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Nível de inovação nas empresas brasileiras ainda é baixo.

Posted By Imprensa On 28 maio, 2009 @ 11:17 am In Conjuntura,Desenvolvimento | No Comments

Falta capital de risco

Fonte: TIC Brasil Mercado 27.05.2009

O Brasil tem capacidade empreendedora e pesquisadores científicos de excelência. O problema é a falta de um ambiente que encoraje a inovação, para que o país possa transformar conhecimento em desenvolvimento econômico. Para isso, seria preciso investir mais em pesquisa e desenvolvimento e melhorar vários aspectos, como burocracia, custos de implantação de uma empresa, alta carga tributária, difícil acesso ao capital de risco, entre outros. São fatores que desmotivam a inovação nas empresas brasileiras. Prova disso é que, segundo a última edição do ranking do Índice Global de Inovação, preparado pelo braço de pesquisas da revista britânica “Economist”, o Brasil perdeu uma posição, caindo do 48º para o 49º posto, entre 82 países. Ao mesmo tempo, a China, que ocupava a 59ª posição no ranking entre 2002 e 2006, subiu cinco posições no período entre 2004 e 2008. O ranking também mostra o Brasil atrás de outros dois países latino-americanos em desenvolvimento – a Argentina, que está na 42ª posição, e o México, na 48ª. O problema se agrava quando se refere às pequenas e micro empresas, que operam com níveis de competitividade e de inovação relativamente baixos se comparados aos padrões exigidos pelo mercado globalizado. Mas, na medida em que a economia brasileira passou a experimentar níveis maiores de inserção internacional, alguns segmentos foram mais desafiados e passaram a conviver com maior competição. Como fazem parte de cadeias produtivas em que a concorrência é mais acirrada, o nível de competitividade e de inovação é mais percebido. Em entrevista exclusiva à TIC Mercado, Paulo Benetti, diretor geral da Inteligência Natural Consultoria e especialista em criatividade, inovação e estratégias, disse que a inovação no Brasil está, principalmente, nas incubadoras. Para ele, as micros e pequenas empresas dependem de capital de risco para começar e expandir, e no País não há, ainda, uma cultura de investimento de risco.

TIC – Segundo a revista britânica “Economist”, o Brasil perdeu uma posição no ranking de inovação, caindo do 48º para o 49º posto, entre 82 países. O que significa para o país perder posição nessa área, principalmente, agora, com a crise financeira, onde a inovação é fator de sobrevivência? Ou uma posição, na prática, não significa muito?

Paulo Benetti – Se olharmos a diferença entre o 48º, 49º e 50º, a diferença é muito pequena. Mas se olhamos a diferença para o 34º, a Costa Rica, a diferença é abissal. Quase sete vezes mais. O que é pior é que estamos ficando cada vez mais longe dos primeiros, e cada vez mais próximos dos últimos. É triste isto e nos informa que nosso futuro não será agradável. A capacidade de inovar de um país será cada vez mais importante para o seu crescimento. Pelo jeito, vamos continuar vendendo commodities e pronto. E podem anotar para voltar ao tema depois. Nem nos próximos trinta anos vamos conseguir estar entre os 20 primeiros. Isto é terrível porque a inovação é a maior agregadora de valor a um produto. Se não conseguirmos fazer isto, vamos ficar muito mal. Se não mudarmos o sistema de educação no Brasil, e quando falo mudar é mudar tudo – o que se ensina, como se ensina, a quantidade de horas estudadas, etc. – vamos ficar cada vez piores.   Nossa educação formal hoje é o maior entrave para o desenvolvimento do país.  Seja pela quantidade (poucos têm acesso), seja pela qualidade.

TIC – De que forma a inovação pode ser um fator importante na luta contra a crise financeira global?

Paulo Benetti – A inovação é a maior agregadora de valor a um produto, serviço, processo e demais condições a que ela se aplica (modelo de negócios, comercialização, logística etc.). Quanto mais se aplicar em inovação mais possibilidades teremos.  Além disto, quando falo em inovação estou querendo dizer o processo inteiro: reconhecer a oportunidade; gerar novas idéias; inovar; e comercializar. Este pequeno processo faz uma diferença imensa no portfólio e nas contas de uma empresa. Esta crise vai nos ensinar uma coisa interessante.  Países inovadores que estão mais afundados do que o Brasil na crise vão levar algum tempo para engatar a primeira marcha. Mas a capacidade que eles têm para pegar velocidade é enorme. Então, quando conseguirem a primeira, vão rapidamente partir para a segunda, terceira e quarta marchas. Já o Brasil que, provavelmente, vai ficar na primeira marcha, levará muito tempo para engatar a segunda. Esta é uma diferença brutal, principalmente porque velocidade conta muito. Fico aqui pensando na conclusão de Darwin: somente os mais adaptados continuam.  Será que nosso destino está marcado?

TIC – Qual sua avaliação em relação ao nível de competitividade e inovação nas micro e pequenas empresas no Brasil?

Paulo Benetti – Vamos tomar por base as empresas que começam nas incubadoras, para não misturar empresas comuns e franquias que nada têm a ver com inovação. Há um esforço muito grande para que as empresas consigam sobreviver. Há casos muito interessantes. Eu até afirmaria que a criatividade e a inovação no Brasil estão, principalmente, nas incubadoras. Bem vindas sejam as organizações que têm apoiado o empreendedorismo no Brasil. A questão é que os estímulos não são muito grandes.

TIC – Quais são os principais entraves à inovação para as micro e pequenas empresas brasileiras? E a solução para esses problemas?

Paulo Benetti – As micros e pequenas empresas dependem muito de capital de risco para começar e expandir. No Brasil não há, ainda, uma cultura de investimento de risco. Os investidores não querem aplicar onde não sabem o que pode acontecer. Aplicar em uma micro ou pequena empresa é um risco, muitas vezes grande, mas só isto é que faz o mercado aumentar de valor. Veja o exemplo dos Estados Unidos.  Existem muitos investidores capazes de aplicar seus recursos em novas idéias.  Com isto, vemos aparecer empresas que, em um espaço muito curto de tempo, passam a ter valores astronômicos.  Mas é a cultura de atração ou aversão ao risco que vai decidir se o mercado vai crescer ou não.  Mudar uma cultura é uma tarefa de Hércules. Bom, temos outras coisas, como burocracia, custos do dinheiro, custos de implantação de uma empresa, quantidade de impostos, alíquotas altas.


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[1] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/

[2] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/

[3] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/

[4] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/

[5] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/

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