A maldição do Banco Central
Escrito por Imprensa, postado em 19 dEurope/London abril dEurope/London 2009
Com a economia começando a se estabilizar, voltará a lógica absurda do Banco Central: acenar com inflação futura novamente, manter juros elevados, atrair capitais externos de novo, devido à queda acentuada dos juros internacionais e à perspectiva do duplo ganho no Brasil: com juros elevados e com apreciação cambial.
Voltará o mesmo jogo de sempre e provavelmente Lula nada fará para não prejudicar as eleições de 2010. É a maldição brasileira, que poderia ser rompida agora, com a ajuda da crise internacional, mas que voltará a se repetir.
E, repetindo-se, comprovará a máxima: partidos e governos não tem projeto de país, mas apenas projeto de poder.
Na Folha, Yoshiaki Nakano mostra o erro grosseiro do BC, gerando liquidez no overnight e no mercado aberto, e escassez de crédito para o setor produtivo.
A crise foi fruto exclusivo da escasse de crédito, lembra ele. “Não foi uma crise típica iniciada pela queda no consumo, aumento nos estoques e consequente ajuste da produção à demanda. As vendas do comércio sofreram ligeira queda no último trimestre do ano nos setores afetados pela contração no crédito, mas em fevereiro já superam o nível de setembro último em 1,5%. A queda nas vendas do comércio está circunscrita a setores dependentes de crédito. Enquanto isso, a produção industrial teve queda de 13,5% no mesmo período. Esses dados são fundamentais para avaliar a estratégia de enfrentamento da crise adotada pelo governo.
Precisamos desfazer um equívoco cometido pela maioria dos analistas que consideram o comportamento da economia brasileira nos últimos cinco meses como um processo normal de ajuste de estoques. Para os estoques aumentarem e provocarem tal contração na produção, é preciso que a demanda final tenha sofrido uma queda, pelo menos similar e inesperada. Isso aconteceu no setor automobilístico, com alguns bens duráveis e com aço e mineração, que dependem de crédito e da demanda externa. Do lado da demanda doméstica, ela continuou elevada, pois a massa salarial ainda vem crescendo 8%. O que os dados mostram é a queda generalizada na indústria e também no setor de serviços, que não acumula estoques” .
O que causou a contração foi um erro grosseiro do Banco Central, que não cumpriu sua função básica de prover liquidez para o setor produtivo. Os dados do próprio BC mostram que entre setembro e novembro as concessões de crédito com recursos livres dos bancos sofreram queda de 12,2%; de setembro até fevereiro a queda foi de 23,9%. Por isso, a arrecadação do IOF caiu 26,2% em março deste ano em relação a 2008?.
No Estadão, Fábio Graner escreve matéria sobre a volta dos riscos de arbitragem:
A possibilidade de uma valorização do real ante o dólar, em decorrência de operações especulativas no mercado de juros, preocupa setores do governo. Essas operações são sustentadas por análises segundo as quais a combinação de um cenário internacional mais sereno com a possibilidade de uma diminuição no ritmo de corte dos juros básicos pode estimular a chamada arbitragem – nessas operações, o investidor percebe distorções entre o preço de um mesmo ativo (no caso os juros) e ganha com o diferencial das taxas praticadas no país e no exterior. Desse jeito, o real tende a se valorizar rapidamente, prejudicando a competitividade dos produtos nacionais.
“Essa é uma preocupação, sim. No mundo já há sinais de que o carry trade (operações que exploram o diferencial de taxas de juros e a oscilação das moedas dos países) está voltando e o Brasil não fica de fora desse processo”, disse uma fonte da equipe econômica.










