Deu EUA no G-20
Escrito por beatriz, postado em 8 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Fonte: Blog do José Paulo Kupfer
À parte o show do presidente Lula, a reunião do G-20, hoje, em Londres, não fugiu demais ao roteiro previsível. O comunicado final trouxe, sim, algo de concreto além do que se esperava: a formação de um fundo de US$ 1 trilhão, para reforçar o caixa – e o moral – do FMI e o anúncio da disponibilização global de US$ 5 trilhões, em estímulos fiscais, até 2010. Maiores também do que esperado, apesar de não terem avançado nem uma gota além da retórica, foram as menções aos males do protecionismo, e, mais ainda, a reafirmação do compromisso com um acordo conclusivo para a Rodada Doha.
Tudo o mais foram promessas de boas intenções, cuja execução, em seus detalhes, ainda deverá ser desenhada e definida por comissões. Incluem-se nesse caso a maior regulação dos mercados financeiros – incluindo fundos de hegde e paraísos fiscais -, uma reforma não estrutural em organismos como o FMI e o Banco Mundial e até restrições aos bônus de executivos de empresas privadas. Há alguns prazos para revisar e consolidar os eventuais progressos dos pontos do acordo de hoje, com uma nova cúpula antes do fim do ano.
Um balanço do evento permite concluir que, na estréia de Barack Obama em fóruns internacionais, os Estados Unidos fizeram valer sua liderança e peso político. Prevaleceu a idéia americana de que o incêndio da crise ainda não acabou e que, portanto, as medidas a serem tomadas são de caráter emergencial e destinadas a controlar o fogo.
Daí porque, na parte das ações imediatas, de bombear mais e mais dinheiro para os mercados, a cúpula do G20 foi além das expectativas. E porque, no que se poderia chamar de parte destinada às reformas estruturais do sistema financeiro e dos organismos multilaterais, o resultado da reunião ficou aquém do que poderia – melhor dizendo, deveria – ter ido.










