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Fonte: Monitor Mercantil (31/03/2009)
A França ameaça retirar-se da reunião do Grupo dos 20 – países mais industrializados e em desenvolvimento – quinta-feira, em Londres, se suas demandas por maior regulação financeira não forem atendidas. O anúncio foi feito pela ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, em entrevista à BBC.
“Sim, vamos. O presidente (Nicolas) Sarkozy foi muito claro nesse front. Ele disse que, se as condições “não estiverem lá, eu não vou assinar o comunicado”. Isso quer dizer abandonar”, afirmou Lagarde. “Eu acho que ele está muito determinado”, acrescentou a ministra.
Já os governos da Argentina e do Brasil defenderão posição comum na reunião do G20, segundo o ministro argentino de Relações Exteriores, Jorge Taiana, que está no Catar, acompanhando a presidente Cristina Kirchner na cúpula de países sul-americanos e árabes:
“Temos pontos em comum com Brasil e Arábia Saudita, que participam dessa reunião e estarão no encontro do G20″, disse Taiana.
Para o ministro argentino, a cúpula do Catar está dando oportunidade de ouvir nações que não estarão em Londres: “Será preciso escutar outros países, tanto árabes, como sul-americanos. Escutar suas razões e argumentos para enriquecer nossa posição”, salientou.
O governo argentino defende uma reforma dos mecanismos de supervisão do sistema financeiro, além de maior regulação das instituições financeiras e a mudança na estrutura de votação do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O governo argentino também quer que o FMI conceda empréstimos aos países emergentes sem impor condições que sacrifiquem o crescimento desses países.
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O problema do custo dos financiamentos
As taxas de juros e o spread bancário no Brasil retomaram uma escalada de ascensão muito forte. Spread é a diferença entre a taxa dos financiamentos para o tomador e a taxa com que os bancos captam recursos. Para as pessoas físicas, o custo médio em fevereiro último chegou a 52,7% ao ano, contra 43,9% ao ano em dezembro de 2007; já o spread evoluiu de 31,9 pontos percentuais para 41,5 p.p. no mesmo período. No crédito para as empresas, a taxa de juros foi de 30,8% a.a. em média em fevereiro de 2009, contra 22,9% a.a. em dezembro de 2007; o spread nesse caso aumentou de 11,9 p.p. para 18,9 p.p..
Para as empresas os aumentos de juros no período recente estão tornando gradativamente incompatíveis o custo do dinheiro e o retorno da atividade produtiva, especialmente em um momento como o atual, de retração da economia em função da crise internacional. Isso leva ao retraimento de novos investimentos e das atividades, o que deprime o crescimento econômico. Para as famílias, juntamente com o encurtamento dos prazos de pagamento, as taxas de juros maiores concorrem para majorar os valores das prestações dos financiamentos e deprimir as compras a prazo, com o mesmo efeito sobre o crescimento.
Remover ou ao menos reverter em uma medida significativa esses retrocessos recentes no custo dos financiamentos para empresas e famílias, é fundamental para que a economia possa responder positivamente aos desafios determinados pela atual conjuntura. Um conjunto articulado de medidas, ao invés de ações que isoladamente não têm efeito relevante, é a diretriz requerida de uma política de crédito no país. Exemplo de ação isolada foi a redução de recolhimentos compulsórios que alcançou um total de R$ 100 bilhões. Como não houve indução ou estímulo para que os recursos adicionais se traduzissem em maior oferta de crédito e redução de juros, nada “passou” para o plano do financiamento. As linhas de ações envolveriam:
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