Gilmar e os avanços inexoráveis
Escrito por Imprensa, postado em 2 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Luís Nassif
Há uma guerra declarada do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes contra Ministério Público, Polícia Federal e juízes de primeira. Não se tente personalizar o conflito. Ele tem implicações muito mais profundas, é reflexo de um dos fenômenos mais importantes dos últimos tempos: a mudança total de paradigmas no sistema de informações do país, obrigando a uma mudança completa em hábitos políticos e empresariais consolidados.
É esse processo de transformações que está trazendo de volta o fenômeno do tenentismo. Não mais oficiais do Exército tentando derrubar o poder, mas policiais, procuradores, juízes, jornalistas independentes tentando impor o primado da lei, enquanto tribunais superiores – e o presidente do Supremo – tentam conter a onda moralizante.
Não tem volta. Apesar das invectivas de Gilmar Mendes, não tem como tapar a peneira. É o mesmo que pretender parar o tempo e o avanço da civilização.
No meu livro “Os Cabeças de Planilha”, procuro traçar paralelo entre as primeiras décadas do século e as últimas. Primeiro, a República, coincidindo com um período de esbórnia financeira global. Os chamados financistas controlam a política econômica, garantem a política de governadores – com práticas cada vez mais corruptas – ao mesmo tempo em que emerge uma nova sociedade urbana e eclodem revoltas a partir das bases do Exército – os tenentes. Essas mudanças são aceleradas pelas novas mídias – na época, o rádio, que permite a explosão da informação e da cultura urbana brasileira.
Agora se tem a volta do pêndulo repetindo o ciclo. Primeiro a esbórnia dos primeiros anos de redemocratização. Depois, a financeirização absurda, que permitiu que sistemas de crime organizado participassem dos esquemas de poder.










