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Blog do Desemprego Zero

América Latina capta recursos e Brasil é destaque

Escrito por beatriz, postado em 1 dEurope/London março dEurope/London 2009 Imprimir Enviar para Amigo

Fonte: Valor

Eduardo Campos 

Os fundos de ações voltados à America Latina seguiram captando recursos, apesar da rodada de notícias negativas que marcou a semana encerrada no dia 18 de fevereiro, como as montadoras dos Estados Unidos pedindo mais dinheiro ao governo e os bancos do Leste Europeu sob suspeita de quebra. 

Segundo a EPFR Global, consultoria que acompanha a movimentação de fundos com mais de US$ 11 trilhões em ativos, a categoria marcou a 7ª semana consecutiva de entrada de recursos. Nesse período, o total destinado aos fundos de ações da região somou US$ 740 milhões. Por país, o Brasil foi destaque, marcando a 4ª semana seguida com entrada de dinheiro. 

Ainda entre os países menos desenvolvidos, os diversificados mercados emergentes globais (GEM, na sigla em inglês) também receberam recursos. Já os fundos de ações da Ásia (sem levar em conta o Japão) foram alvo de saques de US$ 509 milhões. Segundo a EPFR Global, essa saída de recursos é explicada pela realização de lucros nos fundos voltados para a China, que perderam US$ 450 milhões. 

Perda também entre os fundos de ações de emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês). Os motivos para os saques foram variados, entre eles a preocupação com a solvência dos bancos do Leste Europeu e o impacto do baixo preço do petróleo na Rússia e Oriente Médio. Desde o começo de 2008, essa categoria já perdeu US$ 693 milhões. 

De maneira geral, a EPFR Global avalia que ainda existe algum otimismo no mercado, algo sinalizado pela saída de dinheiro nos “money market funds” – carteiras que buscam realizar investimentos de curto prazo e que têm baixo risco. A categoria, tida como porto seguro para as aplicações, foi alvo de resgates de US$ 19,08 bilhões na semana encerrada dia 18 de fevereiro. Nas últimas três semanas, os fundos da categoria já perderam US$ 45 bilhões. 

“Ainda não está claro para onde esse dinheiro está indo”, avalia Cameron Brandt, analista-sênior da EPFR Global, em relatório encaminhado ao mercado. “Mas a última vez que os ‘money market funds’ tiveram grandes saques, no segundo trimestre de 2008, o fluxo para os fundos de ações emergentes aumentou significativamente.”

Considerando todos os fundos de ações acompanhados pela consultoria, os saques cresceram, passando de US$ 6,2 bilhões na segunda semana de fevereiro, para US$ 9,2 bilhões na semana encerrada dia 18. 

Mais uma vez, os fundos de ações dos Estados Unidos responderam pela maior parte dos resgates, perdendo US$ 7,7 bilhões. O plano de estímulo econômico de US$ 790 bilhões virou lei, mas ainda persistem muitas dúvidas sobre como será implementado e se, de fato, trará os resultados esperados.

Os fundos de ações da Europa se mostraram resistentes ao noticiário negativo para o setor financeiro da região, que está exposto aos bancos dos vizinhos europeus do Leste. Segundo a consultoria, a saída de recursos na semana foi modesta, ficando em 0,21% do total de ativos administrados na região.

No Japão, a entrada de recursos registrada na semana anterior, encerrada no dia 11, não se confirmou como tendência, com os fundos de ações voltados ao país perdendo US$ 278 milhões, ou 5,04% do total de ativos gerenciados, na terceira semana do mês. Mais uma vez, a valorização do iene tirou a atratividade dos exportadores do país, que já sofrem com a retração da demanda nos Estados Unidos. Fora isso, a falta de habilidade e ação rápida do governo mina a confiança dos investidores com relação ao país.

Entre os fundos setoriais, o destaque segue com a categoria de commodities, que marcou a décima semana consecutiva de captação de recursos. No período, os investidores já colocaram US$ 2,33 bilhões nesses fundos. Mais uma vez, os subgrupos voltados para ouro e prata lideraram as captações de recursos.

Já os fundos de imóveis/construção e energia também receberam dinheiro novo no período. E mesmo com perda acentuada do valor de seus ativos, os fundos de finanças também tiveram captação positiva. Na ponta oposta, as categorias vistas como mais defensivas perderam dinheiro, entre elas bens de consumo, serviços públicos e saúde/tecnologia.



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