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Blog do Desemprego Zero

Socialismo para ricos

Escrito por Imprensa, postado em 2 dEurope/London julho dEurope/London 2009 Imprimir Enviar para Amigo

Por Joseph E. Stiglitz

Fonte: O Globo (02/07/09).

O contribuinte desembolsou bilhões em garantias – e vai pagar no futuro

Com toda a conversa sobre os “brotos verdes” da recuperação econômica, os bancos americanos estão fazendo esforços para regulá-los. Políticos falam sobre seu compromisso com uma reforma regulatória para prevenir uma recorrência da crise. Esta é uma área em que o diabo realmente está nos detalhes – e os bancos vão mostrar se ainda têm músculos para continuar agindo como no passado.

O velho sistema funcionou bem para os banqueiros (não para os acionistas), então por que mudar? De fato, os esforços para salvá-los deram tão pouca atenção ao tipo de sistema financeiro que emergirá após a crise que acabaremos com um sistema bancário menos competitivo, com bancos-grandesdemaispara-falir ainda maiores.

Há muito se reconhece que essas instituições americanas são grandes demais também para serem dirigidas.

Esta é uma das razões para que o desempenho de vários deles tenha sido tão fraco. Como o governo garante os depósitos, ganha também um papel importante na reestruturação bancária (ao contrário de outros setores). Normalmente, quando um banco quebra, o governo engendra uma reestruturação financeira; se tiver que pôr dinheiro, ganha, é claro, uma participação. O governo sabe que, se esperar muito, bancoszumbis ou quase zumbis – com pouco ou nenhum capital, mas tratados como se fossem instituições viáveis – vão apostar em sua própria ressurreição.

Se apostarem alto e ganharem, levarão o lucro; se falharem, o governo assume o rombo.

Isto não é apenas na teoria; é uma lição que aprendemos, a um alto custo, durante a crise das instituições de poupança e empréstimo nos anos 80. Quando o caixa eletrônico diz “insuficiência de fundos”, o governo não quer que pareça que o banco, e não sua conta, está sem dinheiro. É aí que ele intervém, antes que a gaveta esteja vazia. Numa reestruturação financeira, os acionistas tipicamente são tirados da jogada e os detentores de títulos se tornam os novos acionistas. Algumas vezes, o governo tem que entrar com mais fundos; às vezes, procura um novo investidor para ficar com o banco falido.

Entretanto, o governo Obama introduziu um novo conceito: grande-demaispara-ser-reestruturado.

O governo alega que desataria as forças do inferno se tentasse usar as regras normais nesses grandes bancos. Os mercados entrariam em pânico.

Desta forma, não só não se pode tocar nos detentores de títulos como não se pode tocar nem mesmo nos acionistas – ainda que a maior parte do valor das ações meramente reflita uma aposta numa intervenção governamental.

Discordo desse julgamento. Penso que o governo Obama sucumbiu à pressão política e dos grandes bancos.

Como resultado, a administração tem confundido a salvação dos banqueiros e dos acionistas com a salvação dos bancos.

A reestruturação dá aos bancos a oportunidade de um novo começo: novos investidores potenciais (em ativos ou títulos da dívida) terão mais confiança, outros bancos estarão mais dispostos a emprestar-lhes, e eles próprios estarão mais propensos a emprestar a outros. Detentores de títulos sairão ganhando com uma reestruturação ordeira, e, se o valor de seus ativos for maior do que o mercado acredita, poderão eventualmente sair no lucro.

Está claro que os custos atuais e futuros da estratégia de Obama são muito altos – e até agora ela não atingiu seu objetivo limitado de restabelecer o fluxo de crédito. O contribuinte teve de desembolsar bilhões em garantias – contas que terão de ser pagas no futuro.

Reescrever as regras da economia de mercado de uma forma que beneficiou os que causaram tanto prejuízo a toda a economia global é pior do que apenas muito caro. A maioria dos americanos o considera altamente injusto, especialmente depois de verem que os bancos desviam bilhões destinados à retomada dos empréstimos ao pagamento de bônus e dividendos desproporcionais.

Mas esse novo sucedâneo do capitalismo, no qual os prejuízos são socializados e os lucros, privatizados, está destinado ao fracasso. Os incentivos estão distorcidos. Não existe disciplina no mercado. Os bancosgrandesdemais-para-serem-reestruturados sabem que podem jogar impunemente e, com o Fed (banco central americano) oferecendo dinheiro a taxas de juro próximas de zero, há ampla margem para jogar.

Alguns chamaram esse novo regime econômico de “socialismo com características americanas”. Mas socialismo se preocupa com o indivíduo comum. Em contraste, os EUA têm da do pouca ajuda aos milhões de americanos que estão perdendo suas casas.

Trabalhadores que perdem seus empregos recebem apenas 39 semanas de seguro-desemprego e depois são deixados à própria sorte. Quando perde o emprego, a maioria perde o seguro-saúde também.

Os EUA têm expandido sua rede de segurança para grandes corporações de uma forma sem precedentes, de bancos comerciais a bancos de investimento, a companhias de seguro, à indústria automobilística, sem fim à vista.

Na verdade, isto não é socialismo, mas uma extensão do velho assistencialismo corporativo. Os ricos e poderosos se voltam para o governo para obter ajuda sempre que podem, enquanto pessoas que passam necessidade recebem pouca proteção social.

Precisamos acabar com os bancosgrandesdemais-para-falir. Não há evidências de que esses hipopótamos proporcionem benefícios proporcionais ao custo que impõem à sociedade. Se não conseguirmos acabar com eles, teremos de limitar severamente o que eles fazem. Eles não podem ser autorizados a fazer o que fizeram no passado – jogar com o dinheiro dos outros.

Isto levanta outro problema em relação a esses bancos dos EUA: são poderosos demais politicamente. Seu lobby funcionou bem, primeiro para desregulamentar e depois para fazer o contribuinte pagar pela limpeza do mercado. A esperança deles é que isso funcione de novo para que possam atuar da maneira que quiserem, sem preocupação com os riscos para os contribuintes e para a economia. Não podemos deixar que isso aconteça.

JOSEPH E. STIGLITZ é economista e ganhador do Nobel de Ciência Econômica.



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