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A volta da velha cantilena neoliberal
Posted By beatriz On 20 julho, 2009 @ 11:47 am In Destaques da Semana,José Carlos Assis,Política Econômica | 1 Comment
Fonte: JB
Por J. Carlos de Assis
No auge do machismo dos anos 50, o humorista italiano Pitigrilli dizia de louras pouco inteligentes que eram incapazes de dizer três coisas bonitinhas sem acrescentar logo uma bobagem. O relatório recente da OCDE sobre o Brasil não consegue evitar a conclusão de que o país tem enfrentado a crise com relativa competência, mas não resiste em acrescentar que, para o futuro, precisa cortar gastos públicos a fim de não comprometer o crescimento a longo prazo.
Nenhuma política pública específica em nenhum país acerta 100%. A política fiscal do governo Lula para enfrentar os efeitos da crise acertou em 90%. A política monetária ficou a meio caminho, talvez 50%: não reduziu suficientemente os juros. Mas sabemos que ela nunca funciona mesmo com crise de demanda, em especial quando combinada com crises financeiras.
A sorte do Brasil foi o rápido recurso do governo a políticas fiscais anticíclicas, e o fato de que a parte federal do sistema bancário público escapou da fúria privatizante do governo FHC. Entre janeiro e maio, os empréstimos bancários públicos cresceram 7,5%; os do sistema privado, mísero 1,5%. A lição é clara, e vem de China e Índia, únicos países do mundo que mantêm altas taxas de crescimento mesmo com a crise: a totalidade dos bancos comerciais chineses e 96% dos indianos são estatais. Os governos mandam e eles emprestam. Aqui, no caso do BB, a recusa custou a demissão do presidente. E não adianta satanizar os banqueiros privados: é da sua natureza, em momentos de crise, tornar o crédito seletivo e caro por previsível medo do risco.
Se a política monetária não funciona mesmo com redução da taxa de juros e maior disponibilidade de recursos para empréstimos – ambas adotadas no Brasil no início da crise – é preciso acionar a política fiscal. É a ampliação dos gastos públicos que ativa a demanda, a demanda sustenta o investimento e o emprego.
No pico da crise, FMI, Banco Mundial, OCDE, BID pararam assustadas diante do desastre. Houve um envergonhado silêncio mundial em torno de conceitos como auto-regulação, estado mínimo, privatização dos sistemas de bem estar etc. Entretanto, na medida em que se acredita, sem razão, que o pior da crise passou, as forças neoliberais se reagrupam.
Estamos navegando relativamente bem na contra-corrente da crise porque houve uma competente coordenação da política fiscal e financeira. A desoneração temporária do IPI funcionou. Se não recompôs empregos, pelo menos deu uma parada nas demissões. A desoneração tributária teve algum efeito na recomposição de rendas nas classes médias. O BNDES atuou vigorosamente em várias frentes. Mas o mais espetacular avanço do governo Lula, em plena crise, foi nos programas sociais: Bolsa Família, salário mínimo, Pronaf, Luz para Todos. São comprometimentos orçamentários permanentes, não só para enfrentar a crise. Seu foco é minimizar a crise social, e isso basta.
É claro que o déficit público e a dívida pública vão aumentar. Numa crise de demanda, isso não é apenas aceitável como necessário. Seguir o conselho da OCDE e cortar os gastos públicos antes de entrarmos em crescimento sustentável no rumo do pleno emprego é uma temeridade social e um suicídio econômico. Felizmente, com sua forte intuição, o presidente sabe disso. Mas ainda falta uma coisa: uma política pública eficaz de emprego garantido.
Grande Entrevista com Paulo Henrique Amorim!! PHA / REVISTA FÓRUM: DANTAS COMPROU PARTE DO PT [1]
Novo Capítulo do Dossiê do Nassif x Veja: As relações incestuosas na mídia [2]
Paraguai não pode ser uma ilha entre as outras nações” [3]
Chegou o tempo dos idealistas [4]
EDMUND PHELPS, NOBEL DE ECONOMIA 2006, É ENTREVISTADO NA VEJA [5]
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[2] Novo Capítulo do Dossiê do Nassif x Veja: As relações incestuosas na mídia: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/novo-capitulo-do-dossie-do-nassif-x-veja-as-relacoes-incestuosas-na-midia/
[3] Paraguai não pode ser uma ilha entre as outras nações”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/paraguai-nao-pode-ser-uma-ilha-entre-as-outras-nacoes%e2%80%9d/
[4] Chegou o tempo dos idealistas: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/as-duas-faces-do-projeto-mediocratico-no-brasil/
[5] EDMUND PHELPS, NOBEL DE ECONOMIA 2006, É ENTREVISTADO NA VEJA: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/edmund-phelps-nobel-de-economia-2006-e-entrevistado-na-veja/
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