A produção do petróleo no mundo e no pré-sal
Escrito por beatriz, postado em 27 dEurope/London julho dEurope/London 2009
Fonte: Correio Braziliense
Por LUIZ GONZAGA BERTELLI
Diretor da Fiesp, presidente-executivo do CIEE e da Academia Paulista de História (APH)
O petróleo continua sendo o principal componente da demanda energética mundial. Hoje, entre os 10 maiores consumidores, sete deles são grandes importadores: Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, China, Índia, Alemanha e França. Quanto às nações produtoras, 70% das vendas mundiais são provenientes de quatro regiões: Oriente Médio (Arábia Saudita, Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos), África (Nigéria e Argélia), Rússia e América Latina (Venezuela).
Nos dias atuais, a Noruega é o país que tem sabido, com enorme competência, administrar as suas reservas petrolíferas, no mar Ártico, responsáveis por 25% do seu PIB. Os noruegueses são os maiores produtores europeus, possuindo, aproximadamente, 50% das reservas, ainda existentes na Europa Ocidental.
Toda a receita advinda das exportações do petróleo norueguês (cerca de 3 milhões de barris diários) é gerida por um fundo soberano, com ativos estimados em US$ 400 bilhões. Graças a essa fantástica riqueza, o governo norueguês tem aumentado os investimentos públicos, em infraestrutura, educação e isenção de tributos para os empreendimentos privados.
Até os idos dos anos 60, a Noruega era uma nação dependente da pesca marítima no oceano Ártico e da celulose do papel. Hoje, o PIB dos vikings está em torno de US$ 95 mil, um dos maiores do universo, e a fortuna norueguesa está distribuída, equitativamente, entre todos os seus habitantes.
Além dos grandes investimentos na prospecção do petróleo, a Noruega aplica suas disponibilidades no desenvolvimento de energia eólica, hídrica e outras fontes alternativas. No início do mês em curso, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou as incertezas da economia mundial do petróleo. Num primeiro cenário, o consumo do petróleo crescerá 1,4% ao ano, atingindo perto de 89 milhões de barris diários de 156 litros em 2014.
Atualmente, são queimados 83 milhões de barris anuais, permanecendo a volatilidade dos preços. Em 2008, os valores do óleo cru de melhor qualidade chegaram a US$ 147/barril, caindo para US$ 35 no final do ano passado e, nos dias presentes, estão perto de US$ 70/barril.
Os recursos financeiros para a exploração do petróleo brasileiro em águas profundas (pré-sal) poderão vir das futuras altas do combustível fóssil. Acredita o conselheiro para assuntos de energia do governo do presidente, George W. Bush, M. Simmones, que o barril do petróleo alcançará US$500/barril nos próximos anos, o que seria “excelente para a economia mundial, financiando a prospecção e descoberta de novas reservas”, como preconiza.
Para outros analistas, o decantado aumento de produção da nossa principal estatal será decisivo para a regularidade do abastecimento nacional e externamente. Daqui a alguns anos, confirmadas as previsões, o Brasil deverá exportar o petróleo do pré-sal. Tradicionalmente, o nosso país importa mais petróleo e derivados do que exporta, sendo o combustível fóssil importado pelo Brasil mais caro do que o exportado. No segundo semestre de 2008, as importações do petróleo cru foram superiores às dos seis primeiros meses do ano decorrido.
Enquanto isso, o Banco Credit Suisse, em relatório distribuído, apregoa que as explorações do petróleo brasileiro na região do pré-sal da bacia de Santos “não são o bilhete premiado” que vinha mencionando a Petrobras. A exploração do petróleo em águas profundas marítimas em mais de 6 mil metros de profundidade, na visão do presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Lucca, sabidamente, custa mais caro, além de acentuadas dificuldades na extração.
Preocupada com a repercussão da matéria, a Petrobras afirma que são improváveis as novas ocorrências dos poços secos em suas áreas do pré-sal, que poderão conter 50 bilhões de barris, o que colocaria o Brasil entre as 10 maiores reservas do mundo. A empresa estatal comentou o fato, dizendo que em toda a atividade exploratória do petróleo existe o risco e enfatiza: “Um poço seco é algo recorrente da indústria do petróleo e não fato extraordinário”. Vamos aguardar.










