursos?"

#1 Pingback By Blog do Desemprego Zero » Blog Archive » Boletim semanal: carro elétrico, Entrevista com Lula, “Consolidação das leis sociais”, Nacionalização de recursos On 22 setembro, 2009 @ 2:48 pm

[...] A volta da nacionalização de recursos? Posts RelacionadosBOLETIM SEMANAL DO BLOG DO DESEMPREGO ZEROBOLETIM SEMANAL DO BLOG DO DESEMPREGO ZEROBOLETIM SEMANAL DO BLOG DO DESEMPREGO ZEROBOLETIM SEMANAL DO BLOG DO DESEMPREGO ZEROBOLETIM SEMANAL DO BLOG DO desemprego zero [...]


Article printed from Blog do Desemprego Zero: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero

URL to article: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2009/09/a-volta-da-nacionalizacao-de-recursos/

URLs in this post:

[1] CartaCapital: http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5044

Copyright © 2008 Blog do Desemprego Zero. Todos os direitos reservados.