Reduzir superávit primário já é consenso
Postado em 14 dEurope/London março dEurope/London 2009
Fonte: O Estado de S. Paulo
Desenvolvimentistas, porém, acreditam na eficácia do estímulo fiscal, mas ortodoxos são céticos
Por Fernando Dantas
A redução do superávit primário, como reação à crise econômica, já é bem aceita tanto por economistas desenvolvimentistas como por ortodoxos, num consenso raro no debate econômico no Brasil. Mas, enquanto os primeiros veem a queda do primário como peça de uma política fiscal anticíclica (que se contrapõe à contração) que pode ter um efeito significativo para relançar a economia, os ortodoxos são mais céticos – para eles, o espaço para estímulo fiscal é pequeno, e há riscos de se criar despesas permanentes que podem ser prejudiciais ao crescimento no médio e longo prazos.
“Ninguém vai sair de uma crise como essa apenas com política monetária”, diz Ricardo Carneiro, do Instituto de Economia da Unicamp. Na verdade, ele acha a queda dos juros importante e considera que o Banco Central (BC) foi muito tímido no corte da Selic, a taxa básica, até agora. O problema, porém, para Carneiro, é que em situações como a atual, mesmo com os juros mais baixos, “nada garante que os bancos emprestem e as pessoas demandem mais empréstimos”. Assim, ele continua, “a única garantia que existe de retomada do gasto na economia é a despesa pública, porque esta é certa”.
Segundo Carneiro, a estratégia ideal é levar rapidamente a Selic para a faixa de 8 a 8,5% (hoje está em 11,25%), reduzindo a despesa com juros do governo. Ele acha que o superávit primário, que exclui o pagamento de juros, poderia cair para 2,5% do PIB (a meta oficial ainda é de 3,8%), e o governo e as estatais elevariam o seu investimento de 3,5% para 5% do PIB (com o suporte do mapeamento de projetos realizado pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC). Com isso, o economista crê que o Brasil possa manter um ritmo de 3% de crescimento enquanto durar a recessão global.
Esse receituário não está muito distante daquele defendido por economistas mais ortodoxos. Em entrevista a este jornal, publicada ontem, Armínio Fraga, ex-presidente do BC, disse que o governo “ganhou o direito” de utilizar a janela para investimentos do PPI e do Fundo Soberano, o que, na prática, reduziria o superávit primário de 3,8% para 2,8%. Leia o resto do artigo »
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