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Um retrato mais claro da crise
Posted By beatriz On 1 julho, 2009 @ 1:18 pm In Política Brasileira,Política Econômica | No Comments
Fonte: Carta Capital
Por Delfim Netto
Com a publicação pelo IBGE da estimativa do crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2009, ficou um pouco mais clara a magnitude dos efeitos do choque externo sobre a economia brasileira. As taxas de crescimento anual do PIB (medidas entre os mesmos trimestres de 2008/067 e 2009/08) são as da tabela 1.
Vínhamos num processo de rápida aceleração do crescimento da economia, que gerava algumas preocupações com relação ao comportamento da taxa de inflação. Esta somava dois efeitos: 1. Uma componente interna produzida pelo desequilíbrio entre oferta e procura em alguns setores e 2. Uma pressão inflacionária mundial sobre os preços dos alimentos e do petróleo, cuja importação era minorada pela oportunística sobrevalorização do real construída sobre a política de juros do Banco Central.
Graças à barbeiragem do Tesouro Americano e do Fed, que vai para os anais dos erros catastróficos, o banco de investimento Lehman Brothers foi deixado à própria sorte na tarde de domingo de 15 de setembro. Na segunda-feira 16, o sistema bancário brasileiro solidarizou-se com o clube internacional. Decretou a morte súbita do crédito interbancário no Brasil. Produziu um estado de pânico que interrompeu o circuito econômico e desarticulou o sistema produtivo, pondo todos os agentes à procura simultânea de liquidez.
Em apenas 60 dias, a taxa de crescimento anual do PIB desacelerou de 6,8% para 1,3%! A tragédia é difícil de entender porque: 1. O sistema financeiro nacional é hígido (havia sido reestruturado pelo Proer em 1997). 2. A economia brasileira é relativamente fechada e o sistema de câmbio flutuante ameniza os efeitos externos. 3. o Banco Central tinha (e tem) musculatura suficiente para dar conforto ao sistema financeiro que, compreensivelmente, assumiu a posição de esperar para ver.
Uma coisa é certa. O Banco Central sabia, em 16 de setembro, o que devia fazer: a política saiu na direção correta, mas sempre com incrível atraso e em doses homeopáticas. A única explicação plausível para isso é que os seus agentes públicos não se sentem confortáveis com a cobertura jurídica de que dispõem. E têm razão. Basta ver o que estão sofrendo os que realizaram o Proer e a incompreensão que envolveu o assunto na recente discussão no Congresso e no Poder Executivo.
É claro que nem uma política monetária mais agressiva e com maior senso de urgência, nem uma política de gastos do governo que desse ênfase aos investimentos e postergasse os gastos de consumo, poderia blindar a economia brasileira contra a crise internacional. Mas não é menos claro que elas poderiam ter amenizado os seus efeitos. A tabela 2 compara a desaceleração do nosso crescimento com a de algumas outras economias, subtraindo a taxa de crescimento anual do primeiro trimestre de 2009 da taxa do quarto trimestre de 2008:
O gráfico 3 mostra a evolução das taxas de crescimento anual de cada trimestre com relação ao seu homólogo do ano anterior. No geral, não saímos mal no retrato. Quando se usa como base o 3º trimestre de 2008, a enorme desaceleração brasileira é relativizada com relação a todas as outras, com exceção da China.
E o que nos espera? Seis meses de trabalho para completar 2009; a esperança que o Banco Central complete, afinal, a tarefa que deveria ter executado há nove meses e que o governo seja capaz de cooptar o espírito animal do setor privado mostrando que haverá demanda em 2010.
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