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Blog do Desemprego Zero

Já sabem o que será 2010?

Escrito por beatriz, postado em 11 dEurope/London junho dEurope/London 2009 Imprimir Enviar para Amigo

Fonte: Carta Capital 

Por Delfim Netto 

Cícero disse que há pessoas capazes de interpretar os desejos (profecias) dos deuses. Concluiu, portanto, que deveríamos admitir que os deuses existem, mesmo quando se possa argumentar que as profecias às vezes não se realizam. O contra-argumento é falso, diz ele. Do fato de que nem todos se curam de suas doenças não podemos deduzir que a ciência médica não existe. O problema é que é conveniente ter deuses. Ademais, o Evangelho aconselha que se dê atenção ao que dizem os outros (até os inimigos). São Paulo, em particular, afirmou que nunca se deve desprezar uma profecia. 

Os escolhidos transmitem a vontade dos deuses a qualquer momento. O instante mais propício, entretanto, é quando a Terra reinicia (por convenção do calendário gregoriano) o seu movimento quase circular em torno do Sol. Misteriosamente, janeiro deixa de ser a continuação do dezembro que o antecedeu e parece haver uma descontinuidade que nos assombra. Isso obriga os escolhidos a revelarem as profecias confiadas pelos deuses. Uma hipótese alternativa para a conclusão de Cícero, que não compromete nem o Evangelho nem São Paulo, é que talvez quem transmita os desejos (as profecias) não seja intérprete dos deuses, mas os próprios sob máscaras humanas. Entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, assistimos a pelo menos seis pítias (com máscaras de economistas) transmitindo profecias pelo Delfos moderno: a imprensa escrita, falada e televisiva.

É inútil acentuar que divergiam fortemente, mas todas terminavam com indispensável dose de pessimismo, que é o hedge dos deuses. O crescimento do PIB em 2009 irá de -4% a +2%, dependendo da conjuntura mundial; a taxa de inflação será de 4% e qualquer coisa, dependendo da demanda chinesa e da conversão de alimentos em combustível; o saldo comercial declinará; a taxa cambial sofrerá correções e afetará o movimento autônomo de capitais externos; o déficit em conta corrente será de 3% do PIB, etc. Mas todos, sem exceção, recomendaram ao Banco Central cuidado e precaução. Dependendo do nível do cinismo divino e do mercado em que operam, alguns não se acanhavam em sugerir, em nome da boa ciência econômica, cuidado e precaução na redução da taxa de juro. Qualquer exagero a esse respeito exigiria aumento futuro em pleno processo sucessório… 

Felizmente, há um progresso. Ninguém ousou apelar para o apocalíptico produto potencial, que não inclui o espírito animal do empresário, e que, enigmaticamente, saltou de 3,5% para 5% ao ano! Economistas de boa formação neoclássica deviam entender melhor o papel dos incentivos e dos preços relativos sobre o comportamento dos empresários e dos trabalhadores. Continuam, entretanto, a acreditar: 1. Que existe estreita relação a curto prazo entre a taxa de investimento e a taxa de crescimento do PIB (relação empiricamente frouxa). 2. Que a poupança é acumulada pelo Espírito Santo e depois tomada emprestada pelos empresários para investir (proposição empiricamente rejeitada). 3. Que a oferta global independe da demanda efetiva prevista pelos empresários (hipótese que repugna a prática mais elementar). É claro que existe um limite para a taxa de crescimento do PIB, compatível com a estabilidade interna produzida pelo equilíbrio fiscal adequado (com taxa de inflação parecida com a dos concorrentes) e com equilíbrio externo (conta corrente em equilíbrio ao longo do ciclo), mas ele só é conhecido a posteriori.

O crescimento com tais equilíbrios tem dois fatores limitantes que podem abortá-lo: o fornecimento das várias formas de energia em proporções adequadas e a acumulação de déficits em conta corrente que, mais cedo ou mais tarde, acaba levando à crise externa. O crescimento da economia mundial entre 2003 e 2008 nos livrou do segundo, pelo menos nos próximos quatro ou cinco anos. A nova postura do governo (com a aceleração dos investimentos e das concessões) e a existência do pré-sal afastam o primeiro. Mesmo com uma conjuntura mundial não dramaticamente desfavorável, temos tempo e inteligência para superá-los. O crescimento robusto autossustentado sempre tem origem nas forças internas: 1. Quando aquelas restrições físicas não existem. 2. Quando o governo tem compreensão adequada do papel fundamental do setor privado, estimulando-o e cooptando-o com medidas que reforcem o mercado interno e diversifiquem as exportações. Nossas pítias não transmitem profecias dos céus, mas a opinião de economistas que incorporaram as divindades. 

Faltam dois terços do ano de 2009 e todo o ano de 2010. Eles serão o resultado da ação do governo para enfrentar a sucessão de fatos aleatórios que os constituirão e da resposta que o setor privado der àquela ação. Há uma pequena luz no horizonte. Vamos transformá-la em dia claro com trabalho e cooperação, ou vamos sentar no meio-fio e chorar o leite derramado, como nossas pítias?



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