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Blog do Desemprego Zero

Ainda o primeiro ano do resto das nossas vidas

Escrito por beatriz, postado em 30 dEurope/London abril dEurope/London 2009 Imprimir Enviar para Amigo

Por David Kupfer

Fonte: Valor Econômico  

Com o título “O primeiro ano do resto das nossas vidas”, a coluna anterior, publicada em 1º. de abril, buscou sugerir algumas condições de contorno para a análise das perspectivas da indústria brasileira após o crash de 2008. O centro do argumento desenvolvido estava baseado na convicção de que, para além da convergência das expectativas quanto à necessidade de dois a três anos para que os níveis de atividade pré-crise sejam retomados, o pós-crise vai se dar em um quadro estruturalmente distinto. Nesses novos fundamentos estruturais tenderão a prevalecer, pelo lado da demanda, mudança nos padrões de consumo de volta a uma ressegmentação baseada em diferenciação de produtos; pelo lado da oferta, forte processo de concentração do capital por meio de fusões e aquisições de empresas; e, pelo lado da regulação, não só mais ativismo do Estado como, principalmente, mais seletividade na sua atuação, o que significará mudança de orientação das políticas industriais adotadas pelos países mundo afora.

Tentando extrair implicações para a indústria brasileira, a coluna enfocou possíveis modificações nas diferentes trajetórias estruturais que os diversos setores vinham percorrendo quando da eclosão da crise: nos setores da base da indústria, o retorno da equação da geração de valor ao seu sentido histórico, no qual os produtos mais elaborados são mais valorizados do que os mais básicos, poderá significar a quebra da espinha dorsal da estratégia de aposta nos produtos menos elaborados que vinha sendo adotada pela nata das empresas brasileiras; para os setores do topo da indústria, também estará em cheque e precisará ser revista a estratégia de expansão quase que totalmente dependente de tecnologias incorporadas em insumos e equipamentos importados.

Devido às limitações de espaço, não foi possível abordar nessa análise uma parte muito importante da atividade industrial nacional, localizada entre a base e o topo, que denomino de “miolo da indústria”. Formado essencialmente pela indústria tradicional, é constituído por grande número de setores, produtores tanto de insumos e componentes industriais (produtos de metal, embalagens e peças plásticas, químicos diversos e material elétrico, dentre outros) quanto de bens de consumo (alimentos, têxtil e calçados, artefatos plásticos e móveis, dentre outros). Em comum, reúne atividades de menor conteúdo tecnológico e poucos requisitos de escala mínima de produção, o que favorece a variedade empresarial e permite a convivência de empresas de diferentes tamanhos, produtos, capacitações e desempenhos.

No Brasil, historicamente, o miolo da indústria abriga cerca de 70% das empresas, em torno de 60% do pessoal ocupado total e pelo menos um terço do valor adicionado pela atividade industrial. Diferente dos setores da base, que vinham se beneficiando da exuberância da economia mundial e dos setores do topo, que estavam conseguindo responder com a ampliação da integração internacional, os setores do miolo, mesmo no auge cíclico, enfrentavam quadro pouco favorável, evidenciado pelas taxas de crescimento menores que a média da indústria e pelo rápido aumento da penetração de importações. De fato, sobre o miolo da indústria estavam – e estão – concentradas as principais fragilidades competitivas da economia brasileira, sejam as decorrentes das limitações de capacitação produtiva, tecnológica e gerencial das empresas, sejam as de fatores mais sistêmicos como os custos crescentes da infraestrutura, o problemático acesso a capital, as conhecidas distorções tributárias e, especialmente, a taxa de câmbio ultravalorizada.

Não sem razão, o miolo é a parte da indústria brasileira em que se fazia mais visível a gradual perda de densidade das suas cadeias produtivas, fato embasado por números que mostram que nos últimos dez anos houve uma perda de cerca de dez pontos percentuais no peso desses setores na matriz industrial do país. Particularmente desfavorável vinha sendo a situação experimentada pelos setores do miolo que são produtores de insumos industriais. No caso da produção de bens de consumo, o ambiente competitivo era menos hostil devido a uma dose de proteção natural decorrente do vigor ainda exibido pelos valores culturais brasileiros e, talvez mais importante, em vista das relevantes transformações que estavam sendo provocadas pela ascensão das classes C e D ao núcleo de consumo da economia brasileira. Isso porque o setor do grande varejo nacional vinha buscando responder à rápida massificação do consumo no mercado interno com um esforço de desenvolvimento de fornecedores locais que estava, em parte, contrabalançando a tendência geral de aumento do global sourcing.

Para o miolo da indústria, o desafio implícito à saída da crise significará mais uma volta no parafuso que aperta a pressão por aumentos de qualidade e produtividade. Preocupa a possibilidade de que, na ausência do apoio de políticas públicas eficazes, a resposta factível para esse segmento limite-se a um processo de modernização polarizado, em que um pequeno número de grandes empresas consegue evoluir enquanto a maior parte do sistema empresarial é levada para a precarização, informalização ou outras estratégias não virtuosas de redução de custos, recolocando em cena uma trajetória anterior, muito pouco desejável, que foi típica dos anos 1990. Essas preocupações são reforçadas pelos impactos que a crise mundial poderá ter sobre os sistemas produtivos de processamento de exportações altamente fragmentados implantados na Ásia que, para escapar dos riscos de desarticulação trazidos pelas novas condições da demanda internacional, poderão responder por meio de estratégias agressivas de cortes de preços. Como agravante, a isso poderá se somar os efeitos da crise no mercado de trabalho, que certamente impactarão negativamente o mecanismo de compensação que vinha sendo operado pelas redes de varejo brasileiro, levando-as a optarem pelos fornecedores internacionais e aprofundamento a penetração de importações nesses segmentos do miolo da indústria.

Em suma, quando a economia mundial retomar, o fará com base em quadro estruturalmente distinto. O Brasil é um dos poucos países que podem conciliar objetivamente as condições requeridas para desenvolver simultaneamente a base, o miolo e o topo da indústria. No momento em que a Política de Desenvolvimento Produtivo, a política industrial do atual governo, completa seu primeiro ano, essas reflexões talvez possam ser úteis para o necessário trabalho de reformulação de suas metas, diretrizes e ações.



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