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Blog do Desemprego Zero

Sobre o PIB: números para todos os gostos

Escrito por beatriz, postado em 13 dEurope/London março dEurope/London 2009 Imprimir Enviar para Amigo

Fonte: Logística e Transportes

Por José Augusto Valente

A divulgação da expansão do PIB brasileiro, relativa a 2008, especialmente ao seu quarto trimestre, apresenta números para todos os gostos. Inclusive números bastante favoráveis ao governo federal. Apesar disso, o governo brasileiro se colocou no “corner” do ringue, para receber pancada de todo lado, acusando os golpes recebidos, quando poderia fazer uma outra leitura, com base nos números do IBGE.

O que dizem os números relativos ao PIB, levantados pelo IBGE?

1.     Apesar da crise financeira dos EUA, com fortes repercussões na Europa e na Ásia, a economia brasileira cresceu 5,1% em 2008

2.     No ranking das economias que tiveram as maiores taxas de crescimento do PIB (2007/2006), o Brasil subiu do 16° para o 11° lugar (ver gráfico na página 22, do jornal O Globo de hoje – 11 de março de 2009)

3.     Ainda nesse ranking, o Brasil foi o país que teve a menor redução da taxa de crescimento do PIB(2008/2007). É esse percentual e não o de redução do quarto em relação ao terceiro trimestre, que mostra o nível de desaceleração da economia. Para a China cair de 11,9% para 9,0%, a queda entre o quarto e o terceiro trimestre de 2008 deve ter sido, no mínimo, o dobro do que os números do Brasil:

a.     O Brasil reduziu 10,5% (caindo de 5,7% para 5,1%)

b.     A China reduziu 24% (caindo de 11,9% para 9,0%)

c.      A Rússia reduziu 23,5% (caindo de 8,1 para 6,2%)

d.     A Índia reduziu 21,5% (caindo de 9,3% para 7,3%)

e.     Nessa lista, somente a Malásia e a Indonésia tiveram uma redução do PIB menor que o Brasil, com 7,9% e 3,2%, respectivamente

4.     Ou seja, a redução da taxa de crescimento do PIB de 3,6%, do quarto em relação ao terceiro trimestre mostra o óbvio: todas as economias foram afetadas pela crise financeira dos EUA. A redução da taxa de expansão do PIB em apenas 10,5%, quando a maioria dos países desenvolvidos tiveram essas taxas superiores a 20%, mostra que a economia brasileira foi bem menos afetada pela crise, seja pela sua solidez, seja pelas medidas do governo federal e de alguns governos estaduais para mitigar os seus efeitos.

5.     Essa redução pode ser explicada, em parte, pelo clima de pânico criado pela imprensa, que contribuiu para levar a 2% a redução do consumo e à  redução da produção industrial – principal exemplo, a automobilística – com demissões prematuras, como ficou claro quando a partir de janeiro a indústria automobilistica convocou seus trabalhadores para a retomada que vem mantendo níveis crescentes, como temos publicado no blog Logística e Transporte.

Se tivéssemos uma imprensa minimamente isenta, as matérias de hoje seriam do tipo ”Economias mundiais desabam. Entre os países desenvolvidos e emergentes, o Brasil cai muito menos que todos os demais!”.

No corpo da matérias, a imprensa buscaria explicar porque o Brasil caiu tão pouco e os países ricos e os demais do BRIC tiveram uma queda tão violenta.

Sorte? Economia sólida e menos dependente do comércio exterior? Governo eficaz?



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