Críticas ao PAC
Escrito por beatriz, postado em 26 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Por Wladimir Pomar*
As críticas que pretendem comparar a política do governo Lula com as políticas neoliberais dos governos Collor e FHC possuem ângulos diferenciados. Um deles diz respeito ao que chamam de sacrificar o imenso potencial natural e as imensas bacias hidrográficas em função de interesses imediatistas dos setores agroexportadores e produtivistas. Os recursos naturais e a natureza do Brasil estariam sendo utilizados como mecanismos de “barateamento” dos custos operacionais das grandes empresas, representando perdas irreversíveis para a população.
O PAC, por seu turno, teria a mesma lógica de crescimento dos projetos daqueles setores que se tornaram dinâmicos justamente em meio ao processo de fragmentação e desmonte do país. Desse ponto de vista, o PAC seria um programa perverso, pois?reforçaria os que já são fortes e não estabeleceria nenhuma prioridade para resgatar os setores que encadeiam a economia nacional, ou seja, aqueles voltados para o mercado interno, para os mercados regionais, para processos de agregação de valor e multiplicação de talentos, de capacidade, de geração de tecnologias.
Assim, o PAC seria um programa para ampliar a escala dos setores já inseridos no mercado mundial, especialmente o agronegócio e o setor mineral. Portanto, teria sido elaborado para reforçar a concentração do modelo vigorante. As possibilidades de desenvolvimento econômico do país estariam sendo suprimidas em função do uso predominante do território pelas grandes corporações. Com isso, a população brasileira teria perdido a condição de usar seu território para utilizar as alternativas sustentáveis e permanentes.
As grandes corporações gerariam apenas surtos de crescimento, favorecendo grupos voltados para o mercado externo, e deixando muito pouco de retribuição. Em vista disso, o programa que a sociedade brasileira esperaria seria aquele que trouxesse?investimentos maciços na infra-estrutura social. O PAC, ao contrário, ao fortalecer o modelo que concentra a renda e rebaixa o perfil tecnológico-econômico do mercado mundial, estaria transformando o Brasil num país especialista em matérias-primas e produtos manufaturados de baixo valor agregado.
Resumindo, o PAC estaria errado porque tem como foco o desenvolvimento da infra-estrutura econômica, o que beneficiaria apenas os setores oligopolistas da economia brasileira, incapazes de gerar crescimento de longo prazo, retribuir devidamente à sociedade e tornar o país tecnologicamente avançado e produtor de manufaturados de alto valor agregado. Ao invés desse PAC, o que o Brasil precisaria é de um PAC Social, relacionado ao desenvolvimento do ecoturismo, da agricultura e da pesca familiares.
É evidente que essas críticas esquecem que o país especialista em matérias-primas e produtos manufaturados de baixo valor agregado é herdado, em especial, do desmonte da era Collor-FHC. Não está sendo transformado nisso agora. Além disso, não conseguem explicitar como o ecoturismo, agricultura e pesca familiares vão gerar um crescimento de longo prazo, tecnologicamente avançado e produtor de manufaturas de alto valor agregado. Sem enxergar sequer as contradições de seus argumentos, também são incapazes de levar em conta as contradições reais do desenvolvimento capitalista brasileiro.
*Wladimir Pomar é escritor e analista político.










