É hora de otimismo?
Escrito por beatriz, postado em 20 dEurope/London maio dEurope/London 2009
Fonte: Carta Capital
Bolhas de euforia
Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa
Uma euforia inconsistente toma conta do planeta e alimenta a nova bolha de especulação
The Economist: por enquanto, a França estatizante sai-se melhor que o liberal Reino Unido
De repente, a pior crise financeira desde 1929 pareceu desfazer-se no ar. De dois meses para cá, os índices das bolsas se recuperaram de 30% a 40%, as commodities voltaram a subir, as manchetes dos noticiários econômicos mudaram de tom e de assunto e tudo parece se passar como se os negócios já estivessem de volta ao normal. Se fosse realmente assim, seria bem estranho, talvez mesmo o caso de atribuir virtudes milagrosas ao novo presidente dos EUA.
Deixemos de lado as comparações com a Grande Depressão, que durou 43 meses – de 1929 a 1933 -, não considerada a “recaída” de 1937-1938. A duração média de uma recessão nos Estados Unidos do pós-guerra tem sido de dez meses, chegando a dezesseis nas crises dos dois choques do petróleo, o de 1973 e o de 1979. Considerando que a crise iniciou no fim de 2007, apesar de só bem mais tarde ter sido claramente reconhecida, mal se completou a duração típica de uma crise de maior importância.
Falando de bolsas, a duração média das quedas prolongadas, bear markets no jargão de Wall Street, foi de cerca de 15 meses no pós-guerra, chegando a 21 ou 22 nos casos mais graves, inclusive os choques do petróleo (33 meses em 1929). Visto que o último pico foi atingido em outubro de 2007, seria realmente insólito se o fundo do poço já houvesse sido superado. Quando o Índice Standard & Poor’s chegou a assustadores 666 pontos (6 de março) e o Dow Jones a 6.440 (9 de março), mal haviam se completado 17 meses ladeira abaixo.
Mais importante que essas comparações é o fato de o problema fundamental por trás da crise – a fragilidade do sistema financeiro estadunidense – estar longe de ter sido superado.
Na terça-feira 12 de maio, o economista Paul Krugman reafirmou, em Xangai: “Os mercados parecem estar precificando uma recuperação rápida, em V, que eu considero extremamente improvável. Parecem olhar esta como uma recessão média, mas não é”. A “recuperação rápida” é relativa: a rigor, a análise dos mercados futuros sugere que, neste momento, a média dos investidores espera o fundo do poço no primeiro trimestre de 2010 e uma recuperação lenta (embora progressiva) da economia, ou ao menos dos dividendos pagos pelas empresas abertas, nos trimestres seguintes. A recuperação dos mercados nos últimos dois meses deve ser atribuída à percepção de que o pior não passou, mas pode ser previsto e dimensionado.










