Futuro do FGTS preocupa
Escrito por beatriz, postado em 30 dEurope/London março dEurope/London 2009
SINAL DE ALERTA
Patrimônio dos trabalhadores pode sofrer sérias baixas por causa da forte ampliação das despesas com obras e das demissões provocadas pela crise econômica mundial
Fonte: Correio Braziliense
Por Vânia Cristino
O uso intensivo, pelo governo, dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para bancar projetos sociais na área da habitação e saneamento já é motivo de preocupação entre os conselheiros responsáveis pela administração do patrimônio dos trabalhadores. Só de 2008 para cá o FGTS elevou em R$ 17 bilhões o desembolso para projetos de infraestrutura com a implantação do FI-FGTS, um fundo de investimento destinado a apoiar projetos de longo prazo nessa área. Na semana passada mais um desembolso extra foi autorizado, dessa vez para bancar o pacote habitacional de um milhão de casas. Ao todo, ao longo de três anos, a previsão é de um investimento de R$ 69 bilhões, sendo R$ 12 bilhões a fundo perdido, num momento em que a situação econômica se mostra adversa, com perspectiva de aumento dos saques por conta do desemprego e diminuição da rentabilidade, por conta de uma taxa de juros menor.
“Nossa preocupação é com a saúde financeira do fundo a longo prazo”, alertou um conselheiro, que se disse seguro da situação a curto prazo. Ele conta que nos últimos anos foi feito um imenso trabalho de gestão dos recursos do fundo, em parte responsável pela robustez que o patrimônio, acumulado pelos trabalhadores durante décadas, apresenta hoje. Somam-se a isso os bons ventos da economia, responsável pela incorporação, aos recursos do Fundo de Garantia, de uma arrecadação líquida positiva a cada ano. Agora, no entanto, pela primeira vez desde agosto de 2007, quando os saques superaram os depósitos em R$ 55 milhões, o FGTS está correndo o risco de ficar novamente no vermelho. Em 2007 os saques pesados, já absorvidos, foram em função da aposentadoria – o Supremo Tribunal Federal passou a entender que a aposentadoria não extingue o contrato de trabalho, o que levou os aposentados a fazerem saques mensais das suas contas vinculas.
Agora “o saque que mais preocupa é o resultante da demissão”, admitiu outro conselheiro. Pelos dados do FGTS o aumento dos saques por demissão dos trabalhadores já é uma realidade. Embora a arrecadação líquida -diferença entre os depósitos e saques – ainda esteja positiva, a retirada de recursos pelos trabalhadores deu um salto.
Em janeiro de 2008 o saque provocado pela demissão foi de R$ 1,936 bilhão, passando para R$ 2,336 bilhões em janeiro deste ano. Em fevereiro a situação se repetiu. Como o mercado contabiliza perda do emprego com carteira assinada de 788.336 postos desde novembro, a perspectiva é de que 2009 volte a apresentar alguns meses com saldo negativo a partir de março.
Rendimento vai diminuir
Além da elevação dos saques, o Fundo de Garantia vai sofrer com a queda da rentabilidade de suas aplicações financeiras, justamente de onde são tirados os recursos a fundo perdido para bancar o subsídio da casa própria. Pela regra em vigor, excepcionalisada na última reunião extraordinária do Conselho Curador que aprovou os recursos para o pacote habitacional do governo, o FGTS podia gastar em subsídio até R$ 2,6 bilhões. Foram aprovados R$ 4 bilhões, com a previsão de mais R$ 8 bilhões para os dois anos subsequentes. “Garantir só os recursos necessários para este ano foi uma decisão cautelosa do Conselho”, disse um dos participantes.
Se dar subsídio é retirar patrimônio na veia, como classificou um dos membros do Conselho Curador, elevar o orçamento para financiamento também é uma medida arriscada. Só para habitação, o orçamento do FGTS para 2009 mais que dobrou, passando de R$ 8,4 bilhões para R$ 19 bilhões. Para sustentar o pacote habitacional do presidente Lula esse orçamento terá que ser replicado pelos próximos dois anos. O dinheiro para o crédito habitacional volta, só que a velocidade do retorno é bem mais lenta que o da liberação, pois os futuros mutuários pegam financiamento para quitar em cerca de 20 anos.
Por causa do cenário ainda nebuloso da economia, o Conselho Curador do FGTS só deve analisar na reunião de maio a autorização para que os trabalhadores possam usar até 10% do saldo das suas contas vinculadas em aplicações no FI-FGTS. O investimento é uma forma de assegurar uma rentabilidade maior para o trabalhador, a exemplo do que foi feito no passado quando foi permitida a compra de ações da Petrobras e da Vale do Rio Doce. Mas também pode significar um saque da ordem de R$ 7 bilhões no Fundo de Garantia. (VC)










